sábado, 20 de dezembro de 2014

Agradecimento

Pantanal/MT - foto: Araquém Alcântara

Agradecemos a todos que visitam 
diariamente nosso blog.

Agradecemos!

Que as postagens, mensagens dos mestres, mestras, as fotos, vídeos, tenham chegado diretamente ao coração e mente de cada um!

Que possamos despertar a cada ação, conscientes da grandeza da vida.

Sigamos suavemente!

Gassho

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Atenção plena



Povo Kayapó/PA - foto Alice Kohler


Um dos temas principais do meu professor, durante toda a sua carreira, era a prática dedicada. Ouvi-o falar sobre isso muitas e muitas vezes. Levou tempo para eu compreender que ele estava falando sobre este momento presente - não apenas zazen (meditação sentada), mas a prática que é nossa vida inteira. Em outras palavras, precisamos viver nossas vidas com dedicação, com nossos olhos abertos. Ou, como disse Thoreau, precisamos viver nossa vida deliberadamente.

Katagiri Roshi costumava dizer que o Zen não era nem zero nem cem por cento. Em outras palavras, seja o que for que fizer, faça-o com dedicação ou simplesmente não o faça. Não entre em nenhuma atividade com uma mente pela metade. O que quer que faça precisa ser totalmente expresso dentro de você e na sua vida, ou não feito de forma alguma.

(O Budismo não é o que você pensa - Steve Hagen)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Dezembro

Foto: Ricardo Takamura


É preciso usar a energia deste mês para cuidar e exigir cuidado, com ternura. Só assim as festas serão, de fato, boas.


Há um clima de festa e de animação.

Há um clima de fim de ano.

Há um clima de estresse e confusão.

O último mês do ano parece mexer com todos nós. Muita gente nas ruas, trânsito pesado, compras, 13º salário, helicópteros sobrevoam as grandes cidades.

Há nevascas no Hemisfério Norte, há enxurradas, enchentes e secas no Hemisfério Sul.

Parece que toda a Terra estremece.

Entretanto, isso acontece apenas na camada mais superficial. Estaria a pele separada da carne, dos ossos e da medula? Intersendo.

Esta camada onde nós, seres humanos, habitamos é a Terra. A Terra imensa, profunda, intensa, viva, respondendo a tudo que nela se passa, inclusive esta camada resfriada onde compartilhamos a vida com outras formas de vida.

Será possível viver sem água, sem sal?

Viver sem vegetais, minerais, animais?

Viver sem ar, sem solo fértil, sem insetos polinizadores?

Somos a vida da Terra.

Cada um, cada uma de nós é não apenas a vida da Terra, mas a vida do cosmos. Se não houver harmonia cósmica, não existimos.

A isso Buda chamava Natureza-Buda.

Natureza Buda é Natureza Iluminada, onde tudo está incluído e nada falta. Nada falta. É assim como é. E está em movimento constante como cada um, cada uma de nós, cada próton, elétron, nêutron. Dança incessante.

O que fazemos, falamos, pensamos é resultado de nossa genética (nossas heranças cromossômicas — seria isso o que os antigos chamavam de vidas anteriores?) e das experiências que passamos durante todo o processo de nossa formação como seres humanos. Desde a maneira como fomos concebidos/as, como estivemos (amados/as ou não) no útero materno, quais as experiências da infância e assim por diante.

Dizem os neurocientistas que 95% da maneira como respondemos à realidade são pré-determinados. Mas há 5% maravilhosamente surpreendentes e indeterminados. Cinco por cento de livre escolha, de surpreendentes respostas (e não reações).

Podemos facilitar mudanças extraordinárias com esses cinco por cento.

Podemos escolher o nobre silêncio à falação insensata. Podemos escolher o contentamento invés do resmungo, da reclamação constante. Podemos meditar e orar invés de nos armarmos e guerrearmos.

Fim de ano é época de reflexão.

Como podemos nos tornar instrumentos de construção de uma Cultura de Paz? Como podemos nos tornar um átomo de paz na Terra?

Observe seus pensamentos, seus pontos de vista, sua interpretação dos acontecimentos nacionais e internacionais. Você é capaz de perceber as intenções até mesmo na escolha das matérias que a mídia (nacional e internacional) seleciona para a humanidade?

Você é capaz de cultivar sentimentos de ternura e respeito a todas as formas de vida, a todas as opções espirituais, a todas as formas de fé e de ateísmo?

Estamos todos e todas interligados, e nossos pensamentos geram pensamentos — individuais e coletivos. Vamos usar a energia deste mês de dezembro para rever valores e atores. Cuidar e exigir cuidado, com ternura, com afeto, com brandura.

A transformação é incessante. Podemos apenas direcioná-la. Que tal direcionar para o bem de todos os seres?

Só assim as festas poderão ser boas.


