segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Pergunta: É a iluminação permanente?

foto: Eduardo Wermelinger

 A iluminação não é um espaço permanente se for a experiência da mente. 
Não é um espaço permanente, se for a experiência de uma pessoa. 
O que chamamos de iluminação não é para o ego, é do ego.
 Liberdade do ego não liberdade para o ego.

Mooji

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

SAMADHI DO ESPELHO PRECIOSO Hokyozanmai

       
 
Pantanal Mato Grosso do Sul - Brasil - foto Araquém Alcântara


O Darma do assim como é,

Budas Ancestrais cuidadosamente transmitem.

Agora você o encontrou

Preserve-o bem.

Uma bandeja de prata acumula branca neve.

Na luz do luar a nívea garça desaparece.

Parecem-se, mas não são iguais.

Juntando-as, sabemos que são.



A mente não se expressa em palavras

Mas elas encorajam àquele que procura.

Se excitado, você entra em uma armadilha.

Se se opuser, espere pela queda.



Afastar-se ou tocar:

Ambos errados.

É como fogo maciço.

Se o retratar com palavras elegantes,

O estará maculando.



No meio da noite, a correta luz.

No céu do amanhecer não aparece.

É a regra geral.

Usando-a, remove-se todo o sofrimento.



Mesmo sendo do mundo dos fenômenos

Esta narrativa não o é.

Mesmo sem ser da intenção

Este não palavras, não o é.



É como olhar no espelho precioso

Onde forma e reflexo se encontram.

Você não é ele,

Mas ele é tudo de você.



É como um bebê no mundo

Pleno de seus cinco sentidos.

Sem ir nem vir.

Sem se levantar e sem parar.



Gugu! Dadá!

Uma fala sem fala!

E nada compreendemos.

Sua fala ainda não é correta.



Como as linhas do hexagrama:

Relativo e absoluto se integram,

Sobrepostas tornam-se três.

A completa transformação as faz cinco.

Como o paladar da erva chissô,

Como as faces do diamante.



Dentro do absoluto

Todos os relativos se integram.

Perguntas e respostas

Caminham juntas.



Comunicar com a essência

É comunicar com o caminhar.

Inclui integração

E inclui o Caminho.

Em comunhão auspiciosa!

Não destrua isto!



A maravilhosa verdade do céu

Está além da questão de delusão ou Iluminação.

Quando causa e efeito chegam a termo,

Sua luz brilha naturalmente.



Nas coisas pequenas, ela é a menor de todas.

Nas coisas grandes, ela é ilimitada.

Basta um finíssimo fio de seda de diferença

Para que a harmonia se quebre.



Agora a escola em súbita e em gradual se biparte.

Estabelece bases seguindo estas regras.

Mas a prática diligente penetra o ensinamento

E a verdade continua a fluir incessantemente.



Por fora, tranquilos; por dentro, agitados.

Como um cavalo no cabresto ou rato acuado.

Os antigos sábios se apiedaram,

Oferecendo o Darma que leva à outra margem.

Seguindo pontos de vista errados,

Ao preto chamam de branco.

Exaurindo os falsos pensamentos,

A mente aberta aceita a si mesma.



Se desejar caminhar nas pegadas dos antigos,

Rogo que observe os exemplos de antanho.

Aproxime-se para realizar o Caminho de Buda.



Como por dez kalpas,

Observando uma árvore,

Como um tigre ferido

Ou como um cavalo manco.



Porque existem coisas inferiores,

Existem tesouros raros em pedestais,

Porque há coisas maravilhosas e estranhas,

Há gatos selvagens e vacas brancas.



O mestre arqueiro

Com o poder de sua técnica,

Pode atingir

Um alvo a uma centena de passos.





Mas quando duas flechas se encontram em pleno ar

Ponta com ponta,

Será somente a técnica

A responsável?



Ao mesmo tempo, o boneco de madeira canta,

A mulher de pedra se levanta e dança.

Apenas a mente comum

Admite este pensamento?



O servo atende ao seu senhor,

A criança obedece ao pai.

Se não houver obediência,

Não haverá respeito filial.

Se não houver serviço,

Não haverá atendimento.



Em segredo e misteriosamente,

Agindo como um tolo,

Atuando como um bobo,

Apenas o capaz de herdá-lo,

É chamado de mestre entre os mestres.






quarta-feira, 23 de novembro de 2016




foto: Luis Jungmann Girafa


"Bodisatva é aquele que 'arde em amor' em um mundo que não podemos consertar."
 (Dzigar Kongtrul Rinpoche)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

