terça-feira, 30 de junho de 2015

Dia 5 de julho (domingo) 
não haverá zazen para iniciantes

gassho

foto: Luciano Delmo em Zazen - por Aline Zuien

domingo, 28 de junho de 2015

20 pensamentos que podem mudar a sua vida



As pessoas não percebem que agora é tudo o que é, não existe passado ou futuro exceto como uma memória ou antecipação em nossas mentes” 

~ Eckhart Tolle ~


foto: Adrian Borda


1) O momento presente é a coisa mais preciosa que existe
As pessoas não percebem que agora é tudo o que é, não existe passado ou futuro exceto como uma memória ou antecipação em nossas mentes.

O passado te dá uma identidade e o futuro mantém a promessa de salvação ou de preenchimento na forma que for. Em ambos os casos o que temos é ilusório.

O tempo não é precioso de maneira alguma, porque é uma ilusão. O que você percebe como precioso não é o tempo mas o único ponto que está além do tempo: agora. Isto é de fato precioso. Quanto mais você estiver focado no tempo — passado ou futuro — mais você vai perder o agora, a coisa mais preciosa que existe.

Não deixe um mundo doente dizer pra você ter sucesso em outra coisa que esteja além do momento presente.

A maioria das pessoas nunca está presente completamente no agora, porque inconscientemente as pessoas acreditam que o próximo momento deve ser mais importante do que este. Mas assim você perde a vida inteira, que nunca é não-agora.

Assim que você começar a honrar o momento presente, toda a infelicidade e luta se dissolve e a vida começa a fluir com contentamento e facilidade. Quando você age a partir da consciência do momento presente, o que quer que você faça fica imbuído com um sentimento de qualidade, cuidado e amor — mesmo a mais simples ação.

2) Aonde você estiver, esteja totalmente presente


Aonde você estiver, esteja totalmente presente. Se você acredita que o aqui e o agora são intoleráveis e te trazem infelicidade, você tem três opções: retirar-se da situação, mudar a situação ou aceitá-la totalmente. Se você quer ser responsável por sua vida, você deve escolher uma dessas três opções, você deve escolher agora. Então aceite as consequências.

3) Sempre diga sim para o momento presente

A aceitação pode parecer um estado passivo, mas na realidade ela traz algo inteiramente novo para este mundo. Esta paz, esta vivência, é consciência.

Aceite — depois aja. O que quer este momento presente contenha, aceite como se você tivesse escolhido. Sempre trabalhe com o momento e não contra o momento.

Sempre diga sim para o momento presente. O que pode ser mais fútil, mais insano do que criar uma resistência interna ao que já é? O que poderia ser mais insensato do que se opor à vida ela mesma, que é agora e sempre agora? Se renda. Diga sim para vida — e veja como a vida instantaneamente começa trabalhar para você ao invés de contra você.

4) Não leve a vida tão a sério

A vida não é tão séria como sua mente pode te fazer acreditar.

5) Quanto mais você se ligar às coisas de uma maneira negativa, mais obcecada com as coisas negativas sua mente vai se tornar

As pessoas tendem a focar mais nas coisas negativas do que nas coisas positivas.

Então a sua mente se torna algo obcecado com as coisas negativas, com preconceitos.

Culpa e ansiedade são produzidas por pensamentos a respeito do futuro e por aí vai.

6) Quando você reclama, você se coloca no papel de vítima

Reclamar é sempre uma não-aceitação do que é. Inevitavelmente carrega uma carga inconsciente negativa. Quando você reclama, vocês se transforma em uma vítima. Quando você fala alto, você está no poder. Então mude a situação e tome alguma atitude, ou deixe a situação ou aceite-a. Tudo mais é provavelmente uma loucura.

7) Existe uma linha fina entre honrar o passado e se perder nele

Existe uma linha fina entre honrar o passado e se perder nele. Por exemplo, você pode se conscientizar e aprender a partir dos erros que você cometeu, então se mover e mudar o foco para agora. Isso é chamado de se perdoar.

Deixar ir requer força e muita coragem. Muitas vezes deixar as coisas ir é um tipo maior de grandeza do que se defender ou agarrar-se à situação.

8) Você é um ser humano não um ser-fazendo

Na pressa do nosso dia a dia, todos nós pensamos demais, desejamos demais, buscamos demais e esquecemos de apenas apreciar o ser.