(Monja Coen Roshi - Jornal O Globo)






quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Armadilhas do ego

Índios Assurini/PA - foto: Alice Kohler

"Se você acha que é mais “espiritual” andar de bicicleta ou usar transporte público para se locomover, tudo bem, mas se você julgar qualquer outra pessoa que dirige um carro, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” não ver televisão porque mexe com o seu cérebro, tudo bem, mas se julgar aqueles que ainda assistem, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” evitar saber de fofocas ou noticias da mídia , mas se encontra julgando aqueles que leem essas coisas, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” fazer Yoga, se tornar vegano, comprar só comidas orgânicas, comprar cristais, praticar reiki, meditar, usar roupas “hippies”, visitar templos e ler livros sobre iluminação espiritual, mas julgar qualquer pessoa que não faça isso, então você está preso em uma armadilha do ego. Sempre esteja consciente ao se sentir superior. A noção de que você é superior é a maior indicação de que você está em uma armadilha egóica. O ego adora entrar pela porta de trás. Ele vai pegar uma ideia nobre, como começar yoga e, então, distorce-la para servir o seu objetivo ao fazer você se sentir superior aos outros; você começará a menosprezar aqueles que não estão seguindo o seu “caminho espiritual certo”. Superioridade, julgamento e condenação. Essas são armadilhas do ego." ✦# Mooji

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Atividades Zendo Brasília



Zendo Brasília - foto: Mauro de Araújo Nogueira


Olá, praticantes e simpatizantes Zen,

Não haverá prática de zazen no Zendo Brasília, de 30 de novembro (domingo) a 09 de dezembro (terça-feira). 

Estaremos em São Paulo no Rohatsu Sesshin (retiro de iluminação de Buda).

Retorno das atividades em 10 de dezembro (quarta-feira) às 19h30.

Gassho


 Aida Kakuzen

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Mooji - Um mestre Advaita



foto: Dokushô Villalba


Nós compramos a melhor cama para nos ajudar a esquecer tudo e, assim, retornarmos ao nosso ser não-dual, além do tempo, mudança e identidade, além da experiência.

Além de todas as categorias, existe apenas o Ser não-dual.

Assim que a luz da percepção se vai dissipando, Aquilo que permanece nunca pode ir.

Não é nem fora nem dentro
Ele está além de localização e não pode ser conhecido fenomenalmente.

E, no entanto, paradoxalmente, é conhecido com a verdadeira mente.

Aquilo que está lá no sono profundo está agora aqui também. Bem no meio do estado de vigília e suas atividades, encontra-se uma quietude que é imutável. A dualidade funciona na sua presença, mas ele próprio não é um funcionamento. Ele simplesmente é.

Saiba que Isto é o seu Ser real.

(Mooji)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Comunhão Espiritual

Baia da Ilha Grande/RJ - foto: Ricardo Takamura


É preciso abrir os portais de percepção e trabalhar pelo bem de um Eu maior

Os textos dos ensinamentos antigos de Buda dizem que para conhecermos nossa natureza verdadeira é necessário que mantenhamos uma comunhão espiritual com todos os Budas.

Há inúmeros Budas — tantos quanto grãos de areia. Cada ser humano que desperta, que se percebe interligado a tudo e a todos, cada pessoa que, com visão clara, límpida, iluminada, age, pensa e fala para o bem de todos os seres — este é um Buda. Mas cuidado. Nossa mente pode nos enganar, nos iludir, e, acreditando na ilusão, nos tornamos criaturas que fazem, falam e pensam de forma errônea acreditando ser o bem.

Budas são pessoas que através da prática incessante reconhecem sua natureza Buda. Pessoas que se questionam, que procuram, que encontram e ainda assim continuam a procurar.

Praticar Buda é estar em contato com sua própria essência verdadeira, que é a mesma de tudo que existe. É um observar profundo e de longo alcance, capaz de ver os lamentos do mundo e atender os pedidos verdadeiros.

Natureza Buda, natureza iluminada, não é algo místico, intelectualmente conceituado. São portas, janelas, paredes, grama, plantas, solo, água, vento e ar. São animais e pássaros. Seres humanos e gotas de chuva.

É se reconhecer presente em toda parte, em cada partícula. Cada criatura é o todo manifesto. Não somos parte de, somos o todo, o multiverso em sua harmonia. Sem dentro nem fora. Entrar em contato com a natureza Buda é o que nos dá verdadeira alegria e contentamento.

Comunhão espiritual é tornar-se uno, una, com todos os Budas e perceber que todos os Budas comungam com todos os seres. Não estamos separados. Sentamo-nos na mesma mesa com os seres sábios, mantemos os mesmos hábitos, o pensar luminoso e claro, a ação e a palavra que conduzem à harmonia e ao bem geral.

Entretanto, se não houver a procura não haverá o encontro, não haverá a comunhão. É preciso esforço correto, prática correta, pensamento correto, ação correta, concentração correta e meditação correta.

Na verdade estamos — tudo e todos — sempre dentro da pupila do olho de Gautama Buda (o Buda histórico, também conhecido como Xaquiamuni Buda, que viveu há mais de 2.600 anos). Somos essa pupila. Toda a terra e todos os seres do multiverso estamos assim interligados através de uma rede de interdependência. Nada existe por si só.

