terça-feira, 28 de junho de 2011

PALAVRAS DO DHARMA

As palavras permitem inúmeras possibilidades.
Muitas vezes nós não prestamos atenção às palavras. Nós as usamos, sem refletirmos sobre seu significado.
Proponho a vocês que prestem atenção, um pouquinho que seja, nas palavras que circulam sua mente, sua boca, seus ouvidos, sua vida.
Palavras para se comunicar externa e internamente.
Ouça seu diálogo interior, ou a multidão de vozes em você.
Ouça como você fala em seu processo mental: você fala em que línguas? As palavras que você usa, as instruções, as idéias, os conceitos, de onde vieram? Para onde vão? São palavras de ternura ou de rancor?  De compreensão ou de reclamação? Você resmunga muito?
Vamos observar essas palavras todas que nos cercam e vamos escolher palavras boas.
Ao mudar as palavras, mudamos as frases, mudamos os pensamentos, mudamos a nós e mudamos a vida dos céus, das terras, dos mares, das águas, das matas, dos ventos, dos ares.
Monja Coen
Extraído de “Palestra do Dharma” na Comunidade Zen Budista – 22/02/2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

Eu sei que há um coração interior, e, se meu coração interior não funcionar, eu morrerei em seguida. Desta forma, tento fazer tudo que eu posso para proteger e preservar meu coração. Mas quando eu olho para o sol vermelho, e inspiro e expiro, vejo que o sol é um outro coração meu. Se o sol parar de funcionar, eu morrerei em seguida. É por esta razão que considero o sol como meu coração. Quando você pratica desta forma, você se vê como não limitado pela pele de seu corpo. Vê que o ambiente é você. Cuidar do ambiente é cuidar de você mesmo.

(Thich Nhat Hanh - Corpo e Mente em Harmonia - andando rumo à iluminação - pg. 111 - Ed. Vozes)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

DO DRAMA AO NÃO-DRAMA

Na prática zen nós saímos de uma vida dramática, espécie  de novela das 20h, para uma vida não-dramática. A despeito do que possamos dizer, todos nós gostamos muito de nossos dramas pessoais. A razão para tanto? Seja qual for o nosso drama particular, sempre estamos no papel principal que é onde nós queremos estar. E, pela prática, nós gradualmente nos deslocamos para longe dessa preocupação com nós mesmos. Assim, sair de uma vida dramática para uma vida não-dramática, embora possa parecer sem nenhum atrativo, é do que trata a prática zen.

Examinemos isso de perto.

Quando começamos a praticar, é bom começar respirando algumas vezes bem fundo, enchendo a cavidade abdominal, o meio do peito e embaixo dos ombros, até estarmos repletos de ar; depois, soltamos o ar, interrompendo a expiração um instante. Faça isso três ou quatro vezes. Em certo sentido, é artificial, mas ajuda a criar um certo equilíbrio e forma uma base conveniente para se sentar e praticar. Depois de termos feito isso, o passo seguinte é esquecer exatamente isso, esquecer de controlar a respiração. Não o esqueceremos por completo, é claro, mas é inútil controlar a respiração. Em vez disso, apenas vivencie esse processo, o que é muito diferente. Não estamos tentanto fazer uma respiração lenta, longa e regular, como muitos livros sugerem. Em lugar disso, o que queremos é deixar que o ar seja o comandante, para que a respiração esteja nos respirando. Se a respiração for superficial, que seja assim. Quando nos tornamos a nossa respiração, por sua própria pulsação a respiração se torna mais lenta. A respiração permanece superficial porque queremos pensar em vez de vivenciar a nossa vida. Quando fazemos isso, tudo se torna mais superficial e controlado. A palavra retesado é bastante sugestiva: descreve como subimos para a cabeça, a garganta, os ombros e lá nos tensionamos; estamos com muito medo e nossa respiração também fica alta. Uma respiração que consegue ser abdominal, como tende a ocorrer após anos de prática, é aquela que vem quando a mente perdeu as esperanças. Tudo aquilo pelo que esperamos é do que lentamente aprendemos a desistir e, então, a respiração desce. Não é algo que precisamos tentar fazer. A prática consiste em vivenciarmos a respiração como ela é.

(Charlotte Joko Beck - Nada de Especial  - Vivendo Zen, Ed. Saraiva 1ª Ed. 1994)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Estudar a si mesmo

"Não se trata de ter um profundo sentimento acerca do budismo; simplesmente fazemos o que deve ser feito, tal como jantar e ir para a cama. Budismo é isso."

O propósito do estudo do budismo não é estudar budismo, mas estudar a nós mesmos. É impossível estudar a nós mesmos sem algum ensinamento. Para saber o que é a água, você precisa da ciência, e o cientista, de um laboratório. No laboratório há vários meios de estudar o que é a água. Assim, torna-se possível saber os elementos que ela contém, quais as diferentes formas que assume e qual sua natureza. Contudo, é impossível saber por esse meio o que é a água em si. Acontece o mesmo conosco. Precisamos de algumas instruções, mas só pelo estudo do que foi ensinado não é possível saber o que "eu" sou em mim mesmo. Através do ensino podemos compreender nossa natureza humana. Porém os ensinamentos não são nós mesmos: são uma explicação sobre nós. Portanto, se você se apegar ao ensinamento ou ao mestre, cairá em um grande erro. Quando encontrar um mestre deve "deixá-lo" e ser independente. Você tem necessidade de mestre para tornar-se independente. Se não se apegar a ele, o mestre lhe mostrará o caminho em direção a você mesmo, e você terá um mestre por você e não por ele. (...) Nós estudamos para nos tornarmos independentes. Como os cientistas, temos que dispor de meios para estudar. Precisamos de um professor porque é impossível  estudar a si mesmo por conta própria. Mas não se engane, não tome para si próprio aquilo que aprendeu do mestre. O estudo que você faz com seu mestre é parte de sua vida diária, parte de uma atividade incessante. Neste sentido, não há diferença entre a prática e a atividade da sua vida diária. Portanto, encontrar o sentido de sua vida no zendô é encontrar o sentido de sua atividade cotidiana. Pratica-se zazen para tomar consciência do sentido da vida.
(Shunryu Suzuki -  Mente Zen, mente de principiante - pg. 72-73- Palas Athena)

Combatendo a resistência

Um profissional Certa vez, alguém perguntou a Somerset Maugham se ele  escrevia segundo um horário ou somente quando lhe vinha a  ins...