O Ponto de Estrangulamento do Medo

Foto: Lou Gaioto


As limitações da vida estão presentes na concepção. Os próprios fatores genéticos são limitações: somos do sexo masculino ou feminino, temos propensão a determinadas doenças ou fraquezas corporais. Todas as linhagens genéticas reúnem-se para produzir determinados temperamentos. É evidente a qualquer mãe com o feto em seu ventre, as tremendas diferenças que existem entre os bebês, antes mesmo de nascerem. No entanto, para a discussão que propomos, começaremos com o bebê ao nascer. Para os adultos, o recém-nascido parece aberto e não-condicionado. Durante suas primeiras semanas de vida, o imperativo do bebê é a sobrevivência. Basta ouvir um nenê recém-nascido berrando: é fácil perceber como o som atravessa a casa toda. Não consigo me lembrar de nada que tenha a mesma qualidade revolucionária que o choro de um recém-nascido. Quando ouço aquele som quero fazer alguma coisa, qualquer coisa, para interrompê-lo. Não leva muito tempo para o bebê aprender que, apesar de seus esforços incessantes, a vida nem sempre é agradável. Lembro-me de deixar meu filho mais velho cair de cabeça, quando tinha seis semanas. Pensei que eu era uma mãe nova muito esperta, mas ele estava ensaboado e…

Desde muito cedo, todos começamos a tentar nos proteger das ameaçadoras ocorrências que nos atingem com regularidade. Diante do medo que nos causam, começamos a nos contrair. A natureza aberta e espaçosa do início da vida vai se estreitando num funil dentro do gargalo do medo. Assim que aprendemos a falar, a rapidez dessa contração aumenta. Conforme nossa inteligência aumenta, o processo realmente toma-se mais veloz; então, não só tentamos manipular a ameaça, armazenando-a em cada célula de nosso corpo, como (através da memória) relacionamos cada nova ameaça a todas as anteriores e o processo forma-se de modo acumulativo.

Estamos todos familiarizados com o processo de condicionamento: imaginemos que, quando eu era bem pequena, um menino grande, forte, de 5 anos e cabelos ruivos, apoderou-se de meu brinquedo favorito. Fiquei apavorada e condicionada. Hoje, toda vez que uma pessoa ruiva passa pela minha vida fico inquieta por nenhum motivo aparente. Poderíamos dizer então que o condicionamento é o problema? Não, não exatamente. Mesmo quando repetido com freqüência, o condicionamento se esvai com o tempo.

Por essa razão, alguém que fala: “Se você soubesse o que minha vida tem sido, não é de espantar que eu esteja nessa bagunça; sou tão condicionado pelo medo, não tem jeito”. Essa pessoa não está captando o cerne do problema. O que é sem dúvida verdade é que nós todos somos constantemente condicionados e, sob a influência desses incidentes, revemos devagar nossas concepções a respeito de quem somos. Depois de termos sido ameaçados em nossa abertura e disponibilidade, decidimos que nosso ser mais autêntico é a contração do medo. Revejo minhas noções de pessoa e de mundo, e defino uma nova imagem de mim mesma; e, independente de essa imagem ser de conivência, de rebeldia ou de recolhimento, não faz muita diferença. O que difere é minha decisão cega de agora ter de corresponder a essa imagem contraída de mim mesma para poder sobreviver.

O ponto de estrangulamento do medo não é causado pelo condicionamento, mas pela decisão a meu respeito, tomada com base naquele condicionamento. Felizmente, como essa decisão é composta por pensamentos e reflete-se em contração corporal, ela pode ser minha mestra quando me experimento neste exato momento. Não necessito forçosamente de um conhecimento intelectual do que foi meu condicionamento, embora ele possa ser útil. O que de fato necessito é saber que espécies de pensamentos insisto em alimentar neste presente momento, hoje, e que contrações corporais exteriores, tenho exatamente, hoje. Ao atentar para os pensamentos e ao experimentar as contrações corporais (fazendo o zazen), o ponto de estrangulamento do medo fica iluminado. Ao fazer isso, minhas falsas identificações com um selflimitado (a decisão) aos poucos desaparecem . Posso ser cada vez quem sou de verdade. Um não-self, uma resposta aberta e disponível à vida. Meu verdadeiro self, desertado e esquecido há tanto tempo, pode funcionar agora, pois observo que esse ponto é uma ilusão.

Nessa altura vêm-me à mente dois famosos versos sobre um espelho (um de autoria de um monge que era especialista no Quinto Patriarca, e outro, de um anônimo que acabaria se tornando o Sexto Patriarca). Esses versos foram compostos de tal modo que o Quinto Patriarca deveria julgar se seu autor teria ou não alcançado a verdadeira realização. O verso do monge (aquele que não foi aceito pelo Quinto Patriarca como a verdade) afirmava que a prática consistia em polir o espelho; em outras palavras, removendo o pó de nossos pensamentos e ações ilusórios, o espelho poderia brilhar (estaríamos purificados). O outro verso (que revelou ao Quinto Patriarca o profundo entendimento do homem que seria escolhido como seu sucessor) afirmava que, desde o princípio, “não há espelho onde se mirar, não há espelho a ser polido, e não há onde o pó se apegar…”

Então, embora, o verso do Sexto Patriarca seja o entendimento verdadeiro, para nós o paradoxo é que temos de praticar com o verso que não foi aceito; precisamos mesmo polir o espelho; precisamos de fato tomar consciência de nossos pensamentos e atos; temos de nos conscientizar de nossas falsas reações à vida. Apenas agindo assim é que chegaremos a perceber que, desde o princípio, o ponto de estrangulamento do medo é uma ilusão. É óbvio que não temos de nos esforçar para nos libertar dela. Mas não podemos e não queremos saber disso até termos polido infatigavelmente o espelho que não existe.