Como, então, pode haver inimigos?

Como, então, pode haver guerras, invasões, insultos, agressões?

Como, então, pode haver assassinatos, crimes, drogas, acusações falsas, corrupção?

Nos jornais internacionais reconheço os problemas nacionais — tão semelhantes.

Posição e oposição formam um par, como o pé da frente e de trás ao andar?

Pode haver oposição sem posição?

Comunhão espiritual é abrir os portais de percepção e comungar — receber em você, tornar-se um com Budas, com seres iluminados, seres plenos de sabedoria e compaixão. Quando assim fazemos, nos tornamos hábeis em confraternizar, em trabalhar pelo bem de um Eu maior do que nossos pequeninos eus. Podemos discordar, mas sabemos dialogar e construir uma cultura de paz e de não violência. É possível. Há muitas pessoas tecendo essa tapeçaria. Junte-se aos que se libertam da dualidade e penetram a sacralidade.

(texto da monja Coen - publicado no jornal O Globo, 13/11/2014)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Darma que ofereço tem a prática da não prática, a ação da não ação



Pai levando filho para escola - rio Tapajós - foto Alice Kohler


Nós pensamos que ação e não ação são duas coisas diferentes. Quando dizemos: “Não fique apenas sentado, faça algo!”, estamos instando as pessoas a agirem, mas, se alguém está num estado deplorável, se não tem paz suficiente, entendimento suficiente, inclusividade suficiente, se ainda tem muita raiva e medo, então, não apenas suas ações não terão valor como podem, até mesmo, ser prejudiciais. A qualidade da nossa ação depende da qualidade do nosso ser: a ação hábil surge da base do ser; e ser é não ação. Assim, a calma, a mente atenta, a qualidade totalmente presente do nosso ser, a qualidade de nossa não ação, já é um tipo de “ação” neste sentido.

Há aqueles, entre nós, que parecem não fazer muito, mas sua presença é praticamente crucial para o bem-estar da situação imediata em si mesma assim como para todo o mundo. Talvez haja alguém, numa família, que não esteja o tempo todo ocupado, que não ganhe muito dinheiro, mas cuja ausência, ainda assim, seria muito problemática para a família, pois aquela possa contribui com a sua não ação, com a qualidade do seu ser. Imagine uma embarcação de refugiados apanhados numa tempestade em alto-mar. Se todos entrassem em pânico, começariam a pular e correr de um lado par o outro, apressada e amedrontadamente, podendo desestabilizar o barco e, até mesmo, causar seu naufrágio. Se houvesse, porém, uma única pessoa que mantivesse a calma e que, com sua equanimidade, dissesse: “Queridos amigos, permaneçam onde estão e fiquem sentados quietos”, tal pessoa poderia salvar o grupo todo. Mesmo que não “fizesse nada”, apenas mantivesse a calma e ajudasse os demais a recobrarem a sua, dessa maneira, uma catástrofe seria evitada. Isto é hábil não ação, a qualidade do ser, a base de toda boa ação.

(Thich Nhat Hanh - Ação Pacífica, Coração Aberto - As lições do Sutra do Lótus)

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

PAZ


foto: cristais de gelo por Alexey Kljatov

Uma das coisas que aprendemos com a meditação, quando descemos lentamente dentro de nós mesmos, é que a noção de paz já existe em nós. Todos a desejamos profundamente, mesmo que esse desejo seja muitas vezes oculto, disfarçado, distorcido.

(Dalai Lama)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Libertação


foto: Mauro de Araújo Nogueira


No final da busca, tudo é apenas consciência.
A sensação de ser, o sentimento "eu sou", brilha como a luz da consciência.

Aquele que é conhecido como um sábio observa e conhece a presença "Eu Sou", que funciona dentro do corpo, como a observação, o ser senciente. O sábio observa a consciência operando.

Quando o estado de sono profundo se aproxima, a consciência começa a desaparecer e o show diário chega ao fim.

Agora, com as cortinas a fechar, a luz da percepção enfraquece e a noção de "eu" desaparece.

Aqui, não existe nem marido nem esposa. O jogo do relacionamento termina.

Não existe nenhum mundo nem tempo.
Aquilo que permanece não usa nome.
É pura consciência e é o seu Ser real.

Somente aqui existe alegria imperturbável, descanso completo, perfeita harmonia.

Chegar a esta perfeita e direta compreensão no estado de vigília é chamado de Libertação. 

(Mooji)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Zen é vida diária

Zen não é uma espécie  de empolgação, e sim concentração em nossa vida diária.



foto: Lou Gaioto

Meu mestre morreu quando eu tinha trinta e um anos. Embora eu quisesse me dedicar inteiramente à prática do Zen no mosteiro Eiheiji, tive que sucedê-lo em seu templo. Com isso fiquei muito ocupado e, tão jovem ainda, deparei com muitas dificuldades. Essas dificuldades me deram alguma experiência mas ela não significava nada comparada ao autêntico, calmo e sereno modo de viver.