9) Pare de se definir e definir os outros

Se definir através do pensamento é limitar você mesmo.

Pare de se definir — para você mesmo ou para os outros. Você não vai morrer. Você vai se abrir à vida. E não se preocupe com que os outros possam definir você. Quando eles se definem, eles estão limitando a si mesmos, então é problema deles.

Sempre que você interagir com outras pessoas, não esteja lá primeiramente como uma função ou um papel, mas dentro da consciência da presença do momento presente. Você sempre pode perder alguma coisa que você tem, mas não pode perder alguma coisa que você é.

Uma vez que você esteja identificado com alguma forma de negatividade, você talvez não queira deixar de ir (as coisas negativas) em um nível inconsciente profundo, você não quer uma mudança positiva. Isto poderia ameaçar a sua identidade como uma pessoa deprimida, uma pessoa com raiva ou difícil de lidar. Você então vai ignorar, negar ou sabotar os aspectos positivos de sua vida. Este é um fenômeno comum. É também algo semelhante a uma loucura.

10) Aonde houver verdadeiro amor, não há ego

Um relacionamento genuíno é aquele que não é dominado pelo ego com a sua busca incessante de criar uma imagem e uma definição dos outros. Em um relacionamento genuíno, existe o estado de abertura, de atenção alerta para a outra pessoa na qual não existe nenhuma busca realmente.

11) O que você lutar contra, vai aumentar e o que você resistir, vai persistir

Oferecer não-resistência à vida é estar em um estado de graça, de facilidade e de brilho.

Esse estado então é não-mais-dependente das coisas ficarem de um certo jeito, bem ou mal.

Pode parecer paradoxal, mas no momento em que sua dependência da forma vai embora, a condição geral da sua vida, as formas externas, tendem a melhorar enormemente. As coisas, as pessoas, as condições que você pensava que precisava para sua felicidade agora chegam até você sem luta ou esforço da sua parte, e vocês está livre para apreciar — enquanto durarem.

Todas essas coisas, é claro, vão passar, ciclos vão começar e terminar, mas sua não-dependência tratará de não trazer mais medo ou perda. A vida flui com facilidade.

12) O que quer que você lute contra nos outros, você vai fortalecer em você

Qualquer coisa que você recente luta fortemente contra em um outro encontra-se também em você.

13) Poder sobre os outros é fraqueza disfarçada como força

Poder sobre os outros fraqueza disfarçada como força.

O verdadeiro poder está dentro, está disponível pra você agora.

14) Todo e qualquer vício começa com dor e termina com dor

Qualquer vício começa a partir de uma recusa inconsciente para enfrentar e lidar com sua própria dor. Todo e qualquer vício começa com dor e termina com dor. Qualquer que seja a substância que você é viciado em — álcool, comida, drogas legais e ilegais, ou uma pessoa – você está usando algo ou alguém para encobrir a sua dor.

15) Busque viver autenticamente

Interações humanas autênticas se tornam impossíveis quando você perde a si mesmo em um papel.

Viver para manter uma imagem que você tem de você mesmo ou uma imagem que os outros tem de você é viver uma vida inautêntica.

16) Desejar é a antítese da felicidade

Não deseje a felicidade.

Se você desejá-la, você não vai encontrar, porque desejar é a antítese da felicidade.

Existe uma diferença entre a felicidade e a paz interior? Sim.

A felicidade depende das condições que são percebidas como positivas; e a paz interior não depende dessas condições.

17) A mente é um instrumento incrível se usado corretamente


A mente é um instrumento incrível se usado corretamente.

Se usada incorretamente, entretanto, se torna muito destrutiva.

Para dizer de uma maneira mais clara, não é muito como se você usasse a sua mente erroneamente —você geralmente não a usa de maneira alguma. Ela que te usa. Esta é a doença. Você acredita que você é sua mente. Esta é a ilusão. O instrumento tomou conta de você.

18) A preocupação é uma perda de tempo


A preocupação parece necessária mas não serve a propósito algum.

19) Você é mais do que a sua mente

Em nível profundo você já está completo.

Quando você percebe isto, existe uma energia prazerosa por trás de tudo que você fizer.

Estar identificado com sua mente é estar preso no tempo: a compulsão de viver quase exclusivamente através da memória e da antecipação.

Conhecer a si mesmo como ser por baixo do pensador, a calma por baixo do barulho mental, o amor e o prazer por baixo da dor, é liberdade.