Às vezes, as pessoas dizem: “Bem não há nada que precise ser feito. Nenhuma prática (polir) é necessária. Se você enxergar com suficiente clareza, tal prática não tem sentido”. É… porém nós não vemos com suficiente nitidez e, quando isso acontece, criamos um caos deslumbrado para nós e para os outros. É preciso de fato praticar, precisamos na realidade polir o espelho, até que possamos sentir em nossas vísceras a verdade de nossa vida. Assim, podemos enxergar que, já desde o início, nada era necessário.

Nossa vida sempre está aberta, disponível e útil. Contudo, não nos iludamos sobre quanta prática sincera devemos realizar antes de vermos tudo com a mesma clareza com que enxergamos nosso próprio nariz.

O que lhes estou apresentando é, sem dúvida, uma visão otimista da prática, embora haja ocasiões em que ela se tornará desestimulante e difícil. Outra vez, porém, a questão é: temos bastantes escolhas? Ou morremos — porque se permanecermos muito tempo entalados no ponto de estrangulamento do medo seremos estrangulados até a morte — ou lentamente conquistamos uma certa compreensão vivenciando o ponto e atravessando-o. Não creio que tenhamos tantas escolhas assim. O que vocês pensam?”

(Do livro “Sempre Zen” Por Charlotte Joko Beck)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Apenas seja grato dentro do seu coração


foto: Lou Gaioto

Você está sob a Graça, então "insights" irão surgir espontaneamente,
revelações irão surgir, reconhecimento irá surgir.

Para muitas pessoas, quando surge um poderoso insight, também surge uma poderosa realização ou reconhecimento - o que acontece?

Ele se mistura com algum ego, mas isto não é imediatamente visto.
Você não reconhece o coquetel envenenado e você diz: "Ah, sim, eu consegui."

Você engole um pouco de ego, e os dois irão permanecer juntos.
Os dois irão permanecer juntos por um tempo sem serem notados.

Você poderá sentir que está indo bem, você está falando muito bem com as pessoas, mas não irá mais longe que isso porque as ervas daninhas cresceram junto com as flores e elas começam a sufocar a flor.

Quando surge um insight, tenha muito cuidado.
Apenas seja grato dentro do seu coração e diga:
'Obrigado. Obrigado.'

Não se torne em alguma coisa ou pense que você agora é especial,
e o verdadeiro conhecimento irá florescer dentro de você.

Se você misturar ego com realização, ele irá sugar gradualmente a sua energia e você não irá crescer em poder e sabedoria porque a arrogância reivindica tudo.

No começo, é muito fácil o ego entrar despercebido.
Isto é devido à sua ingenuidade e talvez alguma arrogância.
Estes tornam-o cego. Uma vez que você esteja consciente disso,
você começa a ver o trabalho do ego muito mais facilmente.
Uma vez que ele fique exposto, ele não pode se esconder mais.
Então você pode vê-lo facilmente a chegar, "Ah, aqui vem o ego novamente. Ele quer ter o crédito novamente."

Onde estamos indo com tudo isto? Não transforme isto num teatro!
Permaneça no estado neutro como a própria consciência.

Isto é tudo! Continue a fazer isto e esse feitiço será quebrado.

(Mooji)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

A SEMENTE DE MOSTARDA



Certa vez, quando Xaquiamuni Buda discursava, uma mulher de nome Kisa Gotami correu para ele em grande desespero.
Em seus braços carregava uma criança. A mulher prostrou-se aos pés de Buda:
"Senhor eu vos imploro, dê-me um remédio para meu filho".

Contudo estava visível que a criança já estava morta.
Kisa Gotami havia ficado louca de dor e desvairada carregava o cadáver da criança para onde ia. Buda ficou em silêncio por algum tempo. Em seguida ele disse:
"Se você quer a cura da criança traga-me uma semente de mostarda da cidade, mas há uma condição. A semente de mostarda deve ser encontrada em uma casa na qual ninguém da família tenha morrido."

Kisa Gotami correu para a primeira casa e perguntou:
- Pode me dar uma semente de mostarda para que eu possa dar como remédio para meu filho?
- Claro que posso.
- E já morreu alguém nesta casa?
- "Ah! Sim", responderam. "Já morreram muitos."

Na próxima casa ela perguntou:
- Esta casa está livre da morte?
- Certamente não. Responderam. "Já morreram muitos nesta casa."

Em todos os lugares a resposta era sempre a mesma.
Então Kisa Gotami sentou-se e sua mente foi se tornando calma.
Ela pensou consigo mesma: "Será sempre a mesma resposta em toda casa. Buda sabia que seria assim".