É necessário seguir a via constante. O Zen não é uma espécie de empolgação,  e sim concentração em nossa rotina diária.  Se você ficar demasiado ocupado e agitado, sua mente se tornará grosseira e instável. Isso não é bom. Se possível, procure ser calmo, alegre, evitando agitações.  Por  via de regra, tornamo-nos cada vez mais ocupados, dia após dia, ano após ano, especialmente em nosso mundo moderno. Se depois de muito tempo retornamos a lugares que nos eram familiares, ficamos espantados com as mudanças. Isso é inevitável. Mas, se nos interessarmos demais por situações excitantes o mesmo por nossa própria mudança, ficaremos envolvidos em nossa vida atribulada e nos perderemos. No entanto, se sua mente está calma e firme, você pode se resguardar do mundo barulhento, mesmo no meio dele. Apesar do barulho e das mudanças, sua mente conservará a quietude e estabilidade.

(Shunryu Suzuki - Mente Zen, mente de principiante)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Bondade e gentileza


Menina - Benin - África - por Alice Kohler

Abandone a inveja, desapegue-se do desejo de sobrepujar os outros. Em vez disso, tente fazer bem a eles. Com bondade e gentileza, com coragem e confiando que é assim que terá sucesso de fato, receba-os com sorriso. Seja franco e honesto. E tente ser imparcial. Trate todos como se fossem amigos muito próximos.

Não digo isso como Dalai-Lama ou como alguém que tenha poderes ou talentos especiais. Não os tenho. Falo como ser humano, alguém que, como você, quer ser feliz e não sofrer.

(Palavras de Sabedoria, Sua Santidade, o Dalai-Lama)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014





“Quem negaria que, quando estou sorvendo o chá no meu quarto, estou engolindo o universo inteiro junto e, neste exato momento em que levo a xícara a meus lábios, a eternidade transcende tempo e espaço?" 

DT Suzuki

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Foto: Luis Julgmann Girafa


Buda disse que construir um caráter é como construir uma represa. Deve-se ter muito cuidado ao erguer o muro de contenção. Se for feito precipitadamente, a água vazará. Levante o muro com cautela e terá uma boa barragem para sua água.

(Shunryu Suzuki)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014



foto: Mauro Nogueira


O homem deve apressar-se em fazer o bem e proteger sua mente do mal. Pois aquele que deixa o bem para mais tarde, convida o mal a visitá-lo mais cedo.

Se um homem cometer algum mal, que não repita a má ação, pois ela contaminará o seu coração. A acumulação de má conduta conduz à miséria humana.

Se um homem fizer o bem, que ele repita a boa ação, pois ela preencherá o seu coração. A acumulação de boa conduta conduz à felicidade humana.

(O Dhammapada - O Nobre Caminho do Darma do Buda)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Respeito e Compaixão

foto: Sebastião Salgado

Se ainda temos de apontar para alguns grupos que devem ser incluídos, é porque estamos distantes de um coração bondoso


Respeito e Compaixão pelos homossexuais. Respeito e Compaixão pelas mulheres. Respeito e Compaixão pelos idosos. Respeito e Compaixão pelas crianças.

Respeito e Compaixão pelos seres humanos.

Respeito e Compaixão pela vida na Terra.

Respeitar é mais do que tolerar.

Compaixão é identificação e cuidado terno.

Quando minha mão esquerda se machuca, minha mão direita imediatamente a vai socorrer. Sem esperar nada em troca.

Porque somos um só corpo e uma só vida.

Quando iremos todos despertar?

O vírus ebola nos assusta e atormenta.

Em Dallas, o apartamento da enfermeira que tratou o paciente com ebola e se contaminou foi totalmente higienizado.

Fiquei me lembrando da hanseníase.

Havia no Japão uma ilha; chamava-se Ilha do Amor. Para lá eram levados os pacientes com hanseníase. Iam de barco. Não havia pontes, e na ilha não havia barcos. Sem retorno. Suas antigas casas e seus pertences eram queimados. Seus nomes, apagados das famílias.

Na Europa mataram o cão de uma pessoa contaminada? O cão da enfermeira de Dallas está sob observação.

Precisamos salvar a Humanidade do vírus que nos pode destruir.

Surgiu em 1977 pela primeira vez.

Até hoje sem vacina?

Mas agora, que atinge os continentes privilegiados, a vacina surge para poucos.

Alguma coisa conhecida?

No surto da Aids, houve um governo que se colocou de frente contra grandes indústrias farmacêuticas, e os medicamentos são hoje gratuitos.

Farmácia popular — que bonito.

Mas ninguém sabe, ninguém viu.

O Sol se põe dourado, mas nós não douramos as pílulas.

Ver a realidade assim como é. Sem manipular a mente de ninguém — nem mesmo a sua.

