domingo, 25 de março de 2012

Não deveis praticar o ensinamento de Buda com a idéia de ganho

A prática do ensinamento de Buda é sempre realizada através do recebimento das instruções essenciais de um mestre, não seguindo vossas próprias idéias. De fato, o ensinamento de Buda não pode ser atingido tendo-se ou não idéias. Somente quando a mente da prática pura coincidir com o caminho, corpo e mente se acalmarão. Se corpo e alma não estiverem ainda calmos, não se sentirão à vontade. Quando corpo e mente não estão à vontade, nascem espinhos na senda da percepção.

Para que a prática pura e o caminho coindicam , como devemos proceder? Procedei com a mente que nem segura nem rejeita, a mente despreocupada com nome ou ganho. Não pratiqueis o darma-de-buda com o pensamento de que é para beneficiar os demais.

As pessoas, no mundo atual, mesmo as que praticam o darma-de-buda, têm uma mente que está muito distante do caminho. Elas praticam o que outros louvam e admiram, embora saibam que isso não harmoniza com o caminho. Elas rejeitam e não praticam o que os outros deixam de honrar e louvar, embora saibam que esse é o verdadeiro caminho. Que doloroso! Deveis tentar aquietar vossa mente e investigar se essas atitudes são o darma-de-buda ou não. Podeis vos envergonhar totalmente. O olho do sábio a isso ilumina.

Estudantes! Não pratiqueis o darma-de-buda em proveito próprio. Não pratiqueis o darma-de-buda pelo nome e ganho. Não pratiqueis o darma-de-buda para atingir uma recompensa ditosa. Não pratiqueis o darma-de-buda para obter efeitos miraculosos. Praticai o darma-de-buda unicamente pelo bem do darma-de-buda. Este é o caminho.

(Gakudo Yojin-Shu, Dogen Zenji - Escritos de Mestre Dogen organizado por Kazuaki Tanahashi)

quinta-feira, 22 de março de 2012

CAMINHADA ZEN


 

Respire por você e respire pelo mundo



CAMINHADA  ZEN
Parque Olhos D'água - Asa Norte
Domingo (25/03/2012), às 10h30

segunda-feira, 19 de março de 2012

O zazen



Não se concentre em nada em particular, nem tente controlar seus pensamentos. Deixe-os ir e vir livremente - sem apego nem aversão, entregando-se ao momento presente.
    
Em zazen, o corpo, a respiração e a mente devem estar unidos., formando a unidade que são. Nossa tendência é considerá-los separados. Experimente sentir a unidade. Mantendo a postura correta, a respiração se estabalilizará e sua mente ficará naturalmente tranquila - ou não. Observe.
    
 Mantenha-se imóvel durante todo o período, que pode ser de 20 a 50 minutos, dependendo do local de prática. Se sentir alguma dor, verifique se sua postura está correta. Se necessário, faça pequenos ajustes. Mas não fique se movendo muito ou tentanto levantar os joelhos do chão. Pelo contrário. Procure relaxar no local da dor e pressionar os joelhos contra o chão, mantendo o alongamento da coluna. O corpo é sabedoria. Confie.
  
Se a dor persistir, sinta a dor. Ele tem cor, sabor, textura? Qual o ponto principal? Onde começa? É possível enviar oxigênio para a dor? Há momentos em que é possível esquecer-se da dor. Em outros momentos, ela parece ser tudo o que está acontecendo. Torne-se a dor e uma mudança acontecerá. Não haverá mais dualidade.

Pequenos desconfortos posturais são comuns no início da prática. Sinta-os. Não fuja deles se movendo. Não desista. O corpo se adapta e pode encontrar grande conforto ao se entregar à postura correta. Entretanto, esteja atento e também não se force a suportar dores que são fruto de lesões anteriores ao zazen. Nada é obstáculo à prática. Pelo contrário. O que estiver ocorrendo é o zazen.

