terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Tranquilidade

Tranquilidade não significa inatividade. Em outras palavras, a tranquilidade não é  algo a que devemo nos agarrar, afastando-nos da sociedade humana; ela deve ser algo vivo em nossa vida. Se estamos completamente isolados da sociedade humana; seja onde for que possamos ir, nossa vida não se desenvolve. Ir viver no coração de uma montanha parece ser um modo de se obter a tranquilidade. Parece que lá podemos manipular nosso objeto, nossas circunstâncias, do modo que preferimos, mas, na verdade, não podemos fazer isso. Se a tranquilidade que temos não se manifesta em nossa vida diária, essa tranquilidade é isolada, é uma forma limitada de tranquilidade. Consequentemente, isso não nos permite compartilhá-la com as demais pessoas. Queremos apenas mantê-la conosco porque ela é agradável. Se permanecemos em casa, isso parece ser agradável porque ninguém nos perturba. Na verdade, isso se assemelha a uma rã que nada em um pequeno poço. Essa é a condição real da vida humana. Essa tranquilidade deve ser sustentada pelo incondicionado que significa a pureza, a alegria, a paz, o não-adulterado, e também a não regressão em nossa vida diária. Não-regressão - ou não retraimento - significa estabilidade perfeita ou segurança religiosa. Portanto, a tranquilidade deve ser sustentada pelo incondicionado, onde quer que estejamos.  Não devemos perder essa tranquilidade, mesmo no meio de um mundo humano miserável. Devemos nos manter tranquilos e compartilhar nossa vida com as pessoas.

(Retornando ao silêncio - Dainin Katagiri)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A situação humana

Há uma antiga história sobre um homem que foi ver o Buda porque ele, o homem, tinha ouvido falar que o Buda era um grande mestre. Como todos nós, ele tinha alguns problemas na vida, e achava que o Buda poderia ser capaz de ajudá-lo.

Ele disse ao Buda que era um fazendeiro. "Eu gosto de administrar fazendas", ele disse, "mas às vezes não chove o bastante, e minha colheita é escassa. no ano passado, quase rficamos na miséria. E às vezes chove muito, de modo que meus rendimentos não são o que eu gostaria que fossem".

O Buda escutou o homem pacientemente.

"Sou casado, também", disse o homem. "Ela é uma boa mulher... Eu a amo, de fato. Mas às vezes ela me apoquenta muito. E às vezes me canso dela." 

O Buda ouviu serenamente.

"Tenho filhos", disse o homem. "Filhos bons, também... mas às vezes eles não demonstram ter muito respeito por mim. E às vezes..."

O homem prosseguiu assim, relatando todas as suas dificuldades e preocupações. Finalmente, ele se acalmou e esperou que o Buda dissesse as palavras que haveriam de ajeitar as coisas para ele.

Em vez disso, o Buda disse: "Eu não posso ajudá-lo."

"O que quer dizer?", perguntou o homem, surpreso.

"Todos têm problemas", disse o Buda. "Na verdade, todos temos 83 problemas, cada um de nós. Oitenta e três problemas, e não há nada que você possa fazer sobre isso. Se você trabalhar duro em um deles, talvez você possa resolvê-lo - mas, se fizer isso, um outro surgirá no lugar dele. Por exemplo, você num período posterior da vida perderá seus entes queridos. E você mesmo morrerá um dia. Ora, há um problema, e não há nada que você, nem eu, nem ninguém mais possa fazer sobre isso."

O homem ficou furioso. "Pensei que o senhor fosse um grande mestre", ele gritou. "Achei que o senhor poderia me ajudar! De que serve a sua doutrina, então?

O Buda disse: "Bem, talvez ela o ajude com o problema de número 84."

"O problema de número 84?", indagou o homem. "Qual é ele?"

Disse o Buda:  "Você não quer ter nenhum tipo de problema."

(Budismo Claro e Simples - como estar sempre atento, neste exato momento, todos os dias - Steve Hagen)


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Orações Budistas





Alimentando a felicidade



Meus recursos para praticar são minha própria paz e alegria.
Eu prometo cultivá-las e nutri-las com mente alerta diária.
Aos meus ancestrais e família, gerações futuras
e a toda a humanidade, prometo praticar bem.

Sei que na minha sociedade há inúmeras pessoas sofrendo, 
afogadas no prazer sensual, inveja e ódio.
Estou decidido(a) a cuidar de minhas próprias formações mentais,
e aprender a escutar com atenção e de usar uma linguagem bondosa,
a fim de fomentar a comunicação e o entendimento
e ser capaz de aceitar e amar.

Praticando as ações de um bodhisattva,
prometo olhar com olhos de amor e coração de compreensão.
Prometo ouvir com mente esclarecida e ouvidos de compaixão,
levando paz e alegria para a vida das outras pessoas,
iluminando e aliviando o sofrimento dos seres vivos.

Estou ciente de que a ignorância e as percepções erradas 
podem transformar este mundo num inferno abrasador.
Prometo trilhar sempre a caminho da transformação,
produzindo compreensão e gentileza amorosa.
Quero ser capaz de cultivar um jardim de consciência desperta.

Embora haja nascimento, doença, velhice e morte,
nada mais preciso temer, já tenho agora um caminho de prática.
É grande felicidade viver em estabilidade e liberdade,
tomar parte no trabalho de aliviar o sofrimento alheio,
o modo de vida de budas e bodhisattvas.
Em cada momento fico repleto de profunda gratidão.


Nenhuma vinda, nenhuma ida

Este corpo não sou eu.
Não estou preso neste corpo.
Sou vida sem limite.

Jamais nasci e jamais vou morrer.
Olho para o mar e para o céu cheio de estrelas,
manifestações de minha maravilhosa mente verdadeira.

Desde o tempo sem começo, sempre fui livre.
O nascimento e a morte são meras portas pelas quais passamos,
limiares sagrados em nossa caminhada.
Nascimento e morte são um jogo de esconde-esconde.

Então sorria comigo.
Segure minha mão,
vamos dizer até logo, para encontrar-nos novamente.

Nós nos encontramos hoje,
vamos encontrar-nos amanhã,
nós nos encontramos na fonte em cada momento,
nós nos encontramos em todas as formas de vida.

(Thich Nhât Hanh - A energia da oração - Vozes)



quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Zazen







Retornaremos à prática de zazen
 Dia 07 de janeiro de 2013 (segunda-feira)
 às 19h30


Compareçam!!

O ser do tempo (UJI)

Não penseis que o tempo apenas foge. Não vejais fugir como a única função do tempo. Se o tempo apenas fugisse, estaríeis separados do tempo. A razão pela qual não entendeis claramente o ser-do-tempo é que pensais no tempo apenas como passando.

Em essência, as coisas todas, no mundo inteiro, estão ligadas umas às outras como momentos. Porque todos os momentos são o ser-do-tempo, eles são vosso ser-do-tempo.

O ser-do-tempo tem a qualidade de fluir. O que se chama hoje flui para o amanhã, o hoje flui para o ontem, o ontem flui para o hoje. E o hoje flui para o hoje, o amanhã para o amanhã.

Porque o fluir é uma qualidade do tempo, os momentos do passado e do presente não se sobrepõem nem se alinham lado a lado.

(A lua numa gota de orvalho - escritos de mestre Dogen - organizado por Kazuaki Tanahashi)


Sesshin em Brasília

Arte: Hugo Pullen