Tédio, raiva, tristeza, medo não são estados seus, não são pessoais.

Eles são condições da mente humana. Eles vêm e vão. Nada do que vem e vai é seu.

20) A libertação do animal racional


O começo da liberdade é a percepção de que você não é “o pensador”. O momento em que você começa a observar o pensador, um nível mais elevado de consciência se torna ativo. Você então começa a perceber que existe um vasto campo de inteligência além do pensamento, que o pensamento é apenas um pequeno aspecto da sua inteligência.

Você também começa a perceber que todas as coisas que realmente importam — beleza, amor, fertilidade, contentamento, paz interior — aparecem além da mente. Você começa a acordar.

Dominar o ego


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Natureza Buda



A base da libertação humana só pode ocorrer numa dimensão cosmológica: compreender o surgir e desaparecer de tudo
foto: Luis Jungmann Girafa




Todos os seres são Natureza Buda.

A Natureza Buda não é uma potencialidade, como uma semente que exista em todos os seres. Não é algo a ser alcançado no futuro. É a natureza fundamental de tudo que é e não é (viventes e não viventes).

Há quatro pontos a serem considerados:

1. Não antropocentrismo: a base da libertação humana só pode ocorrer numa dimensão cosmológica.

Compreender o surgir e desaparecer simultâneo e momentâneo de tudo. Inclui a vida-morte humana, mas não é centrado no ser humano.

2. Característica não substancial da Natureza Buda: todos os seres existem assim como são, numa dimensão infinita. Natureza Buda não é uma substância, não pode ser pega com as mãos, nem definida pelo intelecto, não pode ser objeto. É ilimitada, infinita, sem nome, forma ou cor. Não é algo sem limites. É o ilimitado. Não é algo sem nome. É o inominável.

Assim sendo, nenhuma coisa particular ou qualidade particular no universo corresponde ou representa a Natureza Buda. Não é transcendente nem imanente. Os seres não são engolidos nem cuspidos pela Natureza Buda. Não é panteísta — embora pareça ser —, nem teísta.

3. Não dualidade de todos os seres e Natureza Buda: a dimensão considerada aqui não é a do gerar-extinguir, tradicionalmente considerada como o nível da transmigração humana e de sua libertação, mas a dimensão do ser-nãoser, do surgir-desaparecer comum a todos os seres viventes e não viventes. Apenas aqui, na base comum a todos os seres, pode o problema de vida-morte humana ser resolvido.

Ir além da dimensão de todos os seres (ser-nãoser) é simultaneamente retornar à dimensão em que todos os seres são verdadeiramente realizados como todos os seres.

Para obter a Natureza Buda é necessário transcender o egocentrismo, o antropocentrismo e viver no plano fundamental da dimensão do ser.

A dimensão da impermanência é absolutamente necessária.

Tudo no universo simultaneamente é a Natureza Buda: árvores, plantas, animais, terra, água, fogo, vento, ar.

4. Ideia dinâmica de Impermanência-Natureza Buda: A Natureza Buda, em si mesma, é impermanência.

A impermanência de grama, árvores, arbustos e florestas é a Natureza Buda.

A impermanência das pessoas, das coisas, do corpo, da mente é a Natureza Buda.

O estados, as terras, as montanhas, os rios são impermanência, porque são a Natureza Buda.

A iluminação suprema e completa é impermanência, porque é a Natureza Buda.

O grande nirvana é Natureza Buda, porque é impermanência.

A impermanência prega a impermanência, pratica a impermanência, realiza a impermanência assim sendo pregada, pratica e realiza a Natureza Buda.

A interpretação que apresento é baseada no pensamento do fundador da nossa ordem no Japão, Mestre Eihei Dogen (1200-1253).

Todos os seres são Natureza Buda. Louvamos e cuidamos, com sabedoria e compaixão, sem discriminações ou preconceitos, pois são nosso corpo e nossa vida. Mãos em prece.

(Monja Coen - Jornal O Globo)


terça-feira, 23 de junho de 2015

Seja livre



Foto: Mohammed Yousef


O ego é como a sua sala, uma sala com uma vista, com a temperatura e os odores e a música que você gosta. Você a quer da sua maneira. Você apenas gostaria de um pouco de paz, um pouco de felicidade, sabe, apenas para “dar um tempo”. 