Pensar, não pensar, além do pensar e do não pensar. Apenas sentar-se (shikantaza), e a grande realização dos Budas Ancestrais estará a seu dispor. Aprecie o silêncio da mente e deixe que o zazen faça zazen. Não é fechar a porta dos sentidos, mas é ceder, entregar-se, sem resistência. É desprender-se da intenção e do seu próprio eu para tornar-se a vida da Terra.

"Eu, a grande Terra e todos os seres, juntos, simultaneamente, nos tornamos o Caminho." (Sidarta Gautama, no momento de sua iluminação, quando se torna Zaquiamuni Buda).

(Zazen a prática essencial do zen, Comunidade Zen Budista Zendo Brasil)

    

terça-feira, 13 de março de 2012

O conhecimento

A coisa mais importante transmitida de geração em geração pelos budas e antepassados é a característica do conhecimento. Não se trata de um conhecimento devido ao fato de se estabelecerem relações entre um objeto e outro, ou de se defrontar com o mundo exterior. Esse conhecimento é sutil e inconcebível; portanto, rigorosamente falando, não há palavras adequadas para expressá-lo. Não se trata de algo que possamos experimentar mediante a discriminação, porque esse conhecimento nos chega sem a utilização de nossa força, de nosso poder ou de qualquer técnica. Ele provém das profundezas da existência. É o conhecimento que não tem nenhuma lacuna entre o sujeito e o objeto. Conhecer é, exatamente, a ação dinâmica e real do conhecimento. O conhecimento real participa dele próprio, torna-se um consigo mesmo. Ele aceita a estrutura de seu ser e das outras coisas. O conhecimento não tem dúvidas. Ele é "exatamente assim mesmo"; do fundo de nosso coração, dizemos: "Sim". Esse conhecimento ou "exatamente assim mesmo" significa permitir a nós mesmos e aos outros seres sermos realmente como somos. Para fazer isso, precisamos participar do próprio conhecimento.

Em outras palavras, se quisermos saber quem somos, precisamos participar de nós mesmos. Isso é muito difícil. Parece que participamos de nós mesmos mas, embora digamos: "Sim, eu sei quem sou", esse "eu" não é o eu verdadeiro tal como ele é; ainda há uma pequena lacuna. O eu precisa participar do eu, exata e intimamente. O conhecimento real deve ser mais ou menos como usar lentes de contato. Se usamos lentes de contato ou óculos claros, às vezes nem mesmo percebemos que os estamos usando; mas, se estamos de óculos escuros, geralmente temos mais consciência de sua presença.

Quando o conhecimento é completamente assimilado em nossa vida, esse conhecimento torna-se iluminado. Iluminado significa que o conhecimento está atuando de um modo concreto em cada aspecto da vida humana. Dogen Zenji usa o termo "luz", e diz que ela significa a fusão do globo ocular com a pele do olho. É exatamente como as lentes de contato. Elas geralmente não incomodam os olhos; elas se encaixam exatamente neles. As lentes de contato unem-se ao seu globo ocular e são eficazes. Você não percebe a sua presença em seu globo ocular porque ele e as lentes atuam juntos, de maneira bastante suave. Assim é com o conhecimento, ou iluminação, ou luz.

(Retornando ao silêncio - a Prática do Zen na Vida Diária, Dainin Katagiri, Ed. Pensamento)

sábado, 3 de março de 2012

"QUANDO VOCÊ INSPIRAR, INSPIRE O UNIVERSO TODO.


QUANDO VOCÊ EXPIRAR, EXPIRE O UNIVERSO TODO.


DENTRO E FORA.


DENTRO E FORA.


POR FIM VOCÊ ESQUECE A DIVISÃO ENTRE INSPIRAR E EXPIRAR.


MESMO A RESPIRAÇÃO É TOTALMENTE ESQUECIDA.


VOCÊ SIMPLESMENTE SE SENTA COM A SENSAÇÃO DE UNIDADE"


(Maezumi Rôshi - em Zen Meditation in Plain English)

Combatendo a resistência

Um profissional Certa vez, alguém perguntou a Somerset Maugham se ele  escrevia segundo um horário ou somente quando lhe vinha a  ins...