segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fala correta - ação correta



"... Assim, eles unem os que estão divididos, e aos que estão unidos estimulam. A concordância os satisfaz; eles se aprazem e regozijam no acordo; e é esse acordo que espalham com suas palavras."

(Palavras de Xaquiamuni Buda sobre fala correta e ação correta)  - foto evento inter-religioso na Catedral da Sé, SP - 2012)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

D E S A R M A R




Como desarmar uma cidade, um estado, um país, uma nação e estender a alegria para toda a Criação? Caberia a quem pedir aos jovens que entregassem as armas e encontrassem caminhos de não-violência?

Na verdade, cabe a cada um de nós. Desarmar a mente e o coração. Desarmar a nós mesmos na maneira de falar: atacada, agressiva, violenta, metida. Desarmar na maneira de nos relacionarmos com o meio ambiente, com o lixo nas calçadas, com os bueiros entupidos, com a cidade violentada. Desarmar-se da maneira de pensar no outro como inimigo, seja pobre, seja rico.

Não há inimigos. A cidade é nossa casa. As pessoas compartilham das mesmas necessidades: ternura, pão, amizade, água.

Amor que pega de leve, envolvendo feito fumaça, mas não pode ser ciumento, guerreiro, matador, vingativo. Amor tem que ser bem doce. Tem sexo e reprodução. Tem vida em fermentação.

(Monja Coen - Sempre Zen - aprender, ensinar e ser)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Coração compassivo

Embora Sidarta fosse compassivo e gentil, também podia ser severo quando a ocasião assim requeresse. Uma pessoa que não pudesse ser auxiliada pelo Buda era alguém sem futuro. Certa vez, Svasti estava presente quando uma rápida, mais impressionante conversa ocorreu entre o Buda e um homem chamado Kesi, um bem-conhecido domador de cavalos.

O Buda perguntou a Kesi: "Você poderia, por favor, explicar-nos como doma seus cavalos?"

"Senhor, os cavalos tem diferentes temperamentos. Alguns são muito dóceis e podem ser domados com o uso de métodos gentis. Outros são ainda muito selvagens e requerem, unicamente, o uso de firme disciplina."

O Buda sorriu e disse: "O que você faz quando encontra um cavalo que não responde a qualquer destes métodos?"

"Senhor, nesta situação, é necessário matar o cavalo. Se for permitido que viva junto com os demais cavalos, ele os contaminará a todos. Senhor, de minha parte, gostaria de saber com o senhor treina seus discípulos."

O Buda sorriu. "Faço o mesmo que você. Alguns monges respondem somente à gentileza. Os requerem firmeza com gentileza. Outros só fazem progresso com disciplina severa."

"E o que o faz no caso de o monge não responder a nenhum dentre tais métodos?"

"Faço o mesmo que você. Eu o mato."

Os olhos do domador de cavalos se arregalaram. "O quê? Você o mata? Pensei que fosse contra matar."

O Buda explicou: "Não o mato no mesmo sentido com que você diz matar um cavalo. Quando uma pessoa não responde a qualquer destes três métodos recém-mencionados, nós recusamos que tal pessoa se junte à sangha dos bhikkhus. Não o aceito como meu aluno. Isso é um extremo infortúnio. Ter recusada a chance de praticar o Dharma na comunidade é perder uma vez em um milhar de vidas. O que significaria morrer para a vida espiritual. Não é lamentável apenas para a pessoa que foi recusada. É muito mais lamentável para mim, pois nutro grande amor e consideração por aquela pessoa. Jamais perco a esperança de que, um dia, aquela pessoa se abra para a prática e volte para nós."

(Velho Caminho, Nuvens Brancas - Seguindo as Pegadas do Buda - Thich Nhat Hanh)

Sesshin em Brasília

Arte: Hugo Pullen