No entanto, quanto mais você pensar assim, tentando ajustar a vida para que ela sempre se adeque a você, quanto mais você temer outras pessoas, mais crescerá o que está fora de sua sala. Em vez de se tornar mais tranquilo, você começa a fechar as cortinas e a trancar a porta. 

Quando você sai, a experiência se torna mais e mais desconfortável e conflitante. Você se torna mais hiper-sensível, mais temeroso, mais irritadiço do que nunca. Quanto mais você tentar ajustar as coisas à sua maneira, menos você se sentirá em casa. 

Pema Chodron, em “Start Where You Are”. 
Tricycle’s Daily Dharma, 18 de dezembro, 2006.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Entusiasmo

Foto: Herman Damar


A vibração mais elevada da nossa irradiação energética e viva é o entusiasmo. Muitas vezes confundido com exuberância e paixão, o entusiasmo autêntico é um sinal de que estamos completamente abertos e livres e, naturalmente, derramando nossa luz e energia no mundo. Em qualquer família, comunidade, equipe ou organização, o entusiasmo é como a luz do sol. Tem a capacidade de animar, elevar e revigorar a quem toca. Entusiasmo constante é um dos fundamentos da liderança eficaz em qualquer contexto.

(Mike George)

quinta-feira, 18 de junho de 2015

As dez coisas que nós acreditamos que nos farão felizes

Foto: Herman Damar


As dez coisas que nós acreditamos que nos farão felizes, porém não fazem, é um texto do famoso monge budista francês Matthieu Ricard– que, para quem não se lembra, já foi apresentado como “o homem mais feliz do mundo” e já foi palestrante do TED sobre felicidade. Se a gente olhar bem e for sincero, vamos perceber que todos buscamos algo que está nessa lista, estamos perseguindo algo que fatidicamente não nos tornará feliz – e muitos de nós estamos atrás de mais de um dos itens (e é um pouco assombroso pensarmos que podem existir pessoas perseguindo todos esses itens).

PhD em Genética Molecular no Instituto Pasteur, Matthieu Ricard não se dedica mais à vida acadêmica, é hoje tradutor francês do XIV Dalai Lama, membro do Mind & Life Institute, dedicado a pesquisas para a compreensão científica da mente, e é o principal coordenador da Associação Karuna-Shechen, dedicada à educação e serviços de cuidado para as pessoas mais velhas.
As dez coisas que nós acreditamos que nos farão felizes, mas que não fazem, segundo Matthieu Ricard, são:

1. Ser rico, poderoso e famoso.

2. Tratar o universo como se fosse um catálogo de pedidos para os nossos caprichos e desejos

3. Desejar a “liberdade” para fazer tudo o que vem à mente. (Isto não é ser livre, mas escravos de nossos pensamentos).


4. Buscar constantemente nossas sensações prazerosas, uma após a outra. (as sensações de prazer rapidamente se desfazem e se tornam até chatas ou desconfortáveis).

5. Querer nos vingar de forma maldosa de qualquer pessoa que tenha nos ferido. (ao fazer isso nós nos tornamos tão ruins quanto eles, e envenenamos nossas mentes).

6. “Se eu tivesse tudo, certamente ficaria feliz”, ou “Se eu tiver isto ou aquilo, eu posso ser feliz.” (tais previsões não são geralmente corretas).

7. Querer sempre ser lisonjeado e nunca enfrentar qualquer tipo de crítica. (o que não nos ajudará a progredir).

8. Eliminar todos os seus inimigos. (A animosidade nunca nos trará a felicidade).

9. Nunca enfrentar as adversidades. (Isto nos faz fracos e vulneráveis).

10. Enfocar os nossos esforços em apenas cuidar de nós mesmos. (o amor altruísta e compaixão são as raízes da verdadeira felicidade).


(Texto retirado de O Segredo - thesecret.tv.br)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Z A Z E N K A I




Zazenkai - manhã de prática zen 

20 de junho (sábado) 7h00 - 12h00

Zendo Brasília 


Todos são bem-vindos!

Gassho


terça-feira, 9 de junho de 2015

Turismo espiritual


TUDO MUDA



Quando lhe pediram para resumir os ensinamentos de Buda em uma frase, Suzuki Roshi simplesmente disse: “Tudo muda.”