E ela saiu da aldeia e foi para o cemitério. Ela enterrou a criança e pronunciou as seguintes palavras:
"O que é verdade para a aldeia é verdade para a cidade; O destino dessas pessoas não é somente delas, é para todo mundo, até para os devas no céu, esta verdade é imortal: todas
as coisas têm que morrer".

E então Kisa Gotami procurou o lugar onde o Buda estava meditando;
prestou-lhe homenagem e disse:
- "Senhor, o trabalho da Semente de Mostarda está feito. Não peço para recuperar meu filho, porque mesmo que pudesse recuperá-lo, ele morreria novamente. Ensine-me como encontrar dentro de mim mesma isso que nunca morre."

(Autor não mencionado).

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Para sempre






Quanto tempo praticar? Para sempre.

O primeiro estágio da prática é conscientizar-se de que estamos sempre pensando em como nossa vida deveria ser (ou como era antes).
O que há em nossa vida neste preciso momento que desejamos evitar?

Tudo que for repetitivo, monótono, doloroso ou infeliz; não queremos correr no lugar com isso. Não mesmo!

O primeiro estágio da prática é darmo-nos conta de que raramente estamos presentes, de que não estamos vivenciando a vida, de que estamos pensando sobre ela, conceituando-a, elaborando opiniões a seu respeito.

O componente primordial da prática é perceber até onde esse medo e essa pouca vontade nos dominam.

Se praticarmos com paciência e persistência, entraremos no segundo estágio.

Começamos aos poucos a tomar consciência das barreiras de ego existentes em nossa vida: os pensamentos, as emoções, as evasivas, as manipulações, a todas essas facetas podem ser agora observadas e objetivadas com mais facilidade.

Essa objetivação é dolorosa e reveladora, mas se prosseguirmos, as nuvens que obscurecem o panorama ficarão mais tênues.

E qual é o terceiro e crucial estágio curativo?

É a experiência direta de tudo que nos apresente a vida.

Tão simples assim? Sim.

Fácil? Não.

Jamais crescemos se sonhamos com um estado futuro maravilhoso ou lembrando feitos passados. Crescemos sendo o que somos e estando onde estamos, vivenciando nossa vida tal como ela é, exatamente agora. Precisamos experimentar nossa raiva, nosso pesar, nossos fracassos, nossa apreensão, e eles podem ser nossos professores, quando não nos afastamos deles. Quando fugimos do que nos é dado, não podemos aprender tampouco crescer. Isso não é nada difícil de entender, embora seja difícil de executar. Os que persistem, contudo, serão os que crescerão em seu entendimento e em sua compaixão.

Por quanto tempo é necessária essa prática? Para sempre.

(Charlotte Joko Beck)

segunda-feira, 29 de agosto de 2016




Brasília - foto de Luis Julgmann Girafa


"Mantenha sua prática diária curta e simples.
Mas faça-a.

É a continuidade que é importante."

(Tenzin Palmo)

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

As ondas mentais




"Uma vez que desfrutamos todos os aspectos
da vida como um desdobramento da mente grande,
não precisamos ir em busca de uma alegria excessiva.
Assim, nossa serenidade é imperturbável."

Foto: Araquém Alcântara


Quando estiver praticando zazen, não tente deter seu pensamento.
Deixe que ele pare por si mesmo. Se alguma coisa lhe
vier à mente, deixe que entre e deixe que saia. Ela não permanecerá
por muito tempo. Tentar parar o pensamento significa que
você está sendo incomodado por ele. Não se deixe incomodar
por coisa alguma. Pode parecer que essa coisa vem de fora mas,
na verdade, são apenas as ondas de sua mente e se você não se
deixar incomodar por elas, gradualmente se tornarão mais e mais
calmas. Em cinco ou dez minutos, no máximo, sua mente estará
calma, serena. Sua respiração então se tornará mais lenta e a
pulsação, um pouco mais acelerada.



Leva um certo tempo até que a mente se acalme durante
sua prática. Surgem muitas sensações, muitos pensamentos ou
imagens, mas são apenas ondas da própria mente. Nada vem de
fora dela. Em geral, pensamos que nossa mente recebe impressões
e experiências do exterior, mas isso não é uma compreensão
correta da nossa mente. A verdade é que a mente inclui tudo;
quando pensamos que algo surge de fora, isso quer dizer somente
que algo surge na nossa própria mente. Nada exterior a si
mesmo pode perturbá-lo. E você mesmo que cria as ondas da
mente. Se deixar a mente como ela é, ela se tornará calma. Esta
é a chamada mente grande.



Quando a mente está vinculada a algo fora dela própria, trata-
se da pequena mente, uma mente limitada. Se sua mente não
estiver vinculada a nada, então não haverá mais compreensão
dualista na atividade de sua mente. Compreenderá que a atividade
não é mais do que ondas da sua mente. A mente grande
experimenta tudo dentro de si própria. Percebe a diferença entre
ambas? A mente que tudo inclui e a mente ligada a alguma
coisa em particular? Na verdade, elas são a mesma coisa, a
compreensão é que é diferente, e sua atitude perante a vida será
diferente de acordo com a compreensão que você tiver.



