sexta-feira, 27 de maio de 2011

Aceita as críticas e sujeita-te às calúnias dos outros. Eles acabam se cansando por quererem incendiar o céu com uma tocha. Quando tu os escutas, é como se bebesses um doce néctar. Ele se dissolve instantaneamente e ingressa no mistério.

Se as pessoas o criticam, não preciso se zangar. Deixe passar. Budha foi muito criticado.

Um dia, um brâmane sentou-se diante dele e atacou-o abertamente. Budha não ze zangou, esperou que o brâmane  terminasse seu discurso e disse: "Terminou as suas críticas?" "Sim, terminei." "Então pode levá-las com você porque eu não preciso delas." Se você aceitar as críticas dessa forma, elas irão desparecer por si mesmas.

Se, pelo contrário, você se enraivecer, você as atiçará. Se você as deixar passar, elas desabarão, pois é como querer incendiar o céu com uma pequena chama.

Você não deve entrar em movimento pela ação da crítica nem do louvor.

A crítica dos outros pode ser útil. Nesse sentido, o poema diz que ela é como um néctar.

O último verso: "Este néctar se dissolve instantaneamente e ingressa no mistério", significa que o ego penetra a verdade cósmica e que a verdade cósmica penetra o ego.

Em japonês: Nyu-ga ga-nyu.

A verdade cósmica entra no ego; o sistema cósmico segue o ego, o ego entra na verdade cósmica; o ego segue o sistema cósmico.

Se você receber críticas das pessoas, essas pessoas entram em você; então, o adversário desaparece, e ninguém mais critica.

Não é necessário, então, pensar de um ponto de vista relativo.

(Shodoka - O canto do Satori imediato - O texto sagrado essencial do Zen. Tradução e comentários do Mestre Taisen Deshimaru Roshi - Ed. Pensamento - 1978, p.86-87)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Os Preceitos de Bodisatva

Os Três Preceitos Puros são:

Evitar o mal.
Fazer o bem.
Fazer o bem aos outros.


"Evitar o mal" enfatiza não contribuir para o aumento da delusão no mundo, sendo essencialmente uma forma passiva de olhar a vida. Por contraste, "Fazer o bem" enfatiza agir para o aumento da clarificação espiritual no mundo, sendo, por isso, uma forma mais ativa de ver a vida. "Fazer o bem" enfoca o que podemos fazer para melhorar nossa própria situação. "Fazer o bem aos outros" aciona todas as esferas aparentemente externas a nós mesmos. O primeiro e o segundo Preceitos Puros lidam conosco e o terceiro com os outros.

Quando falamos do ponto de vista intrínseco, onde não há separação entre o eu e o outro, os três preceitos se fundem.

Toda a ação que fazemos pode ser encarada do ponto de vista dos Três Preceitos Puros. Sempre podemos nos perguntar: o que estou fazendo, exatamente agora, é mau ou me torna uma pessoa mais deludida? O que estou fazendo, neste exato instante, melhora minha situação ou me traz o bem? O que estou fazendo agora é bom para os outros? "Evitar o mal" me diz para não fazer nada que possa vir a tornar a situação mais deludida. O que estou fazendo me ajuda a entender o significado da vida? Essa questão se origina do ponto de vista do "Fazer o bem." O que estou fazendo ajuda as pessoas a entenderem o significado da vida? Essa questão se origina do ponto de vista do "Fazer o bem aos outros."

Vamos dar uma olhada na atividade da meditação Zen (Zazen) em termos dos Três Preceitos Puros. Quando a vemos como um tempo que nos damos do estresse da vida diária, nós a consideramos em termos de "Evitar o Mal". Quando a encaramos como uma terapia individual - para encontrar paz de espírito, tranquilidade, descanso, etc. - nós a encaramos em termos de "Fazer o Bem".

