terça-feira, 26 de abril de 2011

A prática não vai nos fazer virar de uma coisa em outra. É porque já somos, já temos em nós a condição e a capacidade de acessar um plano superior de consciência. Podemos fazer qualquer coisa, podemos matar, podemos roubar, podemos abusar da sexualidade, podemos mentir, podemos traficar drogas, manipular os outros. Nós podemos fazer tudo isso, mas nos comprometemos a não fazer, e é preciso esforço, porque a nossa tendência, é a tendência cultural da época em que vivemos.

(Monja Coen- Extraído de “Palestra do Darma” na Comunidade Zen Budista – verão 2010)

terça-feira, 19 de abril de 2011

A prática é mais fácil com uma Sangha

Quando sentamos juntos como uma Sangha, desfrutamos a energia coletiva da atenção plena e cada um de nós permite que a energia atenta da Sangha nos penetre. Mesmo se você não fizer nada, se você apenas parar de pensar e se permitir absorver a energia coletiva da Sangha, isso é muito curativo. Não lute, não tente fazer alguma coisa, apenas se permita estar com a Sangha. Permita a si mesmo descansar e a energia da Sangha irá ajudá-lo, irá carregá-lo e apoiá-lo. A Sangha existe para facilitar o treinamento. Quando estamos rodeados por irmãos e irmãs que fazem exatamente a mesma coisa, é fácil fluir na corrente da Sangha.
(Thich Nhat Hanh - Eu busco refúgio na Sangha - Um caminho espiritual - Ed. Vozes)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Shinjin Gakudo


Aprendendo através do corpo e da mente



Todos possuem internamente a mente-Buda, mas se falharem em praticar o verdadeiro Caminho ela permanecerá adormecida. Temos, entretanto, o exemplo da prática Budista a seguir e se nós perseverarmos nossa mente-Buda se manifestará e poderemos receber o selo da transmissão.

O que aprendemos quando confrontamos a mente-Buda? Primeiro, considere as várias formas de montanhas, água e terra. Há muitas espécies de montanhas; algumas são como o grande Monte Sumeru, enquanto outras são pequenas; algumas cobrem uma vasta expansão territorial, outras são muito altas. Água também existe em várias formas: celestial, terrestre, grandes rios, pequenos riachos, grandes e pequenos (ponds), oceanos, lagos, etc. E quem pode descrever os vários formatos que a terra adquire?

Lembre-se, entretanto, que a terra nem sempre é solo. Simbolicamente há a terra do coração e a terra do tesouro. Ainda assim todas essas terras são baseadas na experiência de iluminação. Montanhas, água e terra tem sua origem no "vazio" e são a manifestação de "Forma é vazio".

Cada um tem um conceito diferente em relação aos fenômenos naturais, há muitas interpretações do sol, lua, estrelas e água. Por exemplo, pessoas na terra vêem a água  como nada especial, mas celestiais a consideram um grande tesouro. Diferente perspectiva, diferente observação. Para ver propriamente, precisamos aceitá-los como são - precisamos combinar o "que vê" e o "visto" em uma ação. Nossa mente deve ser avivada pela ação da mente não dividida.

Abandone noções de dentro e fora, indo ou vindo. Mente não dividida não tem dentro nem fora; vem e vai livremente, sem amarras. Um pensamento: montanha, água e terra. Novo pensamento: uma nova montanha, água e terra. Cada pensamento é independente, criado de novo, vital e instantâneo.


(trechos de Shinjin Gakudo - trad. Coen Sensei.do)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mensagem da Monja Coen sobre o Japão de agora

 

Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.
Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.
Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?
Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.
Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.
Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.
Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem.
Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.
O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.
Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.
Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que "somos um só povo e um só país".
Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.
Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.
Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.
Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.
Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho)
Monja Coen

Publicado no blog Jojoscope

sexta-feira, 1 de abril de 2011


Pedido de doação às vítimas do tsunami


            Diante da situação ocorrida no Japão, quando das ondas gigantescas vindas do Pacífico – Tsunami – que atingiram toda a costa nordeste do país, e em seu poder de destruição ceifou  a vida de em torno de dez mil almas, além de outros tantos desaparecidos, destruiu casas, plantações e toda infra-estrutura local, calamidade esta em que os sobreviventes  tentam a duras penas refazer-se, toda ajuda humanitária vinda de qualquer parte do mundo é apreciada neste momento.
            Ainda que aquele povo, acostumado às catástrofes provocadas pela natureza, encontre forças para reerguerem-se, um fato notório, necessitam do apoio de outros povos, culturas diferentes, que possam juntar forças em prol do bem estar daqueles que sofrem as dores da destruição.
            Nesse sentido, pedimos que também possamos nos unir nesta corrente de ajuda mútua, compartilhando um sentimento comum no reparo material e emocional dos que foram diretamente afetados pelos acontecimentos. Do pouco que possamos fazer, em muito será de validade para as vítimas. Sendo assim, se a ajuda humanitária é de ordem material, possamos nos disponibilizar a doar algum valor em moeda corrente.
            Se esta mensagem teve a capacidade de sensibilizar os corações puros e despojados, pedimos que as doações sejam endereçadas à Missão da Escola Soto Zen da América do Sul. Fica em anexo ao Templo Busshinji, a rua São Joaquim, 285, Bairro da Liberdade, São Paulo, SP; fone (011) 3208-4515.



Gomunidade Budista Soto Zenshu da América do Sul
CNPJ:44.019.859/0001-18
Banco do Brasil
Agência :4054-1 Xavier do Toledo
Conta Corrente:12000-

*Por favor enviar o comprovante do depósito Fax ou E-mail
FAX:(11)3208-0418    E-mail Busshinji_sp@hotmail.co.jp



Superintendente da América do Sul
Superior Dosho Saikawa


Combatendo a resistência

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