Que tudo esteja incluído na mente é a essência da mente; e
a experiência disto é a posse do sentimento religioso. Embora as
ondas surjam, a essência da sua mente é pura, como água clara
com poucas ondas. Na verdade, a água tem sempre ondas. Elas
são a prática da água. Falar de ondas separadas da água, ou da
água separada das ondas, é uma ilusão. Água e ondas são uma
só coisa. A grande e a pequena mente são uma só. Quando você
entender sua mente desta maneira, terá alguma segurança em
seus sentimentos. Como sua mente nada espera de fora, ela está
sempre completa. Uma mente com ondas não é uma mente perturbada e sim ampliada. Qualquer coisa que você experimente é
uma expressão da mente grande.




A atividade da mente grande é ampliar a si mesma através
das diversas experiências. Em certo sentido nossas experiências,
ocorrendo uma a uma, são sempre frescas e novas, mas em outro
sentido não passam de um contínuo e repetitivo desdobramento
da mente grande. Por exemplo, se há algo bom para o
desjejum, você dirá "isto é bom". O "bom" provém de alguma
coisa experimentada há tempos, ainda que você não lembre quando.


Com a mente grande, nós aceitamos cada experiência do
mesmo modo que reconhecemos a face que vemos no espelho
como a nossa própria face. Para nós, praticantes, não existe o
medo de perder essa mente. Não há qualquer lugar, nem para
onde ir, nem de onde voltar; não existe medo da morte, do sofrimento da velhice ou da doença. Uma vez que desfrutamos todos os aspectos da vida como um desdobramento da mente grande, não precisamos ir em busca de uma alegria excessiva. Assim, nossa serenidade é imperturbável, e é com essa imperturbável serenidade da mente grande que praticamos zazen.

(Mente Zen, Mente de Principiante - SHUNRYU SUZUKI)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Monja Coen em Brasília




Palavras do Darma



Bahia - Brasil - foto de Araquém Alcântara


É bom conhecer nossos limites.
Para não nos ferirmos nem ferirmos os outros.

Mas, ao mesmo tempo, temos de atravessar o muro, o ponto da ruptura entre o possível e o sonho.

(Palavras do Darma - Monja Coen)

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O que você diria a alguém que acabou de ser diagnosticado com câncer?





O que diríamos a nós mesmos, se estivéssemos nessa situação?
Foto: Lou Gaioto

O que estamos confrontando exatamente nessa experiência? Ou no que pensamos a respeito dessa experiência? O que está implícito, ou achamos que está implícito?

A mente em paz, a mente “curada”, a mente sem apegos a conceitos é o caminho, diz Katie. “Até a mente estar em paz, nada está curado“, diz ela.

Como diria o monge sábio budista do Século VIII, Shantideva, “além de domar a mente, o que há?“.

Segue a resposta de Katie à pergunta sobre o diagnóstico.

Amigo: O que você diria a alguém que acabou de ser diagnosticado com câncer?

Byron Katie: “Trabalho com a mente porque o corpo vai morrer de qualquer maneira, seja câncer ou não câncer. Não há um conceito mais poderoso do que outro. É o apego que nós colocamos nele — esse é o engano que está colocado. Se você estiver trabalhando com a mente e tiver clareza, então você sabe que se você ingerir grama de trigo, o pior que pode acontecer é um conceito. E você sabe que se você não ingerir grama de trigo ou quimioterapia, o pior que pode acontecer é um conceito.

Então, apenas lide com os conceitos e vá em paz. Você consegue o melhor médico do mundo e o remédio não funciona — às vezes parece funcionar — às vezes não funciona. Mas o pior que pode acontecer em ambos os casos é nada ser curado. Você percebe? Até a mente estar em paz, nada está curado.

Para usar uma outra metáfora — quebrar minha perna quando eu quero ir esquiar pode ser mais doloroso do que seu câncer. E não estou falando sobre a dor da perna sendo quebrada. É meu desejo de esquiar. O que isso poderia me trazer pode ser mais doloroso do que seu câncer no momento, porque eu poderia contar a história do que eu perdi, e a história do que eu perdi pode ser igualmente tão dolorosa no momento. Então o pior que pode acontecer em qualquer momento é uma mente não-curada. E uma mente não-curada para mim é uma que simplesmente não foi percebida com compreensão, compaixão, amor. Encontre o que aparece desse jeito. E então tudo mais tem que seguir porque não é real; é uma imagem refletida. Exatamente como os conceitos, que não são reais.”