Sem ser manipulada por ninguém — a nossa mente sagrada.

Para isso é preciso despertar. Despertar é ver em profundidade. É compreender as manobras dos manobristas e se desvencilhar da visão tacanha, corrupta. Corrupta de coração rompido, de se sentir separada do todo. Em quantas corrupções você esteve envolvido hoje?

Não falar dos erros e faltas alheios é um dos Preceitos de Buda. Uma sugestão para o Nirvana, a paz sábia.

Então, vamos falar do quê?

Será que estamos o tempo todo falando mal uns dos outros? Procurando nossos eleitores? Gritando por nossos votos?

Direitos e deveres.

Dever de se perceber interconectado de forma inseparável.

Dever de desenvolver a capacidade do respeito e da compaixão por todos os seres, por cada partícula, cada onda.

Se ainda temos de apontar para alguns grupos que devem ser respeitados e incluídos é porque estamos muito, muito distantes do coração bondoso, terno, acolhedor, humilde da compaixão ilimitada.

Nós, filhos e filhas da Terra e do Sol, habitantes da Via Láctea, podemos. Podemos e devemos apreciar a vida.

Estamos sempre chegando, chegando, partindo, indo, voltando e indo novamente.

Incessante movimento — que haja respeito e compaixão no movimento quieto do nada-tudo.

Somos o todo manifesto.


(Monja Coen  - Jornal O Globo)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

sábado, 11 de outubro de 2014

A dança das Abelhas

Gatinha Perséfone e seu brinquedo - foto de Sheylane Brandão


Somos aquilo que sentimos e percebemos. Se estamos zangados, somos a raiva. Se estamos apaixonados, somos o amor. Se contemplamos um pico nevado, somos a montanha. Ao assistir a um programa de televisão de baixa qualidade, somos o programa de televisão. Enquanto sonhamos, somos o sonho. Podemos ser qualquer coisa que quisermos, mesmo sem uma varinha mágica.


Extraído do livro "O sol meu coração" de Thich Nhat Hanh

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Comprometimento

Foto: Luis Julgmann Girafa


Budas só podem entender suas vidas levando sua prática
com um profundo sentimento de compromisso.

Escrevi essa frase em dois segundos. É tão fácil escrever,
ler, compartilhar, mas o que significa realmente? Compromisso
como budistas? Como se compromete um Buda? A resposta é
tão simples quanto complexa: um Buda se compromete com
tudo, com todo o seu corpo, com toda a sua mente, em cada
momento de sua vida. Viram? Achavam que ia ser fácil, que
compromisso é só ler umas frases bonitas, repeti-las, copiá-las?
Decorar frases que achamos interessantes? E o mais comum
dos nossos compromissos: falar e falar e falar até o cansaço de
quão comprometidos estamos com… nossas ilusões?

Nos comprometemos, às vezes fazendo muito barulho, com
o que achamos que são as grandes causas. E esquecemos que
não há nada grande nem pequeno. O comprometimento está
no dia a dia, nas coisas “pequenas”, cotidianas, ordinárias, essas
que ninguém vê ou que ninguém quer ver.

A vida, o nosso maior compromisso, está além das discriminações.
A vida, essa energia maravilhosa, que só por breves momentos
estamos compartilhando, usufruindo, não escolhe. Não. A vida
é intensa, imensa, maravilhosa, com todos, com tudo.

E por que estou falando tanto em vida? O que tem a ver a
vida com o título do artigo?  Para mim, monja
zen-budista, a palavra, a intenção, o pensamento de compromisso
devem estar presentes em cada momento de nossa vida.
Não é moda, não é política, não é empolgação. É muito mais
simples e, ao mesmo tempo, muito mais complexo que qualquer
teoria já escrita.

O compromisso para nós, budistas, deve estar presente
em cada uma de nossas palavras, pensamentos,
atitudes e até em nossos silêncios. O comprometimento
budista não é apenas dito. É feito, sem barulho, com
intensidade, com a firme convicção de que essa ação é
a coisa mais importante na nossa vida. E é mesmo.

Vocês acham que estar comprometido é aparecer
na TV oferecendo mundos e fundos para mudar
tudo? Pensamos que isso, sim, é o importante. Coisas
grandiosas, mudar o mundo a partir de fora… não
funciona. Comprometer-se da boca para fora – sem
a mudança interior, sem a mudança no olhar, sem
a mudança no pensar – é fácil e não leva a lugar
nenhum. Compromisso, comprometimento começa
num lugar tão óbvio quanto difícil de atingir: em nós
mesmos. Esqueça de se comprometer com o mundo,
esqueça de querer mudar o mundo, esqueça tudo.
Mantenha apenas o seu mais firme, íntimo, urgente
propósito de se comprometer com você mesmo. Isso
significa o quê? Estamos em um templo budista, você
está lendo um artigo escrito em um jornal budista,
então com o que se compromete? Com a nossa prática,
que é sutil, cotidiana. Com a nossa prática budista,
na qual não existem milagres, só existe este pequeno
momento, nada mais. Comprometimento com assistir,
com escutar, com estar presente, não só fisicamente,
mas com toda a sua mente, com todo o seu ser
em qualquer lugar onde estiver. Não esqueça que o
budismo é uma religião engajada com a vida, é vida.
Não há um momento especial para se comprometer, para estar
presente. Nosso comprometimento é com o despertar para a
vida. Para que vamos despertar? Para entender que nós somos
essa vida e que temos muito pouco tempo para poder estar
“comprometidos” com ela.