Foto: Warren Keelan



Todo mundo sabe disso, pelo menos intelectualmente, que toda a criação está em um estado de revolução sem fim. O filósofo grego Heráclito disse a famosa frase: “Nenhum mesmo homem pode percorrer o mesmo rio duas vezes, já que tanto o homem quanto o rio mudaram desde então.”

Impermanência é a própria natureza da vida.

Na verdade, a mudança é apenas outra palavra para vida-“viver” significa “mudar.” Mas poucas pessoas passam pela vida verdadeiramente consciente deste fato. Nós “entendemos” isso, mas esse entendimento (ou ”conhecimento”) falha em influir em nosso comportamento. Nós simplesmente ignoramos a forma como as coisas realmente são. Assim, o ponto desta discussão não é explicar a impermanência para você, mas para aponta-la; para acordá-lo para a verdade da mudança.

Alan Watts costumava comparar a vida à música. O ponto/propósito da música é música, ele diria. As pessoas gostam de ouvir música pelo ritmo, o fluxo da melodia. Ninguém escuta música para ouvi-la terminar. Se fosse assim, então, como Watts apontou, suas músicas favoritas seriam as que terminaram abruptamente com um único barulho de ruído. A vida é da mesma forma.

O ponto e propósito da vida é a própria vida, participar da melodia. Melodias são córregos; eles estão a fluir. Você não pode moldá-los ou prende-los. Quando você faz isso, não há fluxo. Isso é a morte.

A única maneira de participar da melodia é através da consciência desperta. Uma simples consciência desperta é fluida. Uma mente simples perde seu sentido de individuo/self/ego na música, ao passo que uma mente egocêntrica continua tentando fazer uma pausa na música. Nós forçamos muito a barra em ouvir o que queremos ouvir, em vez de mover-se com a música, viver. Estamos acostumados a nos recuar, como um espectador, um ouvinte tentando pegar o ritmo. Queremos possuir e segurar esse ritmo, essa batida, e se identificar com ele.

Não é o suficiente para nós apreciar a música. Nós temos que saber a letra. Assim, pausamos a música toda hora e voltamos, a fim de guarda-la na memória e te-la como ”nossa”.

O ego cria um sentido de identidade ou significado a partir de suas interações com “outro”.

Essas interações produzem um ”recibo”, que o ego tenta coletar e preservar. Ao invés de apreciar o show em primeira mão, o ego tira fotos e filma o show, para que ele possa falar sobre isso e compartilhar as fotos mais tarde. O rio da vida está sempre fluindo, mas para o ego, cuja existência depende de congelar esse fluxo de mudanças, a flutuação é aterrorizante, e é por isso que chamamos isso de impermanência.

Do ponto de vista pessimista do ego, flutuação e mudanças representam uma ameaça à sua estabilidade, mas no estado sem referencial de simples consciencia desperta, o espaço que permite o fluxo ou a mudança é o útero de vitalidade. A vida, a adaptação emerge deste espaço. O ego procura ignorar este espaço enchendo-o de credenciais e solicitações de depoimentos e testemunhos.

O ego é um grande colecionador.

Ele mantém todos os recibos, comprovantes, e cada memória que lhe dê razão e existência. Em uma mente egocêntrica não há espaço, não há espaço para respirar. Mas no fundo o ego sabe que a coisa toda pode ruir a qualquer momento. Ele lembra-se do espaço, a lacuna silenciosa entre cada nota que permite que a música flua. Essa memória assombra o ego. Produz paranóia e insegurança.

Esta insegurança é o benfeitor que justifica a obsessão do ego com a coleta desses ”recibos”. Uma mente egocêntrica é co-dependente, e essa co-dependência faz de tudo para evitar o espaço, flutuação. O ego é dependente de relacionamento ou de entretenimento, o que exige a separação.

Assim, o ego tem que pensar em si mesmo como uma entidade distinta. Tem que separar-se da vida. Defender esta estratégia segregacionista é necessária para o ego. A separação é o fundamento sobre o qual o império do ego é construído. Como resultado, é cronicamente insatisfeito ou sem vida.

Além do descontentamento e da insatisfação crônica, considere por um momento os problemas que alguém tem se considera a si mesmo como uma ilha ou uma entidade sólida em um mundo fluido.

