quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Um olhar sobre Mahatma Gandhi - por Sadhguru



Desenho: blog Isha.sadhguru.org. 







Sadhguru: coisas incríveis são feitas no mundo simplesmente por compromisso. Um excelente exemplo é o de Mahatma Gandhi. Se você olha esse homem, ele não era talentoso ou nada especial, por favor, veja. Quando criança, ele não mostrou grande potencial. Ele não era extraordinariamente inteligente. Ele não era um artista, cientista, nem mesmo um bom advogado. Ele não conseguiu praticar como advogado na Índia, e é por isso que ele foi para a África do Sul para uma oportunidade melhor. Mesmo lá, ele não teve muito sucesso. Mas de repente, o homem se comprometeu com algo. Ele ficou tão comprometido que se tornou um gigante.


Mahatma Gandhi


Lembro-me do que ele escreveu sobre seu primeiro caso em um tribunal na Índia - ele levantou-se para discutir seu caso e seu coração afundou em suas botas. Isso soa como Mahatma Gandhi? O homem passou a mover milhões de pessoas. Com apenas um incidente em sua vida, de repente todas as suas identidades quebraram.

Ele tinha ido a África do Sul para ganhar a vida e ele estava bem como advogado. Um dia ele comprou um bilhete de primeira classe em um trem, entrou e percorreu alguma distância. Na próxima estação, entrou um sul-africano branco. Este homem não gostava de uma pessoa de pele marrom sentada em primeira classe, então ele chamou o coletor de bilhetes. O coletor de bilhetes disse: "Sai!", Mahatma Gandhi disse: "Eu tenho um bilhete de primeira classe".


"Não importa, apenas saia".

"Não, eu tenho um bilhete de primeira classe. Por que eu deveria sair? "


Eles jogaram Gandhi fora do trem junto com sua bagagem e ele caiu na plataforma. Ele ficou sentado por horas. "Por que isso aconteceu comigo? Comprei um bilhete de primeira classe. Por que fui jogado fora do trem? ", Pensou. Foi então que ele se identificou com a maior dificuldade das pessoas. Até então, sua sobrevivência, lei e ganhar dinheiro eram importantes para ele. Mas agora, ele se identificou com um problema muito maior que existia. Ele apenas quebrou essa pequena identificação e mudou-se para uma identidade muito maior.

Se estamos realmente empenhados em tudo o que assumimos em nossa vida, os resultados são abundantes.

Muitos humanos que são historicamente conhecidos como grandes seres; Isso é tudo o que aconteceu com eles. Eles estavam vivendo com uma identificação limitada. De repente, ocorreu um evento que quebrou suas identidades e eles conseguiram se relacionar com um processo maior que acontece ao redor deles. Eles fizeram coisas que eles próprios não podiam imaginar.

Gandhi moveu milhões de pessoas assim. Não só na Índia, em qualquer lugar do mundo, você toma o nome do Mahatma e há uma sensação de respeito. Tudo isso aconteceu em um momento em que havia tantos líderes que eram verdadeiros gigantes na Índia. Eles eram mais talentosos, melhores oradores e mais educados. No entanto, esse homem estava acima de todos eles, simplesmente por causa de seu compromisso.

O que quer que aconteça, a vida ou a morte, o compromisso não deve mudar. Verdadeiramente comprometido, você se expressa totalmente, de todas as maneiras possíveis. Quando falta o compromisso, em algum lugar você perde seu propósito. Quando a finalidade de por que estamos aqui está perdida, não há dúvida de cumprir nossos objetivos, não é?

Então, estar comprometido é apenas algo que temos que decidir dentro de nós mesmos. Se estamos verdadeiramente empenhados em tudo o que assumimos em nossa vida, os resultados são abundantes, você sabe? Se os resultados não vierem, para uma pessoa comprometida não existe tal como falha. Se eu cair 100 vezes por dia, o que fazer? Levante-se e ande novamente, só isso.

Compromisso não significa agressividade; isso deve ser entendido. É aqui que o exemplo de Mahatma Gandhi é tão apto. Ele estava comprometido com a luta da liberdade da Índia, mas ao mesmo tempo ele não estava contra o povo britânico. Essa foi a melhor parte, não foi? Isso mostra a maturidade do homem.

(texto retirado de http://isha.sadhguru.org)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O Dhammapada - O Nobre Caminho do Darma de Buda



foto: Marcelo Kogetsu



Fácil é praticar o mal; as ações prejudiciais vêm com facilidade. Extremamente difícil é fazer o bem e o salutar. (163)

O mal é feito pelo eu que a partir de si mesmo se contamina. O mal é desfeito pelo eu que a partir de si mesmo se purifica. Cada qual é responsável por sua própria pureza e impureza. Ninguém pode purificar a outrem. (165)

Ninguém deveria negligenciar o seu próprio bem moral em função dos outros. Aprenda primeiro antes de pretender ensinar. Que cada um adote a sua própria verdade e dedique a si mesmo a sua realização. (166)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Respiração



beija flor - google

"Nossa energia vem, basicamente, da respiração. Se o cérebro não recebe a quantidade certa de oxigênio, não temos a energia vital suficiente para nos desenvolver e mudar."

(David Frowley)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Yoga

flor do cerrado - google

A Yoga é um método para restringir a turbulência natural dos pensamentos. Estes, se não forem dominados, impedem todos os homens , imparcialmente, em todas as terras, de vislumbrar sua verdadeira natureza, que é Espírito. Como a luz curativa do sol, a yoga é benéfica tanto para os orientais como para os ocidentais. Os pensamentos da maioria das pessoas são inquietos e caprichosos; é patente a necessidade da yoga: a ciência do controle da mente. O antigo rishi Patanjali define yoga como "neutralização das ondas que se alternam na consciência".

(Paramahansa Yogananda - Autobiografia de um Iogue)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O Nobre



flores do cerrado - google

Aquele que é inofensivo, que não fere nem causa ou incentiva a morte de qualquer ser, fraco ou forte, a este eu chamo de nobre.

Aquele que é amável entre os hostis, suave entre os agressivos e livre de ambições entre os que cobiçam, a este eu chamo de nobre.