— Byron Katie, em “Losing the Moon”, pgs 6
(Texto extraído do Dharmalog.com)

quarta-feira, 27 de julho de 2016

GYO HATSU NENJU - INVOCAÇÃO DAS REFEIÇÕES

Nehan Sesshin 2014 - Vila Zen/RS - foto: Rica Retamal




(Antes de Abrir os Oryoki)

Todos:
Buda Nasceu em Kabira
Tornou-se o Caminho em Makada
Pregou em Harana
Morreu em Kuchira
Oryoki do Tatagata
Eu agora abro nesta sala seus benefícios
Oferecendo preces a todos os seres para a
Igualdades nas três Rodas e tranqüilo vazio

Ino:
Reverenciando os três tesouros
Honrando o selo da sabedoria
Entoemos todos juntos ao venerável

Todos:
Ilimitado Dharmakaya Vairoshana Buda
Completo Sambogakaya Lochana Buda
Manifesto Nirmanakaya Xakyamuni Buda
Futuro Maitreia Buda
Todos os Budas através do espaço e do tempo
Sutra Mahayana da Flor de Lótus
Bodisatva da Grande Sabedoria Manjusri
Bodisatva da grande Prática Fuguen
Bodisatva da Grande Compaixão Kanzeon
Todos os Bodisatvas Mahasatvas
Maha Prajna Paramita

(de manhã)
Ino:
Que este alimento de dez méritos
Nos dê saúde física e mental
Para prosseguirmos na prática pura

(no almoço)
Ino:
Que as três virtudes e seis sabores
Sejam ofertadas a todos no mundo do Darma
E igualmente a todas as formas de vida

(Em todas as refeições)
Todos:
Primeiro,
Inumeráveis trabalhadores nos trouxeram esta comida
Devemos saber como chega até nós

Segundo,
Devemos considerar se nossa virtude e
Prática a merecem

Terceiro,
Como desejamos a condição natural da mente
Para estar livre de apegos
Precisamos estar livres da ganância

Quarto,
Como um bom remédio
Para manter nossas vidas
Aceitamos esta comida

Quinto,
Para nos tornarmos O Caminho
Agora comemos esta comida

(No almoço – ao fazer a pequena oferta)
Todos:
Igualmente a todos os espíritos insaciáveis
Faço agora esta oferta
É alimento nas dez direções
Para satisfazer todos os espíritos famintos

(Em todas as refeições)
Todos:
A parte superior para os Três Tesouros
A parte do meio para os Quatro Veneráveis
A parte inferior para os Seis Mundos
Assim comemos com todos
Primeiro, para extinguir o mal
Segundo, para praticar o bem
Terceiro, para salvar todos os seres
E nos tornarmos o Caminho de Buda


(Após lavar os Oryokis)
Todos:
A água com que lavamos
Tem o sabor do néctar celestial
Oferecemos aos espíritos insaciáveis
Para que completamente sesaciem
ON MAKURASAI SOWAKA

(Para finalizar, com os Oriokis fechados)

Ino
O mundo é vazio como o céu
A Flor de Lótus não se suja com o lodo
Nossas mentes devem ser assim puras
Ao reverenciarmos O Mais Honrado

terça-feira, 26 de julho de 2016

Respiração - Shunryu Suzuki




"Aquilo que chamamos 'eu' não é mais do que uma porta de vaivém, que se move quando inalamos e quando exalamos."

Foto: Araquém Alcântara - Santa Catarina - Brasil


Quando praticamos zazen, nossa mente sempre segue a respiração. Quando inalamos, o ar entra em nosso mundo interior. Quando exalamos, o ar sai para o mundo exterior. O mundo interior não tem limites e o mundo exterior também é ilimitado. Nós dizemos "mundo interior" e "mundo exterior", mas, na verdade, só há um único mundo. Nesse mundo sem limites, a garganta é uma espécie de porta de vaivém. O ar entra e sai como alguém passando por uma porta de vaivém. Se você pensa "eu respiro", o "eu" está a mais. Não há um você para dizer "eu". O que chamamos "eu" é apenas uma porta de vaivém que se move quando inalamos e exalamos. Ela simplesmente se move, eis tudo. Quando sua mente está pura e calma o suficiente para seguir esse movimento, não há nada: nem "eu", nem mundo, nem mente, nem corpo. Só uma porta que vai e vem.





sexta-feira, 22 de julho de 2016

Jizo Bosatsu


foto: Araquém Alcântara


Seu nome é Jizo Bosatsu.
Sua função: salvar a terra e levar todos os seres do mar do sofrimento para a praia segura e tranquila do Nirvana. Pode surgir nas mais diversas formas e aparências. Pode penetrar o inferno mais profundo e todos os locais de grande sofrimentos. Pode estar no céu mais elevado e em todos os lugares onde há alegria.

Não é uma pessoa, um santo. Não foi uma virgem, uma freira, uma santa. Bosatsu pode ser qualquer um de nós, quando somos capazes de nos igualar aos nossos irmãos, companheiros de jornada, filhos todos da terra amada. Quando somos capazes de sofrer e de chorar, de rir e de amar, sem exclusão. Quando somos capazes de criar condições para que todos possam ter dignidade.