Comprometimento é entender que tudo tem a ver conosco.
Não posso ser inocente, não posso dizer: isso não tem nada
a ver comigo. É ser monitor, por exemplo, e não chegar cinco
minutos antes, só para sentar na cadeira da entrada, com o
nosso melhor sorriso (ainda bem), receber as pessoas, falar,
falar e falar e depois cair fora.

Isso não é comprometimento. Nós preparamos o nosso
lugar de prática para acolher as pessoas: olhando os banheiros,
limpando, varrendo, arrumando. Nos comprometemos com
cada momento do processo do qual estamos participando. Por
quê? Porque somos esse processo. E nos comprometemos a
ser, a estar presentes em cada instante. Falar menos, ser mais.
Entender que, de tanto querer entender, nos anulamos. De
tanto pensar, não somos. De tanto desejar, não fazemos.

Com o coração alegre, assumamos o compromisso de ser o
que sempre fomos: Budas. Nesse estado Buda, perfeito, onde
nada sobra, nada falta, vamos fluir com a vida, sem um eu, sem
compromisso, sem nada.


(Monja Zentchu Sensei)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Dualidade



Rio Tapajós/PA - foto Alice Kohler


Vivemos num tempo em que meditação deixou de ser somente uma prática individual. Nós temos que praticar como uma comunidade, como uma nação, como um planeta. Se realmente queremos que a paz seja possível de acontecer, então devemos tentar olhar para a realidade de forma a ver que não existe separação. É muito importante nos treinarmos a olhar de uma forma não dualista. Sabemos, pela nossa própria experiência, que a outra pessoa não está feliz, é muito difícil para nós sermos felizes. A outra pessoa pode ser sua filha, seu parceiro, amigo, mãe, seu filho, seu pai ou seu vizinho. A outra pessoa pode ser da comunidade cristã, da comunidade judaica, da comunidade budista ou da comunidade islâmica. Porque sabemos que segurança e paz não são questões individuais, iremos agir em prol do bem comum. Qualquer coisa que fizermos para ajudar nossos amigos, nossos vizinhos e outros países, para que eles se tornem mais seguros e mais respeitados, irá nos beneficiar também. De outra forma, somos capturados por nossa ignorância. A nossa visão dualista nos faz agir de uma forma que continuará nos destruindo e destruindo o mundo. 

(Thich Nhat Hanh)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Pensamento e Amor

Foto: Lou Gaioto




O pensamento, com seu conteúdo emocional e sensitivo, não é
amor. O pensamento nega, invariavelmente, o amor. O pensamento funda-se na memória, e o amor não é memória. Quando pensamos a respeito de alguém que amamos, este pensamento não é amor.


Podemos ter a lembrança dos hábitos, das maneiras, das idiossincrasias de um amigo, e pensar nos incidentes agradáveis ou desagradáveis ocorridos nas nossas relações com ele, mas os quadros evocados pelo pensamento não representa o amor. O pensamento, por sua própria natureza, é separativo. A noção de tempo e espaço, de separação e sofrimento nasce do processo do pensamento, e só quando este cessa, pode existir o amor.


O pensamento gera inevitavelmente o sentimento de posse, aquela
ânsia de posse que, consciente ou inconscientemente, nutre o ciúme. Onde está o ciúme, naturalmente não pode estar o amor; e, no entanto, pela maioria das pessoas, o ciúme é considerado um sinal de amor. O ciúme é resultado do pensamento, uma reação do
conteúdo emocional do pensamento. Quando vemos contrariado o
sentimento de possuir ou de ser possuídos fica-nos um vazio de tal
ordem que a inveja vem preencher o lugar do amor. E porque o
pensamento representa o papel do amor que surgem todas as complicações e tristezas da vida.