Aquele cuja luxúria, má vontade, orgulho e ingratidão tenham caído, assim como a semente de mostarda cai da ponta de uma agulha, a este eu chamo de nobre.

Aquele cujas palavras são gentis, instrutivas, verdadeiras e inofensivas, a este eu chamo de nobre.

(O Dhammapada)

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Meditação - por Sadhguruji


Essencialmente, a meditação significa experiencia em perceber que você não é uma bolha individual - você é um universo.
(citação mística de Sadhguru)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Paz

Muitos problemas que estamos  enfrentando é da nossa própria criação. E aqui há uma grande contradição, porque ninguém quer um problema, mas nós mesmos criamos um monte de problemas com as emoções. Emoções positivas e emoções destrutivas, criadas pelo homem. Raiva, ciúmes estão relacionadas com a sensação de auto-centramento, atitude egocêntrica. Aí vem o medo que cria a irritação e a irritação cria raiva, e raiva, por sua vez, cria violência. Portanto, quando falamos de paz, devemos alcançar a paz interior. A paz elimina a raiva, a paz cria genuína compaixão que elimina a violência.

(Dalai Lama)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Poema do arrependimento

Foto: Lou Gaioto




Todo carma prejudicial alguma vez cometido por mim, desde tempos imemoriáveis

Devido à minha ganância, raiva e ignorância sem limites

Nascido de meu corpo, boca e mente

Agora, de tudo, eu me arrependo.



Desde a época de Xaquiamuni Buda esse poema tem sido entoado de quinze em quinze dias, nas luas cheias e luas novas de cada mês.

É um momento de reflexão profunda sobre a nossa responsabilidade.

Somos responsáveis por nossas ações, palavras e pensamentos.

Podemos ter ações, palavras e pensamentos Buda - isto é, com discernimento correto, sabedoria, compreensão profunda da realidade - ou não.

É preciso acordar para a mente à procura da Iluminação, a mente à procura dessa sabedoria, dessa compreensão clara e profunda da realidade.

Tendo acordado para essa mente, precisamos continuar a prática incessante Buda. Falhamos. Assim, de tempos em tempos nos arrependemos e nos comprometemos a nos transformar. Ao menos fazer o esforço de corrigir nossos erros e faltas.

O arrependimento nos purifica e torna acessível a pureza ilimitada e a mente iluminada.

Logo, repita três vezes o poema do Arrependimento e, do seu mais intimo e verdadeiro estado, penetre o Caminho de Buda.

Mãos em prece
Monja Coen

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O JUSTO

Não é justo o homem que julga impulsivamente, mas sim aquele que sabe distinguir entre o que é verdadeiro e o que é falso. 
Crianças Guarani Kaiowá/MS, foto Egon Heck

Qualquer um que guiar os outros apropriadamente, sem uso de força ou violência, como um guardião da justiça será chamado de sábio.

Um homem não é sábio por causa da sua eloquência. Mas aquele que é seguro, destemido e sem ódio, este sim, é um sábio.

Ele não é sábio apenas por ficar em silêncio; ele pode ser tolo e ignorante. Aquele que é ponderado e compreensivo, valorizando o bem e rejeitando o mal, este é sábio e por esta razão é chamado "sábio". Aquele que, em silêncio, medita na vida interior e exterior, tendo escolhido o bem em detrimento do mal, deve ser chamado "sábio". 

Nenhum homem pode ser considerado Nobre se prejudica os seres viventes. Apenas exercendo a inofensividade, a não violência, perante os seres viventes, poderá um homem ser considerado um verdadeiro Nobre. 

(Dhammapada)

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Criança Guarani Kaiowá/MS - foto Egon Heck

"Serás capaz de unificar a sua força e conseguir a delicadeza de uma criança? "
Lao-Tzu, Tao-Te King

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Zazen


Foto: monja Coen e comunidade Zendo Brasil/SP - via google


Quando praticamos o zazen, não é a mente grandiosa que está realmente controlando a mente pequena, mas o que acontece é que depois que a mente pequena se aquieta, a mente grandiosa inicia sua verdadeira atividade. 

(Shunryu Suzuki)

sexta-feira, 21 de julho de 2017



Não dê ouvidos às palavras indignas ditas pelos outros. Não se preocupe com aquilo que foi realizado ou não realizado pelos outros. Observe apenas as suas próprias ações e omissões.

(O Dhammapada)

segunda-feira, 17 de julho de 2017


foto: blog Sadhguruji

Não existe tal coisa como a vida e a morte. Não é vida nem morte - é apenas uma peça de teatro de todas essas coisas.
(Sadhuguru)

quarta-feira, 12 de julho de 2017


google


Uma única e sábia palavra que leve paz ao ouvinte é melhor do que um discurso de mil palavras vazias.

(Dhammapada - O Nobre Caminho do Darma de Buda)

segunda-feira, 10 de julho de 2017


Imagem: blog Sadhguru



Não tente se tornar um Buda. 

Seja você mesmo.

Esse é o Buda.
(Mooji)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

Sorria

Crianças indianas - Google


Quando você se levanta de manhã, a primeira coisa que você deve fazer é sorrir. A quem? Ninguém. Porque apenas o fato de você ter acordado não é uma coisa pequena. Muitos milhões de pessoas que dormiram ontem à noite não acordaram hoje, mas você e eu acordamos. Não é ótimo que você tenha acordado? Então, sorria porque você acordou. Então olhe em volta e, se houver alguém, sorria para eles. Para tantas pessoas, alguém querido para eles não acordou hoje de manhã. Todo mundo que é querido para você acordou - Uau! É um ótimo dia, não é? Então, saia e veja as árvores. Eles também não morreram ontem à noite.


Você pode pensar que isso é ridículo, mas você saberá a realidade quando alguém querido por você não acorda. Não espere até então para perceber o valor dela. Não é algo ridículo, esta é a coisa mais valiosa - que você está vivo e tudo o que é importante para você está vivo. Quando nesta noite desastrosa tantas pessoas não acordaram e os entes queridos de tantos outros não acordaram, você e seus entes queridos acordaram. Não é um evento fantástico? Aprecie e sorria pelo menos. Aprenda a olhar algumas pessoas com amor.


