sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Combatendo a resistência


Um profissional


Certa vez, alguém perguntou a Somerset Maugham se ele escrevia segundo um horário ou somente quando lhe vinha a inspiração. ''Escrevo apenas quando a inspiração me vem", respondeu. "Felizmente, ela vem toda manhã às nove horas em ponto."

Isso é ser profissional.

Em termos de Resistência, Maugham dizia: "Eu desprezo a Resistência; não deixo que ela me desconcentre; eu me sento e faço o meu trabalho."

Maugham acreditava em outra verdade mais profunda: que ao realizar o mundano ato físico de sentar-se e começar a trabalhar, ele colocava em movimento uma seqüência misteriosa, mas infalível, de acontecimentos que produziam inspiração, como se a deusa houvesse sincronizado seu relógio com o dele.

Ele sabia que se a incentivasse, ela viria.

(Steven Pressfield)

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Necessidade de Praticar os Ensinamentos de Buda Sem Idéia de Ganho


foto: Genshin


Na prática do Caminho é necessário aceitar os ensinamentos verdadeiros de nossos predecessores, colocando de lado nossas idéias pessoais.

O Caminho não pode ser realizado com a mente ou sem ela. A menos que a mente da prática constante seja uma só com o Caminho, nem o corpo nem a mente conhecerão paz. Quando o corpo e a mente não estão em paz, eles se tornam obstáculos à iluminação.

Como harmonizar a prática constante com o Caminho? Para assim o fazer, a mente não pode estar apegada nem rejeitar nada; necessita estar completamente livre do apego à fama e ao lucro. Ninguém se submete ao treinamento budista para os outros. A mente dos praticantes budistas, como a maioria das pessoas de nossa época, todavia, está longe da compreensão do Caminho. Fazem o que os outros elogiam, mesmo sabendo que é falso. Por outro lado, não praticam o que os outros desdenham, mesmo que saibam ser o verdadeiro Caminho. Quão lamentável!

Reflita tranquilamente se suas palavras e ações estão unidas aos ensinamentos de Buda, ou não. Quem sabe não se envergonhará? Os olhos penetrantes dos Budas Ancestrais incessantemente iluminam todo o universo.

Desde que praticantes budistas não fazem nada para si mesmos, como o poderiam fazer pela fama ou pelo lucro? O Darma de Buda só pode ser praticado pelo Darma de Buda. Não é para impressionar os outros nem para sentir-se bem que os vários Budas demonstram sua profunda compaixão por todos os seres. Assim é a tradição budista. O Darma de Buda pelo Darma de Buda.

Observem como até animais e insetos nutrem seus filhotes, suportando grandes dificuldades, várias adversidades. Os pais não esperam ganhar nada com suas ações, mesmo depois dos filhotes atingirem a maturidade. Embora sejam pequenas criaturas, têm profunda compaixão por seus filhotes.

Assim é a relação da compaixão dos vários Budas por todos os seres. O precioso ensinamento desses vários Budas, todavia, não está limitado somente à sua compaixão: aparecem em incontáveis formas através de todo o universo. Esta é a essência do Darma de Buda.

Nós somos crianças Buda. Por isso seguimos as pegadas dos Budas Ancestrais.

Praticantes! Não pratiquem o Darma de Buda para obter fama ou lucro, nem para obter recompensas ou poderes miraculosos. Simplesmente pratiquem o Darma de Buda pelo Darma de Buda: este é o verdadeiro Caminho.

(Mestre Dogen)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

SESSHIN


Durante um Sesshin (retiro Zen), temos a oportunidade de vivenciar o silencio. 

Juntos, a Sanga (Comunidade de Praticantes) vivencia o zazen, caminha no mesmo ritmo em Kinhin, recita sutras, faz as refeições e divide as tarefas comunitárias. 

Todas as ações se convertem numa oportunidade de trabalharmos os padrões (apegos e aversões). 

Um só ritmo, interagindo, vivenciando a transformação possível a todos. 

Sejam todos bem vindos!

Dias 17 a 19 de Novembro.