As coisas mudam. No entanto, o rio não é a única coisa que muda. Segundo Heráclito, o mesmo acontece com o homem. Mas o ego se vê como imutável. Quando estamos no rio da vida com os pés plantados, como se nós fossemos uma ilha, a vida começa a se sentir como uma parede enorme de água caindo em cima de nós.

Tomemos por exemplo, a transição entre ser solteiro e em um relacionamento. Quando você está solteiro você desenvolve um estilo de vida que isso não tem que levar em consideração outra pessoa. Você pode acordar de manhã beber o seu café, ler o jornal, tomar café da manhã, ir trabalhar, ir para a academia, sair com os amigos e assistir o que quiser na TV. Mas quando você traz uma outra pessoa na mistura,você não pode continuar a operar da mesma forma. A situação mudou, por isso, seu modo de operar anterior esta desatualizado. 

Quando “eu” é uma entidade fixa ou um hábito de pensamento, essa transição é difícil. Se você se agarrar esta imagem desatualizada, o relacionamento vai começar a sentir-se claustrofóbico. Haverá um confronto após o outro. A intensidade vai continuar a aumentar ao longo do tempo, até que tudo, sua auto-imagem e o relacionamento(o homem e o rio)-acabam. 

O que pensamos sobre nós mesmos é desafiado pela mudança. Muitas pessoas dizem: “Eu não deveria ter que desistir de quem eu sou, a fim de estar em um relacionamento.” Eu digo, se você não desistir de quem você é, então você não está em um relacionamento.

Na verdade, se você não tem que desistir de quem você é cada momento de cada dia, então você não está vivo. Estar vivo é estar em constante estado de revolução. Situações de mudança devem promover mudanças no nosso comportamento. Essa é a sanidade; permitir que novas informações para atualizar o meu ponto de vista. ”Meu ponto de vista”, (o homem, no exemplo de Heráclito), deve permanecer aberto ou fluido. “Tudo muda.”, Que é o ponto básico, de acordo com Shunryu Suzuki. Tudo. A economia, a política, o tempo, as relações, as nossas crenças, a nossa própria noção de identidade – estão em estado de flutuação. Quando estamos abertos a mudanças, a transição é relativamente suave. Nós estamos indo com o fluxo. Por outro lado, quando se tenta salvar todos os nossos ”recibos” , é ai que nos afogamos.

Não podemos nadar com as mãos cheias.

Uma mente aberta é uma mente sã. Uma mente aberta não é uma mente que dá a devida atenção a qualquer idéia, independentemente de quão ridícula ela possa soar.

Uma mente aberta é uma porta de vaivém. É uma mente que não resiste à mudança. Uma mente aberta permite que o pensamento seja um reflexo da mudança. Deste ponto de vista, o pensamento é sempre fresco, porque a vida está sempre mudando. Este é o pensamento original, imaginação. Com consciência desperta, o homem e o rio fluem um no outro.

Temos que aceitar o fato de que não podemos querer sugar a felicidade a força do mundo simplesmente pegando a vida pelo pescoço e forçando-a ser do jeito que queremos que seja. Temos que ver que a vida é mudança, mudança é a vida; que eles são um na mesma coisa.

Tentar organizar fenômenos impermanentes em categorias permanentes do pensamento é como tentar arrebanhar gatos. Além disso, não estamos de alguma forma fora dessa mudança, nós somos a Vida. Nós somos mudança. Confusão e descontentamento surgem a partir da crença equivocada de que somos um substantivo, um nome. O contentamento emerge quando paramos de nadar contra a corrente e se estabelece na realização do fato de que somos uma corrente no fluxo. E essa corrente não é diferente do fluxo. É o movimento do fluxo.

Nós não somos um substantivo ou nome co-dependente que está no banco observando o fluxo de vida, mas sim um verbo que emerge do fluxo da vida.

Texto traduzido do artigo de Benjamin Riggs ”Everything the Buddha Ever Taught in 2 Words.” no site Elephantjournal

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Impermanência

"O mundo é fluído, a realidade não é permanente, ela não é fixa. Então, quando eu percebo esta impermanência, e também a inter-relação de tudo, eu me liberto. E o ruído da cidade, por exemplo, que seria um incômodo, se torna um instrumento de meditação e de reflexão." 
(Monja Coen Roshi)


Foto: Ricardo Takamura

Combatendo a resistência

Um profissional Certa vez, alguém perguntou a Somerset Maugham se ele  escrevia segundo um horário ou somente quando lhe vinha a  ins...