Lembre-se de sorrir!



Para muitas pessoas, leva apenas uma hora para esquecer tudo isso e, muito em breve, seu cérebro reptiliano quer morder alguém. Então, dê uma dose uma vez por hora - uma lembrança do valor da vida. Se você é muito insensível, lembre-se a cada meia hora. Se você é horrivelmente insensível, lembre-se a cada cinco minutos. Demora apenas dez segundos para se lembrar. Você poderia fazê-lo em apenas dois segundos também - "Estou vivo, você está vivo. O que mais?"

(Sadhguru)

terça-feira, 20 de junho de 2017

Ensinamentos

Estamos procurando métodos para que possamos nos dissolver em Deus, para que possamos experimentar algo maior que nós mesmos. (Sadhguru)

Desfrute o medo, ele é uma criação sua. (Sadhguru)








Está na hora do despertar da humanidade.

Que haja discernimento correto na opção da vida.

Que conheçamos os três venenos temíveis a serem evitados: a ganância, a raiva e a ignorância, nos seus disfarces mais variados.
A maioria de nós demora a perceber o próprio envenenamento.
Devem ser apiedadas, orientadas e não apedrejadas.

Não queimem bandeiras.
Não joguem pedras.
Não gritem insultos.
Não condenem pessoas, mas situações.
Podemos juntos transformar a maneira de ser dos habitantes da Terra.
Com isso modificaremos o habitat.
Faremos daqui o local, não da espera, mas do chegar.
Onde se fica bem.
Onde a vida cuida com cuidado uns dos outros.
No afago ao recém nascido
A benção da esperança.
Tudo será diferente,
Pois tudo que queremos aqui mesmo se alcança.

Monja Coen



terça-feira, 23 de maio de 2017

O ponto de estrangulamento do medo

foto: Luis Julgmann Girafa


As limitações da vida estão presentes na concepção. Os próprios fatores genéticos são limitações: somos do sexo masculino ou feminino, temos propensão a determinadas doenças ou fraquezas corporais. Todas as linhagens genéticas reúnem-se para produzir determinados temperamentos. É evidente a qualquer mãe com o feto em seu ventre, as tremendas diferenças que existem entre os bebês, antes mesmo de nascerem. No entanto, para a discussão que propomos, começaremos com o bebê ao nascer. Para os adultos, o recém-nascido parece aberto e não-condicionado. Durante suas primeiras semanas de vida, o imperativo do bebê é a sobrevivência. Basta ouvir um nenê recém-nascido berrando: é fácil perceber como o som atravessa a casa toda. Não consigo me lembrar de nada que tenha a mesma qualidade revolucionária que o choro de um recém-nascido. Quando ouço aquele som quero fazer alguma coisa, qualquer coisa, para interrompê-lo. Não leva muito tempo para o bebê aprender que, apesar de seus esforços incessantes, a vida nem sempre é agradável. Lembro-me de deixar meu filho mais velho cair de cabeça, quando tinha seis semanas. Pensei que eu era uma mãe nova muito esperta, mas ele estava ensaboado e…

Desde muito cedo, todos começamos a tentar nos proteger das ameaçadoras ocorrências que nos atingem com regularidade. Diante do medo que nos causam, começamos a nos contrair. A natureza aberta e espaçosa do início da vida vai se estreitando num funil dentro do gargalo do medo. Assim que aprendemos a falar, a rapidez dessa contração aumenta. Conforme nossa inteligência aumenta, o processo realmente toma-se mais veloz; então, não só tentamos manipular a ameaça, armazenando-a em cada célula de nosso corpo, como (através da memória) relacionamos cada nova ameaça a todas as anteriores e o processo forma-se de modo acumulativo.

Estamos todos familiarizados com o processo de condicionamento: imaginemos que, quando eu era bem pequena, um menino grande, forte, de 5 anos e cabelos ruivos, apoderou-se de meu brinquedo favorito. Fiquei apavorada e condicionada. Hoje, toda vez que uma pessoa ruiva passa pela minha vida fico inquieta por nenhum motivo aparente. Poderíamos dizer então que o condicionamento é o problema? Não, não exatamente. Mesmo quando repetido com freqüência, o condicionamento se esvai com o tempo.

Por essa razão, alguém que fala: “Se você soubesse o que minha vida tem sido, não é de espantar que eu esteja nessa bagunça; sou tão condicionado pelo medo, não tem jeito”. Essa pessoa não está captando o cerne do problema. O que é sem dúvida verdade é que nós todos somos constantemente condicionados e, sob a influência desses incidentes, revemos devagar nossas concepções a respeito de quem somos. Depois de termos sido ameaçados em nossa abertura e disponibilidade, decidimos que nosso ser mais autêntico é a contração do medo. Revejo minhas noções de pessoa e de mundo, e defino uma nova imagem de mim mesma; e, independente de essa imagem ser de conivência, de rebeldia ou de recolhimento, não faz muita diferença. O que difere é minha decisão cega de agora ter de corresponder a essa imagem contraída de mim mesma para poder sobreviver.

O ponto de estrangulamento do medo não é causado pelo condicionamento, mas pela decisão a meu respeito, tomada com base naquele condicionamento. Felizmente, como essa decisão é composta por pensamentos e reflete-se em contração corporal, ela pode ser minha mestra quando me experimento neste exato momento. Não necessito forçosamente de um conhecimento intelectual do que foi meu condicionamento, embora ele possa ser útil. O que de fato necessito é saber que espécies de pensamentos insisto em alimentar neste presente momento, hoje, e que contrações corporais exteriores, tenho exatamente, hoje. Ao atentar para os pensamentos e ao experimentar as contrações corporais (fazendo o zazen), o ponto de estrangulamento do medo fica iluminado. Ao fazer isso, minhas falsas identificações com um self limitado (a decisão) aos poucos desaparecem . Posso ser cada vez quem sou de verdade. Um não-self, uma resposta aberta e disponível à vida. Meu verdadeiro self, desertado e esquecido há tanto tempo, pode funcionar agora, pois observo que esse ponto é uma ilusão.