(Palavras do Darma - Monja Coen)

terça-feira, 19 de julho de 2016

SUTRA DA FLOR DE LÓTUS DA LEI MARAVILHOSA (CAP XXV) POEMA DO PORTAL UNIVERSAL DE KANZEON BODISATVA


Foto: Araquém Alcântara - Cubatão/SP

 Honrado do Mundo, possuidor de todos os sinais sutis,
Novamente permita-me perguntar sobre os
relacionamentos desta Criança-Buda
Por que razão é chamada de Kannon?
e Buda respondeu:

Ouçam ! Kanzeon pratica o bem
em todos os locais e direções.
Fez um voto vasto e profundo como os oceanos,
inconcebível na sua eternidade.
Foi ao servir infinitos Budas que despertou
para este juramento de grande pureza.
Deixe-me brevemente explicá-lo:

Quem ouve seu nome, vê sua presença
e sempre o mantém no coração e na mente,
poderá terminar com as tristezas da vida.
Se alguma força do mal o jogar numa fogueira,
pensar no poder de Kannon,
transformará a fogueira em água.

Se no grande oceano, entre perigos de peixes,
dragões e demônios,
pensar no poder de Kannon,
as ondas não o poderão submergir.

Se do topo do Monte Sumeru,
pessoas quiserem empurrá-lo,
pensar no poder de Kannon,
o fará pousar estaticamente, assim como o sol.

Se perseguido por seres ferozes
e jogado do Monte do Diamante,
pensar no poder de Kannon,
fará com que nenhum fio de cabelo seja tocado.
Se encontrar loucos com espadas querendo feri-lo,
pensar no poder de Kannon,
todos os seres insanos se dirigirão à bondade.

Se encontrar sofrimento imposto pelas leis,
a vida para ser executada,
pensar no poder de Kannon,
faz com que a arma de execução
se parta em pedaços.

Se aprisionado, encurralado, acorrentado,
pernas e braços algemados,
pensar no poder de Kannon,
o libertará completamente.

Se for encantado ou envenenado,
alguém quiser ferir seu corpo,
pensar no poder de Kannon,
tudo reverterá à pessoa de origem.

Se ameaçado por hakshanas malvados,
dragões venenosos e demônios,
pensar no poder de Kannon,
fará com que ninguém possa feri-lo.

Se perseguido por bestas ferozes,
presas aguçadas e garras apavorantes,
pensar no poder de Kannon,
instantaneamente ao som de sua voz, eles fogem.

Trovões e raios, tempestades e furacões,
pensar no poder de Kannon,
todos se dispersam.

Se vivos, porém esmagados e perturbados,
oprimidos por dores infinitas,
Kannon, com o poder de sua sabedoria maravilhosa,
poderá salvar este mundo do sofrimento!


Perfeito em poderes sobrenaturais.
Praticando amplamente com sabedoria e tato.
Nas terras do universo não há um lugar
onde não se manifeste.

Todos os estados negativos da existência,
inferno, fantasmas, animais,
sofrimentos de nascimento, velhice, doença e morte,
Todos gradativamente serão terminados!

Verdadeiro observar, observar sereno,
observar de sabedoria de longo alcance,
observar de misericórdia,observar de compaixão.
Tanto esperado, tanto esperado!

Pura e serena em radiância.
A sabedoria do sol destruindo as escuridões,
controlador de tempestades e incêndios,
que ilumina todo o mundo,
lei de piedade, tremor do trovão!

Compaixão maravilhosa, como uma grande nuvem,
caindo simultaneamente chuva espiritual como néctar,
apagando as chamas da tristeza!

Em disputas frente a um magistrado,
ou com medo no campo de batalha,
se pensar no poder de Kannon,
todos os seus inimigos se renderão!

Sua é a voz maravilhosa,
voz de observador dos sons do mundo,
voz de Brahman, voz de maré crescente,
voz de todo o mundo!
Sempre para ser relembrada,
sem nenhum pensamento de dúvida.
Observador dos lamentos do mundo,
puro e santo, em dor, tristeza, morte e calamidade,
capaz de ser alívio e salvação íntegros.

Perfeito em todos os méritos,
com olhos de compaixão, observando a todos.
infinito oceano de bênçãos!
Quiçá poder reverenciá-lo.
Então o Bodhisatva Protetor da Terra
levantou-se e indo em frente a Buda, disse:

 "Honrado do Mundo!
Saiba que não são poucos os méritos daqueles
que ouvirem sobre as atividade superiores
e os poderes transcendentais, em todas as direções,
do Bodhisatva Kannon aqui entoados."

 Ao escutar a explicação de Buda,
os oitenta e quatro mil presentes na Assembléia
elevaram seus corações à Iluminação incomparável
obtendo a mente ANOKUTARA SAN MYAKU SAN BODAI

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Nada é por acaso

Foto: João Antônio

Mesmo que, por vezes, você sinta ter feito a pior coisa que se possa imaginar, ou que o mundo inteiro está contra você ou o rejeita. Mesmo que sinta que ninguém entende você, o ama ou aceita, não confie inteiramente em sua mente. Não pense que ela está do seu lado.