Se não pensamos em alguém, direis que não amamos. Mas, é
amor pensarmos na pessoa? Se nunca pensásseis num amigo a quem julgais amar, isso vos causaria certo horror, não e verdade? Se não pensásseis num amigo falecido, vos consideraríeis desleal, desamoroso etc. Qualificaríeis tal estado de insensível, indiferente
etc.; e trataríeis por isso de pensar em tal pessoa, guardando retratos
dela, imagens feitas pela mão e pela mente; encher, porem, assim, o
coração com as coisas da mente significa não deixar espaço para
o amor. Quando estais na companhia de um amigo, não pensais nele;só na sua ausência, o pensamento começa a recriar cenas e ocorrências mortas. Esta ressurreição do passado é chamada amor. Por conseguinte, para a maioria de nós, o amor é morte, negação da vida;


Vivemos-nos com o passado, com os mortos, e por isso estamos também mortos, embora chamemos a isso amor.
O processo do pensamento nega sempre o amor. O pensamento
é que tem complicações emocionais, e não o amor. O pensamento é o maior obstáculo ao amor. O pensamento cria uma divisão entre
o que é e o que deveria ser, e nesta divisão se baseia a nossa moral;


Entretanto, nem o homem moral nem o imoral conhecem o amor. Esta estrutura moral, criada pela mente para manter coesas as relações sociais, não é amor, mas um processo de contínuo enrijecer, qual o do cimento. O pensamento não conduz ao amor, não pode cultivar o amor; pois o amor não é cultivável como planta de jardim. O próprio desejo de cultivar o amor é ação do pensamento.


Se ficardes vigilante, por pouco que seja, vereis o papel importante
Que o pensamento representa na vida. O pensamento tem,
naturalmente, seu devido lugar, mas não está sob nenhum aspecto
relacionado com o amor. O que se relaciona com o pensamento
pode ser compreendido pelo pensamento, mas o que se relaciona com o pensamento não pode ser alcançado pela mente. Perguntareis: Que é então o amor? O amor é um estado de ser, em que não existe pensamento; a própria definição do amor e um processo do pensamento. E, por isso mesmo, não é amor.


Temos de compreender o próprio pensamento, e não procurar
aprisionar o amor com o pensamento. A negação do pensamento
não gera o amor. São se está libertado do pensamento quando se
compreendeu plenamente o seu significado profundo; e, para tanto,
o essencial é o autoconhecimento profundo, e não a asserções vãs e
superficiais. A meditação e não a repetição, o percebimento e não
as definições é que revelam as atividades do pensamento. Se
não estamos vigilantes e tomando conhecimento das atividades do
pensamento, o amor não pode existir.


(J. K R I S H N A M U R T I - COMENTÁRIOS SOBRE O VIVER)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Deus é a nossa realidade


Chuva em Brasília - Luis Julgmann Girafa


Deus não pode nunca estar perto. Deus não pode nunca estar perto, porque isso significaria que existe algum lugar onde Deus não está. Deus é infinito. Nós não podemos existir fora do infinito. Portanto Deus é a nossa realidade. 

~ Mooji

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Regras da Ordem Zen Fazedor de Paz

Foto: Lou Gaioto


Eu me comprometo aos Três Tesouros:



Unidade, a natureza desperta de todos os seres
Diversidade, o oceano de sabedoria e compaixão
Harmonia, a interdependência de tudo que existe.


Eu me comprometo às Três Máximas:



Não saber, abandonando idéias fixas sobre eu mesma e o universo.
Testemunhar à alegria e sofrimento do mundo.
Agir amorosamente.


Eu me comprometo aos seguintes Dez Preceitos:


Reconhecer que não estou separada de tudo que existe. Este é o Preceito de Não Matar.
Ficar satisfeita com o que tenho. Este é o Preceito de Não Roubar.
Encontrar todas as criações com respeito e dignidade. Este é o Preceito de Conduta Casta.
Ouvir e falar do coração. Este é o Preceito de Não Mentir.
Cultivar a mente que vê com clareza. Este é o Preceito de Não Ser Deludida.
Incondicionalmente aceitar o que cada momento tem a oferecer.
Este é o Preceito de Não Falar sobre Erros e Faltas alheios.
Falar o que percebo ser a verdade sem culpa ou culpar. Este é o Preceito de Não se Elevar e Rebaixar os outros. (Não se rebaixar e elevar os outros e não se igualar).
Usar todos os ingredientes de minha vida. Este é o Preceito de Não ser Avarenta.
Transformar sofrimento em sabedoria. Este é o Preceito de Não ser Controlada pela Raiva.
Honrar minha vida como um instrumento de fazer a paz. Este é o Preceito de Não Pensar Mal dos Três Tesouros.

Também faço os seguintes Quatro Comprometimentos:


Eu me comprometo a:

Uma cultura de não violência e reverência à vida.
Uma cultura de solidariedade e ordem econômica justa.
Uma cultura de tolerância e a vida baseada na verdade.
Uma cultura de direitos iguais e companheirismo entre homens e mulheres.


(Zen Peacemaker)

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Inter-existência


Foto: Alice Kohler


Se você é poeta, vê claramente uma nuvem em um papel em branco. Se não existir a nuvem, a chuva não cai. Se não cair a chuva, a árvore não cresce. Se não cresce a árvore, não se faz papel. Então, podemos dizer que o papel e nuvem se encontram em inter-existência. Se observarmos mais profundamente  o papel, veremos nele a luz do sol. Sem a luz do sol, o mato não cresce. Ou melhor, sem ela nada no mundo cresce. Por isso, reconhecemos que a luz do sol também existe no papel em branco. O papel e a luz do sol encontram-se em inter-existência. Se continuarmos observando profundamente, veremos o lenhador que cortou a árvore posteriormente levada à marcenaria.