Nessa altura vêm-me à mente dois famosos versos sobre um espelho (um de autoria de um monge que era especialista no Quinto Patriarca, e outro, de um anônimo que acabaria se tornando o Sexto Patriarca). Esses versos foram compostos de tal modo que o Quinto Patriarca deveria julgar se seu autor teria ou não alcançado a verdadeira realização. O verso do monge (aquele que não foi aceito pelo Quinto Patriarca como a verdade) afirmava que a prática consistia em polir o espelho; em outras palavras, removendo o pó de nossos pensamentos e ações ilusórios, o espelho poderia brilhar (estaríamos purificados). O outro verso (que revelou ao Quinto Patriarca o profundo entendimento do homem que seria escolhido como seu sucessor) afirmava que, desde o princípio, “não há espelho onde se mirar, não há espelho a ser polido, e não há onde o pó se apegar…”

Então, embora, o verso do Sexto Patriarca seja o entendimento verdadeiro, para nós o paradoxo é que temos de praticar com o verso que não foi aceito; precisamos mesmo polir o espelho; precisamos de fato tomar consciência de nossos pensamentos e atos; temos de nos conscientizar de nossas falsas reações à vida. Apenas agindo assim é que chegaremos a perceber que, desde o princípio, o ponto de estrangulamento do medo é uma ilusão. É óbvio que não temos de nos esforçar para nos libertar dela. Mas não podemos e não queremos saber disso até termos polido infatigavelmente o espelho que não existe.

Às vezes, as pessoas dizem: “Bem não há nada que precise ser feito. Nenhuma prática (polir) é necessária. Se você enxergar com suficiente clareza, tal prática não tem sentido”. É… porém nós não vemos com suficiente nitidez e, quando isso acontece, criamos um caos deslumbrado para nós e para os outros. É preciso de fato praticar, precisamos na realidade polir o espelho, até que possamos sentir em nossas vísceras a verdade de nossa vida. Assim, podemos enxergar que, já desde o início, nada era necessário.

Nossa vida sempre está aberta, disponível e útil. Contudo, não nos iludamos sobre quanta prática sincera devemos realizar antes de vermos tudo com a mesma clareza com que enxergamos nosso próprio nariz.

O que lhes estou apresentando é, sem dúvida, uma visão otimista da prática, embora haja ocasiões em que ela se tornará desestimulante e difícil. Outra vez, porém, a questão é: temos bastantes escolhas? Ou morremos — porque se permanecermos muito tempo entalados no ponto de estrangulamento do medo seremos estrangulados até a morte — ou lentamente conquistamos uma certa compreensão vivenciando o ponto e atravessando-o. Não creio que tenhamos tantas escolhas assim. O que vocês pensam?”

(Charlotte Joko Beck ) 
texto retirado de Dharmalog.com  

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Ser trazido para dentro de si mesmo - Ajahn Chah



foto: Lou Gaioto 




Experimentar a verdade não é uma expressão muito popular no Ocidente. Saber a verdade sim, parece uma expressão mais familiar, mais normal. Experimentar nem tanto. Como a verdade poderia ser experimentada? Em escolas de sabedoria orientais, como Yoga e Budismo, essa experiência da verdade é absolutamente essencial, pois a pessoa vê por si mesma que uma coisa é ou não é, percebe, sente, realiza. Não é concordar com, ou aceitar que algo pode ser, mas ver “por dentro” da própria coisa, ou nela mesma, se é ou não é — como alguém que passa por um luto sabe o que o luto é. Ou alguém que experimenta uma fruta amarga sabe o que o amargo é, como explica o célebre monge tailandês de Budismo Teravada, Ajahn Chah (Pra Bhodinyana Thera) (1918-1992), que ensinou muito sobre essa realização interior da verdade, essa experimentação por si mesmo. No trecho abaixo, há uma pequena centelha desse ensinamento.

"Enfatizo o ensinamento que o Dharma é opanayiko — “ser trazido para dentro de si mesmo” — de forma que a mente saiba, entenda e experimente os resultados do treinamento dentro de si mesma. Se as pessoas dizem que você está meditando corretamente, não acredite nelas tão depressa, e, da mesma maneira, se elas disserem que você está fazendo errado, não aceite o que dizem até que você tenha realmente praticado e visto por si mesmo. Mesmo se elas lhe instruírem na maneira correta que leva à iluminação, ainda assim é a palavra de outras pessoas; você tem que pegar o ensinamento delas e aplicá-los até que você experimente os resultados por si mesmo aqui neste momento. Isso significa que você deve se tornar sua própria testemunha, capaz de confirmar os resultados de dentro da sua própria mente.

É como o exemplo da fruta amarga. Eu disse a vocês que uma certa fruta tinha gosto de amarga e convidei vocês a experimentar. Vocês teriam que comer um pedaço e experimentar o amargor. Algumas pessoas iriam acreditar na minha palavra se eu dissesse que a fruta era amarga, mas se elas simplesmente acreditassem que era amarga sem nunca experimentá-la, aquela crença seria inútil (mogha), não teria nenhum valor de significado. Se eu descrevesse a fruta como amarga, seria meramente minha percepção dela. Só isso. O Buda não pregou tal crença. Mas você também não pode simplesmente ignorá-la: investigue. Você deve experimentar a fruta por si mesmo, e ao saborear seu sabor de verdade, você se torna a própria testemunha interna. Alguém diz que a fruta é amarga, então você a pega, come e descobre que é realmente amarga. É como se você tivesse se certificando duplamente — se baseando na própria experiência e no que as pessoas dizem. Dessa maneira você pode realmente ter confiança na autenticidade do sabor amargo, você é a testemunha que atesta a verdade”.