Entretando, é no "Fazer o bem aos outros" que reside a maior importância do Zazen porque este progressivamente quebra a distinção entre o eu e o outro. Trata-se de uma fonte de energia poderosa e irrestrita que flui de forma natural e se estende infinitamente a todo o universo. Não se pode tentar pará-la porque, se o fizermos, não se tratará  mais de prática Zen, já que o Zen equivale a toda a vida. Aquelas pessoas que buscam no Zen algum tipo de santuário estão implicitamente rejeitando a vida inteira e se contentando com apenas uma parte dela onde possam se sentir à vontade. Temos que ser o Bodisatva "praticando em profunda prajnaparamita", o que significa abandonar qualquer fantasia de descanso. Quando fazemos Zazen nos tornamos conscientes de um centro sem forma - como o olho de um furacão - que é extremamente calmo e, ao mesmo tempo, um redemoinho de tremenda atividade abrangendo tudo. A energia do Zazen naturalmente nos leva além dos preceitos "Evitar o mal " e "Fazer o bem", ambos restritos à esfera do eu, para a esfera do "Fazer o bem aos outros".

(Os Preceitos de Bodisatva - Perspectivas literal, subjetiva e intrínseca, Glassman, Bernard (Bernard Tetsugen. In: Infinite Circle in Zen/Bernie Glassman. Tradução de Gozen Míriam Martinho. Boston Massachussets: Shambala Publications, Inc., 2002, p. 109-117.) 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

ZEN DA PAZ
Prática do silêncio



Dia 21 de maio de 2011 - Sábado
Das 7h00 às 11h15
Centro Cultural Brasília - 602 Norte - ao lado do Serpro

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Seja Buda, Buda sentado, Buda em pé, Buda deitado. Em qualquer posição mantenha este ser iluminado vivo em você. Não sente de qualquer jeito. Não coma de qualquer jeito. Não durma de qualquer jeito. Mas tenha a presença absoluta, tenha consciência de seu corpo. Seja presente.
É preciso começar a andar com dignidade, dignidade de seres iluminados.
Monja Coen
Extraído de “Palestra do Darma” na Comunidade Zen Budista – 22/02/2011
 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Maka Hannya Haramita Shingyo

Sutra do Coração da Grande Sabedoria Completa
Quando kanzeon bodisatva praticava
Em profunda sabedoria completa
Claramente observou
O vazio dos cinco agregados
Assim se libertando
De todas tristezas e sofrimentos.
Oh! Sariputra!
Forma não é mais que vazio.
Vazio não é mais que forma.
Forma é extamente vazio.
Vazio é exatamente forma.

Sensação, conceituação, diferenciação, conhecimento
Assim também o são.
Oh! Sariputra!
Todos os fenômenos são vazio-forma,
Não nascidos, não mortos,
Não puros, não impuros,
Não perdidos, não encontrados
Assim é tudo dentro do vazio.
Sem forma, sem sensação,
Conceituação, diferenciação, conhecimento;
Sem olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, mente,
Sem cor, som, cheiro, sabor, tato, fenômeno.
Sem mundo de visão, sem mundo de consciência,
Sem ignorância, sem fim à ignorância,
Sem velhice e morte e sem fim à velhice e morte.
Sem sofrimento, sem causa, sem extinção e sem caminho.
Sem sabedoria e sem ganho.
Sem nenhum ganho.
Bodisatva
Devido à sabedoria completa.
Coração-mente sem obstáculos.
Sem obstáculos, logo sem medo.
Distante de todas delusões,
Isto é nirvana.
Todos Budas dos três mundos
Devido à sabedoria completa
Obtém anokutara san myaku san bodai.
Saiba que sabedoria completa
É expressão de grande divindade,
Expressão de grande claridade,
Expressão insuperável,
Expressão inigualável,
Com capacidade de remover
Todo o sofrimento.
Isto é verdade, não é mentira!
Assim, invoque e expresse a sabedoria completa,
Invoque e repita:
Gya-tei gya-tei
Ha-ra gya-tei
Hara so gya-tei
Bo-ji-sowa-ka
Sutra do coração da grande sabedoria completa
(site monja Coen Sensei - textos tradicionais)

Combatendo a resistência

Um profissional Certa vez, alguém perguntou a Somerset Maugham se ele  escrevia segundo um horário ou somente quando lhe vinha a  ins...