Veremos também o trigo no papel. Sabemos que o lenhador não pode existir sem o pão de cada dia. Por isso, o trigo, a matéria-prima do pão, também existe no papel. Pensando desta maneira, reconhecemos que um papel branco não pode existir quando faltar qualquer um destes elementos. Não posso citar nada que não esteja aqui, agora. O tempo, o espaço, a chuva, os minerais contidos no solo, a luz do sol, as nuvens, os rios, o calor... tudo está aqui, agora. Não podemos existir sozinhos.

Este papel branco é totalmente constituído de "elementos que não são papel". Se devolvermos todos os "elementos que não sejam papel" à sua origem, o papel deixará de existir. O papel não existirá se forem tirados os "elementos que não sejam papel". O papel, em sua espessura fina, contém tudo de universo. Nele, não há nada que não exista em interdependência. A inexistência de elementos independentes significa que tudo é satisfeito por tudo.

Temos que existir em inter-existência com os demais, assim como um papel que existe porque todo os demais elementos existem.

(Thich Nhat Hanh, citado em Caminho Zen)

sábado, 20 de setembro de 2014

Travessia de primavera

Foto: Ronaldo Barroso



As eleições também se dão em casa, onde ficamos nos exibindo para ganhar os corações daqueles com quem nos relacionamos


Equinócio de equidade. Dia e noite com a mesma duração. Equidade mental — os opostos têm o mesmo valor.

Eleições na primavera — opositores se equivalem? Travessia de ir e vir, de atravessar sem que uma pessoa atravesse o caminho da outra ou mostre o avesso, o revés.

Eleições de avessos que se avessam.

Como ainda estamos distante de um ideal civilizatório de equidade e respeito!

O equinócio de setembro marca o início da primavera no Hemisfério Sul e o início do outono no Norte. É um momento em que nós, budistas, celebramos a equidade entre dia e noite, o que nos facilita a travessia do caudaloso (confuso, cheio de entulhos, lixo, poluição — algumas vezes seco, rachado, furado, fétido, outras vezes molhado, coberto, cheiroso, ardiloso com redemoinhos e pedras submersas, escondidas, que podem furar o barco) rio da vida-morte.

Atravessar o rio é simbólico de perceber que estamos na margem do sofrimento, da ignorância, envenenados pela ganância e pela raiva.

Reconhecemos essa margem? Aflições, ansiedades, medos, desgraças? Os venenos que impedem a mente de ter sensações, percepções, conexões neurais e consciência leves e claras. Como águas poluídas, a mente fica turva, confusa, capaz de improbidades para obter sucesso, ganhar votos, eleger-se.

As eleições não são apenas presidenciais, de senado, assembleias, governos estaduais. As eleições se dão em casa — pessoas lutando pelos votos das famílias. Tanto um querendo ganhar o voto do outro, como também dos filhos, dos amigos, dos vizinhos, dos avós. Incessante.

Ficamos nos exibindo, contando vantagens (ou contando desvantagens — outra forma de se vangloriar) para obter aplausos, votos, para sermos eleitos aos corações e atenções das outras pessoas com quem nos relacionamos.

Funciona no trabalho, na rua, no trânsito, no Facebook, no Twitter. Funciona tanto na terra como nos céus. Queremos os votos de confiança, respeito e apoio de Budas, Bodisatvas, Santos, Santas, Profetas, Pastores, Divindades.

Queremos o apoio dos filósofos e dos sábios, bem com dos incultos e dos tolos. Queremos até os mornos.

Nossa carência e insuficiência se revelam no insulto, no rebaixar os outros, no ataque raivoso, dedo em riste.

Que triste.

Quisera poder viver um tempo de anistia, um tempo de alegria, um tempo de paz.

Tempo de atravessar desta margem confusa e agressiva, de tanta falsidade que duvidamos da dúvida — pois ninguém mais é confiável. Nem mesmo a mídia, nem mesmo eu.

Atravessar para a margem da tranquilidade, pegar o barco seguro da verdade e da ética. Chegar lá — que é aqui. Chegar onde se chega com ternura, com respeito, com brandura, sem luta, sem nenhuma luta.

Chega-se de manso, de leve, com trabalho, perseverança. Chega-se pensando no bem maior do grande Eu. Inclusão, alimentos, escolaridade, saúde.

Sem pilhérias, sem misérias.

Aqui e acolá. No planeta, nosso corpo comum.

Sem mais guerras, sem decapitações, sem ataques, sem mutilações.

Quero ver o mundo despertar dessa dormência tola e se unir em projetos que beneficiem a todos.

Isso é travessia.


(Monja Coen - Jornal O Globo)

Meditação - por Sadhguruji

Essencialmente, a meditação significa experiencia em perceber que você não é uma bolha individual - você é um universo. (citação míst...