— Ajahn Chah, Sofrendo na Estrada (Suffering on the Road) Texto retirado do dharmalog.com.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Gakudo Yojin-shu - Pontos a observar no Estudo do Caminho - Mestre Dogen (*)



1. A necessidade de despertar para a Mente-Bodhi

A Mente-Bodhi é conhecida por muitos nomes, porém todos se referem à mesma Mente Una. O Venerável Nagarjuna[1] disse, “A mente que vê através do fluxo do aparecer e desaparecer e reconhece a natureza transitória do mundo é também conhecida como Mente-Bodhi.” Por que então, a dependência temporária nesta mente é chamada de Mente-Bodhi? Quando a natureza transitória do mundo é reconhecida, não aparece nem a mente egoísta comum nem a mente que busca fama e proveito.

Ciente de que o tempo não espera por ninguém, pratique como se estivesse tentando apagar o fogo em seus cabelos. Reflita sobre a natureza transitória do corpo e da vida, se esforce exatamente como o Buda Xaquiamuni fez quando levantou seu pé[2].

Mesmo que ouça o chamado bajulador do deus Kimnara e do pássaro Kalavinka[3], não preste atenção, considere-os apenas como a brisa do anoitecer soprando em seus ouvidos. Mesmo que veja uma face tão bela como a de Mão-cha’ng ou Hsi-shih[4], pense nela apenas como o orvalho da manhã bloqueando sua visão.

Quando livre do apego ao som, cor e forma, naturalmente se tornará um com a verdadeira Mente-Bodhi. Desde os tempos antigos existiram aqueles que ouviram pouco sobre o verdadeiro budismo e outros tiveram pouca oportunidade de ouvir, ler e estudar os sutras. A maioria deles caiu na armadilha da fama e lucro, perdendo a essência do Caminho para sempre. Que pena! Que lamentável! Não ignorem isto.

Mesmo que você tenha lido os meios expedientes ou verdadeiros ensinamentos de grandes sutras[5] ou transmitido os ensinamentos esotéricos[6] e exotéricos, a menos que abandone fama e lucro, não se poderá dizer que tenha despertado a Mente-Bodhi.

Alguns dizem que a Mente-Bodhi é o mais alto e supremo estado de iluminação de Buda, livre da fama e do lucro. Outros dizem que é aquilo que abrange um bilhão de mundos[7] em um único momento de pensamento, ou que é o ensinamento no qual nenhuma delusão surge. Outros ainda, dizem que é a mente que entra diretamente no plano de Buda. Estas pessoas, ainda sem entender o que é a Mente-Bodhi, de maneira devassa a caluniam. Elas estão, na verdade, muito longe do Caminho.

Reflita sobre sua mente comum, como está egoisticamente apegada, à fama e ao lucro. Está possuída pela essência e aparência dos três mil mundos, em um único momento de pensamento? Este pensamento único experimenta o portal do dharma do não nascido? Terá ela experimentado o ensinamento que não desperta uma única delusão? Não! Nessa mente apegada não há nada a não ser delusão de fama e de lucro, nada digno de ser chamado de Mente-Bodhi.

Muito embora desde os tempos antigos tenham existido Budas Ancestrais que usaram métodos seculares para realizar a iluminação, nenhum deles esteve apegado à fama e ao lucro, nem mesmo ao Dharma, quanto menos ao mundo comum.

A Mente-Bodhi é, como foi mencionado anteriormente, aquela que reconhece a natureza transitória do mundo – uma dos quatro percepções[8]. É completamente diferente daquela apontada pelas pessoas confusas.

A mente do não surgimento e a mente do aparecimento de um bilhão de mundos são práticas muito boas após se ter despertado a Mente-Bodhi. “Antes” e “após”, no entanto, não devem ser confundidos. Apenas esqueça de si e tranqüilamente pratique o Caminho. Esta é verdadeiramente a Mente-Bodhi.

Os sessenta e dois pontos de vista estão baseados no eu[9], portanto, quando visões egoístas aparecem, apenas faça zazen tranqüilamente, observando. Qual é a base de nosso corpo, suas posses internas e externas? Você recebeu seu corpo, cabelo e pele de seu pai e de sua mãe. Entretanto, as duas gotas de seus pais, vermelha e branca[10], são vazias do início ao fim, portanto, não há nenhum eu aqui. Mente, consciência discriminativa, conhecimento e pensamento dualístico amarram a vida. O que, em última instância, são inalar e exalar? Não são o eu. Não existe nenhum eu para se apegar. A pessoa deludida, entretanto, está apegada a si mesma e a iluminada está desapegada. Ainda assim vocês procuram medir o eu que é não eu e se apegam ao surgir que é não surgir negligenciando a prática do Caminho. Por falhar em cortar suas amarras com o mundo fogem do verdadeiro ensinamento e correm atrás do falso. Vocês se atreve a dizer que não estão agindo erroneamente?

[1] Nascido em uma família de Brahman (ver “O Mérito de Se Torna Monge” ) nota 9: no sul da Índia no segundo ou terceiro século AD, tornou-se um dos principais filósofos do Budismo Mahayana, sendo considerado como o Décimo Quarto Ancestral na linhagem da transmissão do Darma. Ele defendia a teoria de que todos os fenômenos são relativos, não tendo uma existência independente.


[2] No Budismo Mahayana se acredita que o fundador histórico do Budismo, Buda Xaquiamuni, atravessou inúmeras transmigrações antes de finalmente realizar a iluminação. Também se acredita que antes do Buda histórico tiveram milhares de pessoas que já tinham atingido o “Estado de Buda”, sendo um deles o Buda Pusya. Quando o Buda Xaquiamuni em uma de suas vidas anteriores encontrou este Buda, é dito que para mostrar seu respeito para Pusya, Xaquiamuni permaneceu com um pé levantado por sete dias e noites cantando um sutra.

[3] Kimnara é um deus indiano da música. O kalavinka é um pássaro mítico indiano com uma bela voz.

[4] Estas duas mulheres são consideradas entre as mais belas cortesãs da antiga China.

[5] “Ensinamentos verdadeiros” refere-se propriamente aqueles do Saddarma-pundarika. Avatamsaka, e do Mahaparanirvana Sutra e “livros” incluem todos os outros ensinamentos.