Saiba isto:

Você nunca tem que pedir desculpas pela sua existência. 


Você não está aqui por acaso, mas pela vontade e amor do Senhor Supremo do Universo.

Você não está apenas "vivendo" a vida; você é a própria Vida e também a testemunha da vida.

Todos os desafios na vida surgem para motivar, amadurecer e direcionar a sua mente para a verdadeira sabedoria. Assim, ao abrir o seu coração para a Verdade, eles estimulam e inspiram você a ir além do ego inibido e pessoal e de suas projeções, equívocos e falsas crenças.
Em última análise, os desafios levam você, através da Graça, a descobrir a sua verdadeira natureza e Ser como Consciência eterna.

(Mooji)

terça-feira, 12 de julho de 2016

Palavras do Darma - por monja Coen




Foto: Lou Gaioto


Não são os outros que estão errados

Quando percebemos qual é o nosso mecanismo, começamos a querer olhar para dentro, a nos estudar. A nossa tendência de repetir o erro é muito grande, de repetir o sistema de proteção que criamos desde a infância. Ficamos rígidos dentro dele, o mundo mudou, agora somos outros seres. Já nos propomos a uma cultura de paz e de não violência, de inclusão, de aceitação e de flexibilidade com as circunstâncias, e mesmo assim ficamos rígidos nesse sistema.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Iluminação


foto: Lou Gaioto


"Não se enganem - a iluminação é um processo destrutivo. Não tem nada a ver com tornar-se melhor ou ser mais feliz. Iluminação é o desmoronar do falso. É ver através da fachada da pretensão. É a completa erradicação de tudo o que imaginamos ser verdade."


Adyashanti

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Meditação, a chave mestra



Zazen - Zendo Brasília - foto: Cristina Maciel



A meditação é essa clareza absoluta de visão. É impossível pensar sobre ela. Na verdade, você tem que parar de pensar. Agora, quando digo “parar de pensar”, não vá tirando conclusões apressadas, pois isso é apenas o tipo de linguagem que preciso usar para me expressar. Se eu disse “pare de pensar”, e você já for logo fazendo um esforço nesse sentido, terá errado o alvo, pois mais uma vez terá reduzido a meditação a uma ação.

“Parar de pensar” significa apenas isto: não faça nada. Sente-se. Deixe que os pensamentos se aquietem por si mesmos. Deixe que a mente repouse por conta própria. Apenas sente-se num local silencioso, sem fazer absolutamente nada. Relaxado, tranquilo, sem nenhum esforço; sem ir a lugar algum. É como se você estivesse pegando no sono acordado — embora esteja desperto, todo o seu ser vai relaxando. Você permanece alerta por dentro, mas o seu corpo caminha para um profundo relaxamento.

Os pensamentos se aquietam por si mesmos, você não precisa interferir para tentar silenciá-los. Por exemplo, se a água de um riacho está lamacenta, o que você faz? Você pula dentro da água para ajudá-la a ficar cristalina? Claro que não — isso apenas iria torná-la mais lamacenta. Você simplesmente senta-se na margem e espera. Pois não há nada que você possa fazer; qualquer coisa que fizer deixará a agua ainda mais turva. Se alguém cruzar o riacho e as folhas mortas vierem à superfície junto com a lama, tenha paciência. Simplesmente sente-se na margem. Observe com tranquilidade. O riacho continuará fluindo, as folhas serão levadas pela corrente e, aos poucos, a lama irá assentando no fundo, pois não pode flutuar a vida toda. Então, após algum tempo, subitamente você vai perceber que a água está cristalina de novo.

Sempre que um desejo passa por sua mente, as águas ficam turvas. Portanto, apenas sente-se. Não tente fazer nada. No Japão, este “sentar-se sem fazer nada” é chamado zazen. Apenas sente-se, sem fazer nada; e, um dia, a meditação acontecerá. Não é você que a trará; na realidade, é ela que virá até você. E, quando vier, você irá reconhecê-la imediatamente. O fato é que ela sempre esteve aí, só que você não estava olhando na direção correta. O tesouro sempre esteve com você, mas você estava ocupado com outras coisas: pensamentos, desejos, mil e uma coisas. Você não estava interessado na única coisa que realmente importa: o seu próprio ser.

Quando sua energia se volta para dentro — aquilo que Buda chama de parabvrutti, o retorno da sua energia à fonte — subitamente a clareza é alcançada. Aí, então, você pode enxergar nuvens a milhares de quilômetros, e pode ouvir a antiga música das árvores. A partir desse momento, tudo fica ao seu alcance.

(do livro “Vivendo Perigosamente: A aventura de ser quem você é”. Por Osho- compartilhado do site dharmanet).

Combatendo a resistência

Um profissional Certa vez, alguém perguntou a Somerset Maugham se ele  escrevia segundo um horário ou somente quando lhe vinha a  ins...