[6] Os ensinamentos esotéricos são encontrados nas escolas Shingon japonesa e Tendai, e refere-se a doutrinas e rituais com grande influências do hinduísmo, que se desenvolveram na Índia durante os séculos sete e oito. Estes ensinamentos, tendo propriedades mágicas, apenas podem ser revelados àqueles que foram devidamente iniciados. Os ensinamentos exotéricos se referem a todos os outros ensinamentos.

[7] Pensava-se que todo o universo, em sua integridade, fosse constituído de um bilhão de mundos.

[8] Em inglês insights. De acordo com o Novo Dicionário Aurélio: Compreensão repentina, em geral intuitiva, de suas próprias atitudes e comportamentos, de um problema, de uma situação.

Os outros três insights são: (1) que o corpo é impuro; (2) que a percepção conduz ao sofrimento; e (3) que a mente é impermanente.

[9] Em inglês: “self”.

[10] A gota vermelha representa o óvulo da mãe e a branca o esperma do pai.


(*) Pontos a Observar no Estudo do Caminho, Gakudo Yojin-shu, é um dos textos usados para aprofundar a compreensão dos iniciantes no Zen Budismo e para aqueles que se engajam no Curso de Preceitos. A tradução atual é uma revisão modificada e melhorada daquele texto original e se baseou em várias versões em Inglês organizadas por diferentes mestres:
Zen is Eternal Life, de Rôshi Jiyu Kennett,
Moon in a Dewdrop, editado por Kazuaki Tanahashi
Zen Master Dogen, An introduction with selected writings de Prof. Yuho Yokoi e Daisen Victoria

terça-feira, 21 de março de 2017

Prática incessante


 
foto: João Antônio


Não devemos ficar esperando algo como uma grande iluminação; grande iluminação são aquelas ações que as fazemos diariamente, tais como beber chá ou comer arroz. Não devemos ficar esperando nem pela iluminação nem pela ilusão; esta é a coisa mais preciosa e importante. De tudo devemos nos separar da nossa cidade natal, laços da gratidão, fama, fortuna, propriedade e família; devemos abandonar o desejo por estas coisas. Nem devemos querer possui-las nem deixar de possui-las; de ambos devemos estar livres. Prática incessante quer dizer a nada ficar apegado. Abandonemos pois o desejo por status e riquezas em geral. Devemos nos dedicar a uma só coisa incessantemente e com isto a prática incessante de nossa vida Budista irá num crescendo. Assim é pela prática incessante que a prática incessante aumenta com mais prática incessante ainda. Devemos venerar e respeitar aquele que possui uma tal prática incessante em seu corpo e mente. (Gyoji - Prática incessante - primeira parte - Shobogenzo - Mestre Eihei Dogen)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Resiliência e o Direito e Dever de Despertar - Monja Coen






"Quando a época degenerada deste aeon chegar, as pessoas serão suas próprias enganadoras, suas próprias más conselheiras, as criadoras da própria estupidez, mentindo e enganando a si mesmas. Quão triste que essas pessoas tenham formas humanas mas não possuem nenhum senso maior que um boi!"

 Padmasambhava, do livro “Advice from the Lotus-Born” (in Dharmalog)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Respiração

Foto: Lou Gaioto


Quando praticamos zazen, nossa mente sempre segue a respiração.

Quando inalamos, o ar entra em nosso mundo interior.
Quando exalamos, o ar sai para o mundo exterior. O mundo
interior não tem limites e o mundo exterior também é ilimitado.
Nós dizemos "mundo interior" e "mundo exterior", mas, na
verdade, só há um único mundo. Nesse mundo sem limites, a
garganta é uma espécie de porta de vaivém. O ar entra e sai
como alguém passando por uma porta de vaivém. Se você pensa
"eu respiro", o "eu" está a mais. Não há um você para dizer "eu".
O que chamamos "eu" é apenas uma porta de vaivém que se
move quando inalamos e exalamos. Ela simplesmente se move,
eis tudo. Quando sua mente está pura e calma o suficiente para
seguir esse movimento, não há nada: nem "eu", nem mundo,
nem mente, nem corpo. Só uma porta que vai e vem.
Assim, quando praticamos zazen, tudo o que existe é o movimento
da respiração e, no entanto, estamos cônscios desse movimento.
Não devemos nunca nos distrair. Mas estar consciente
do movimento não significa estar consciente do eu pequeno, e
sim da nossa natureza universal, ou natureza de Buda. 
Esta consciência é muito importante porque em geral 
somos unilaterais.
Nossa compreensão habitual da vida é dualista: você e eu, isto e
aquilo, bom e mau. Na realidade, tais discriminações são, elas
próprias, a consciência da existência universal! "Você" significa
estar consciente do universo na forma de você, e "eu"
significa estar consciente do universo na forma de eu. Você e
eu somos portas de vaivém. É necessário este tipo de compreensão;
porém, nem sequer deveria chamar-se compreensão já
que é, isto sim, a verdadeira experiência da vida através da prática
do Zen.


(MENTE ZEN, MENTE DE PRINCIPIANTE
SHUNRYU SUZUKI)

domingo, 1 de janeiro de 2017

Joya No Kane - Cerimônia de Ano Novo Budista


Na noite de 31 de dezembro, os japoneses vão ao templo assistir à cerimônia do Joya no kane, que consiste em tocar o sino 108 vezes (107 vezes pouco antes da meia-noite e a última badalada à zero hora).
De acordo com a crença budista, as 108 badaladas representam a aspiração que todo devoto deve ter no ano que se inicia, diz respeito aos obstáculos que precisamos vencer para chegar a Iluminação.
Mas quais são esses 108 esforços.
Vamos lá! Tenham um pouco de paciência, afinal são 108.

Cento e Oito Portais da Lei Maravilhosa.

Diz o Sutra:

Quando Bodisatva Hu-ming estava para descender entrou e vasculhou a casa onde iria nascer. Assim tendo feito, instruiu todos os seres celestiais para que se reunissem no imenso palácio Kao-ch'uang, a fim de expor o Dharma para eles como fizera muitas vezes no passado.
Seres Celestiais! Estou para descender ao mundo humano; antes de fazê-lo quero expor as várias entradas do Dharma Maravilhoso e os métodos de alcançar o estado de todas as coisas. Aqui os reuni para dar este meu último ensinamento.
Seres Celestiais! Ao Bodisatva do mais alto nível de Iluminação que desejar descender ao mundo humano é requerido que não apenas exponha os cento e oito portais da Lei Maravilhosa a todos os seres celestiais, mas também que tenha certeza de que estes, deles sempre se lembrem.
Seres Celestiais! Eu vos peço que ouçam atentamente o que vou dizer.

Quais são, então, os cento e oito Portais?

Crença correta é o primeiro, pois mantém a mente firme.
Mente pura é o segundo, pois não possui impurezas.
Alegria é o terceiro, pois é o resultado de uma mente tranquila.
Necessidade da verdade é o quarto, pois promove uma mente pura.
Conduta correta é o quinto, pois é o resultado de ações puras: físicas, da fala e do pensamento.
Falar com pureza é o sexto, pois afasta a mente que leva aos quatro reinos maus do inferno, espíritos famintos, animais e demônios.
Pensamento puro é o sétimo, pois afasta a ganância, raiva e ignorância.
Manter os Budas na mente é o oitavo, pois contemplar os Budas é um ato puro.
Manter o Dharma na mente é o nono, pois contemplar a lei é um ato puro.
Manter a Sangha na mente o décimo, pois garante a realização do Caminho.
Manter a vontade de fazer ofertas em mente é o décimo primeiro, pois tais ofertas são feitas sem esperar nada em troca.
Manter os preceitos em mente é o décimo segundo, pois os preceitos englobam todos os votos.
Manter a vastidão do céu em mente é o décimo terceiro, pois faz surgir a grande mente cósmica.
Benevolência é o décimo quarto, pois faz com que todos os seres façam o bem.
Eliminação de sofrimento é o décimo quinto, pois protege os seres contra a dor.
Felicidade é o décimo sexto, pois elimina a infelicidade.
Abnegação é o décimo sétimo, pois termina com os cinco desejos.
Transciencia é o décimo oitavo, pois apresenta os apegos mundanos.
Contemplação do sofrimento é o décimo nono, pois extingue todos os desejos.
Contemplação do não eu é o vigésimo, pois elimina os apegos ao eu.
Contemplação da impermanencia é o vigésimo primeiro, pois preserva a mente tranquila.
Vergonha é o vigésimo segundo, pois produz uma mente equilibrada.
Timidez é o vigésimo terceiro, pois extingue os males externos.
Sinceridade é o vigésimo quarto, pois não engana ninguém.
Honestidade é o vigésimo quinto, pois evita a decepção.
Agir de acordo com o Dharma é o vigésimo sexto, pois está de acordo com a verdade.
Refugiar-se nos Três Tesouros é o vigésimo sétimo, pois purifica os três reinos maus de inferno, espíritos famintos e animais.
Gratidão é o vigésimo oitavo, pois promove bondade.
Retribuição de bondade é o vigésimo nono, torna a pessoa melhor.
Não se elogiar é o trigésimo, pois previne a superioridade.
Ajudar a todos é o trigésimo primeiro, pois previne a cobiça.
Praticar o Dharma é o trigésimo segundo, pois está de acordo com a verdade.
Usar bem o tempo é o trigésimo terceiro, pois previne as conversas frívolas.
Controle do orgulho é o trigésimo quarto, pois desenvolve a sabedoria.
Ausência de mente má é o trigésimo quinto, pois protege a si mesmo e aos outros.
Estar livre de enganos é o trigésimo sexto, pois evita que as dúvidas surjam.
Crer e compreender são o trigésimo sétimo, pois são as bases da Iluminação.
Contemplar o lixo e a imundice é o trigésimo oitavo, pois ameniza os desejos.
Amizade é o trigésimo nono, pois previne contra a raiva.
Conhecimento é o quadragésimo, pois previne a ignorância.
Seguir o Dharma é o quadragésimo primeiro, pois significa procurar pela verdade.
Amar o Dharma é o quadragésimo segundo, pois garante entender a Lei Verdadeira.
Vontade de ouvir o Dharma é o quadragésimo terceiro, pois o estado de todas as coisas é revelado.
Corretos meios expedientes são o quadragésimo quarto, pois englobam a prática correta.
Reconhecer que o eu é o produto dos cinco elementos é o quadragésimo quinto, pois remove as dúvidas.
Remover a causa da delusão é o quadragésimo sexto, pois garante a Iluminação.
Desapego aos sentimentos de amargura ou afeição é o quadragésimo sétimo, pois a união desses dois sentimentos é assim promovida.
Reconhecer que sofrimento é resultado da união temporária dos cinco agregados é o quadragésimo oitavo, pois revela a verdadeira natureza de todas as coisas compostas.
Reconhecer a existência separada dos quatro elementos é quadragésimo nono, pois elimina a incorreta ideia de que todas as coisas tem uma natureza unificada e independente.
Reconhecer o estado de todas as coisas é o quinquagésimo, pois revela a verdadeira natureza da Iluminação.
Reconhecer que não existem nascimento e morte é o quinquagésimo primeiro, pois assim a Iluminação é autenticada.
Conhecimento da impureza do corpo é o quinquagésimo segundo, pois tudo manifesta a Iluminação.
Conhecimento de que toda apego é sofrimento é o quinquagésimo terceiro, pois elimina todas as sensações incorretas.
Conhecimento da transciencia da mente é o quinquagésimo quarto, pois reconhece sua natureza ilusória.
Conhecimento da não substancialidade de todas as coisas é o quinquagésimo quinto, pois demonstra a perfeita sabedoria.
As quatro espécies de esforço correto são o quinquagésimo sexto, pois eliminam o mal e promovem o bem.
Os quatro poderes são o quinquagésimo sétimo, pois previnem a crença em ensinamentos incorretos.
Fé é o quinquagésimo oitavo, pois previne a crença em ensinamentos não budistas não verdadeiros.
Prática assídua do caminho é o quinquagésimo nono, pois promove a realização de toda a sabedoria.
Manter os ensinamentos de Buda em mente é sexagésimo, pois é a base da boa conduta.
Samadhi é o sexagésimo primeiro, pois purifica a mente.
Sabedoria é o sexagésimo segundo, pois permite ver todas as coisas como elas são.
Poder da fé é o sexagésimo terceiro, pois é superior ao poder dos demônios.
Poder de prática assídua é o sexagésimo quarto, pois previne a negligência.
Poder de concentração é o sexagésimo quinto, pois promove o espírito independente.
Poder de Samadhi é o sexagésimo sexto, pois extingue todos os pensamentos.
Poder da sabedoria é o sexagésimo sétimo, pois elimina as duas visões extremistas (niilismo e materialismo).
A plena atenção é o sexagésimo oitavo, pois permite que a natureza de todas as coisas seja percebida.
A sabedoria do Dharma é o sexagésimo nono, pois ilumina todas as coisas.
A sabedoria da prática assídua é o septuagésimo, pois permite que a verdade seja conhecida.
A felicidade é o septuagésimo primeiro, pois permite que todas as formas de Samadhi se manifestam.
A sabedoria da confiança é o septuagésimo segundo, pois permite a liberdade de ação.
A sabedoria do Samadhi é o septuagésimo terceiro, pois reconhece a equanimidade de tudo.
A sabedoria do desapego é o septuagésimo quarto, pois elimina apego a todos os fenômenos.
Correta compreensão é o septuagésimo quinto, pois garante a realização da Iluminação.
Correto pensar é o septuagésimo sexto, pois elimina pensamentos discriminatórios e não discriminatórios.
Correto falar é o septuagésimo sétimo, pois elimina o apego a nomes, sons e palavras.
Correta forma de vida é o septuagésimo oitavo, pois elimina todos os atos maléficos.
Correta ação é o septuagésimo nono, pois leva à outra margem.
Correta percepção é o octogésimo, pois está além do pensamento dualista.
Correto Samadhi é octogésimo primeiro, pois promove a mente tranquila.
A mente Bodhi é o octogésimo segundo, pois preserva os Três Tesouros.
Praticar o Mahayana é o octogésimo terceiro, pois previne dependência nos ensinamentos menores.
Verdadeira crença é o octogésimo quarto, pois garante a realização da Lei Suprema.
Altruísmo é o octogésimo quinto, pois acelera a realização de todo o bem.
Paramita da Doação é o octogésimo sexto, pois produz a aparência das trinta e duas marcas que distinguem o Buda, o mundo da Iluminação e salva seres da ganância.
Paramita de preservar os preceitos é o octogésimo sétimo, pois elimina a dor que os atos maus produzem e previnem os seres de quebrarem os preceitos.
Paramita da perseverança é o octogésimo oitavo, pois salva os seres da raiva, orgulho, bajulação, do ridículo e da frivolidade.
Paramita de prática assídua é o octogésimo nono, pois garante a realização de todo o bem e previne os seres de se tornarem negligentes.
Paramita de Samadhi é o nonagésimo, pois apressa a manifestação de todas as formas de iluminação e de poderes sobrenaturais promovendo a tranquilidade nos seres humanos.
Paramita da Sabedoria é o nonagésimo primeiro, pois salva os seres da ignorância e do apego.
Ensinamentos corretos são o nonagésimo segundo, pois permitem aos seres compreenderem a verdade de acordo com suas capacidades individuais.
As quatro maneiras de guiar os seres são o nonagésimo terceiro pois garantem que todos alcancem a Iluminação.
Ensinar os seres é o nonagésimo quarto pois previne a procura de prazeres pessoais e promove interesse no ensino.
Aceitar a lei verdadeira é o nonagésimo quinto, pois elimina todas as delusões.
Acumular méritos é o nonagésimo sexto, pois beneficia a todos os seres.
Prática de Samadhi é o nonagésimo sétimo, pois apressa a manifestação dos dez poderes.
Quiescência é o nonagésimo oitavo, pois engloba a Iluminação do Tathagata.
Sabedoria é o nonagésimo nono, pois permite que a essência de todas as coisas seja realizada.
Ensinar livremente o Dharma é o centésimo, pois clarifica a essência da Lei.
Verdadeira prática é o centésimo primeiro, pois esclarece a essência da Lei.
Saber que tudo engloba em um é o centésimo segundo, pois preserva os ensinamentos de Buda.
Obter o poder de ensinar livremente é o centésimo terceiro, pois traz alegria a todos os seres.
Agir de acordo apenas com o Dharma é o centésimo quarto, pois está de acordo com a verdade.
Perceber que tudo está além da vida e da morte é o centésimo quinto pois garante a futura realização do estado de Buda.
Saber que não existe resultado imutável é o centésimo sexto, pois engloba os ensinamentos de todos os Budas.
Avançar nos vários níveis de Bodisatva é o centésimo sétimo, pois antecipa à cerimônia e marca o avanço e a percepção de toda a sabedoria.
O mais alto nível de Bodisatva é o centésimo oitavo, pois garante a realização da Iluminação."
Tendo terminado esta explicação o Bodisatva Hu-ming conclui sua palestra a todos os seres celestiais ali reunidos dizendo:

Seres Celestiais! Vocês devem perceber que eu, agora, os presentei com os Cento e Oito Portais da Lei Maravilhosa. Lembrem-se deles continuamente pois não podem ser esquecidos.
Quando um Bodisatva de um elevado nível de percepção está para descender ao mundo humano, inevitavelmente ensina estas cento e oito entradas a todos os habitantes celestiais.
O Bodisatva Hu-ming era o nome dado a Shakyamuni Buda quando vivia no Céu como um Bodisatva do mais alto nível de Iluminação.

Estes cento e oito portais estão enumerados no T`ien-shêng Kuang - Têng- Lu, compilado por Li Fu-ma.
Shoboguenzo. Ippyaku-hachi Hômyô-mon.
De Mestre Eihei Dogen.

(este texto foi extraido do face do monge Getúlio Taigen)

Sesshin em Brasília

Arte: Hugo Pullen