Investimento: R$ 200,00 (para membros do Zendo Brasília)
R$ 280,00 (para não membros) 

O valor inclui Hospedagem e Alimentação

Inscrições pelo email: zendobrasilia100@gmail.com 


Informações: Monja Kakuzen - (61) 998110506



arte: Hugo Pullen

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Sem obstáculos, logo sem medo

     


Vamos nos respeitar nas nossas diferenças. Sem exigir que nos tornemos iguais, que pensemos da mesma forma, que tenhamos a mesma religião e a mesma cultura. Vamos nos respeitar nas diferenças de cor de pele, de culturas, de gêneros, de alegrias, de tristezas, de curas e doenças. 

Unidos estamos pelo ar, pelo céu, pela terra, pela vida e pela morte, pelo sonho, a utopia que se realiza quando corações e mentes se unem no Caminho da Verdade.

(Monja Coen)

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

ZAZEN


Como me livrar das distrações?

- Não dando atenção a elas. Esteja apenas presente no que está acontecendo e use a respiração como referência, a postura física como o fio terra. Quanto mais queremos nos livrar de algo, mais esse algo nos importuna. Deixe as distrações passarem. A atenção que damos a elas é que as tornam importantes.

Sou uma pessoa muito ativa. Acho que não consigo fazer zazen.

- Faça. Perceba quanta atividade há em estar sentado(a) e encontre estabilidade em atividade.

A que horas e por quanto tempo devo me sentar em casa?

- Você terá de escolher um horário adequado. Comece com cinco ou dez minutos. Depois vá aumentando gradativamente. Há pessoas que preferem se sentar ao acordar e outras antes de se deitar. Algumas preferem no meio do dia ou da tarde. Será bom criar um horário diário, em vez de esperar um momento qualquer, quando sentir vontade.

Minha companheira diz que eu sou egoísta, pois prefiro ficar em silêncio a estar com ela. Estou exagerando?

- As pessoas que não praticam zazen podem ter alguma dificuldade em entender o que fazemos sentados em silêncio voltados para uma parede. Se sua companheira não se interessa em sentar-se ao seu lado, procure fazê-lo quando ela não estiver por perto. Ou vá aos poucos mostrando como você fica melhor depois do zazen. Mas lembre-se: é preciso harmonizar sua prática com a vida diária.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Como é feita uma oração quântica

foto: google



Em um de seus documentários, o físico quântico Gregg Braden conta que na década de 90 ele morava perto de um deserto em Los Angeles, naquela época a região passava por uma das maiores secas da história. Então um amigo dele nativo-americano o chamou para ir em um local sagrado no meio do deserto para rezar pela chuva. Eles foram, chegando lá Gregg observou que havia um círculo de pedras no chão, era onde rezavam. O seu amigo ficou descalço e entrou no círculo, fechou os olhos e saudou seus ancestrais, ficou lá por 20 segundos, depois olhou para Gregg e disse: “vamos comer alguma coisa! Está com fome?”, Gregg então respondeu: “Mas pensei que você iria rezar pela chuva”, seu amigo então disse: “se eu rezar pedindo pela chuva nunca choverá! Porque quando se reza pedindo algo, se está apenas constatando que não se tem aquilo e aquilo nunca chegará”.

Gregg então perguntou: “Mas então o que você fez nos 20 segundos que esteve no círculo?” Seu amigo disse: “eu senti o que sinto quando piso descalço na lama, e a lama está lá porque choveu muito, senti o cheiro da chuva nas paredes de barro de nossa vila, senti o que sinto quando ando em meio às plantações e elas estão altas porque choveu, foi isso o que fiz”. Assim é a oração quântica, é baseada no sentir e não no pedir. Sentir como se já tivesse no agora! O título desse post também poderia ser “COMO É FEITA A DANÇA NA CHUVA” Pois é exatamente assim que os indígenas fazem, dançam sentindo felicidade e gratidão como se a chuva já tivesse caído e não pedindo, implorando por ela.

Assim é a Lei da Atração!


Por Jane Lavagnoli
(texto retirado de Utanah Terapias Holísticas)

terça-feira, 24 de outubro de 2017



Centenas de flores primaveris, a lua do outono,

Uma refrescante brisa, neve de inverno,

Liberta a tua mente dos pensamentos ociosos,

e todas as estações se tornarão agradáveis!

(Mumon)

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

flor do cerrado - Google

Não dê ouvidos às palavras indignas ditas pelos outros. Não se preocupe com aquilo que foi realizado ou não realizado pelos outros. Observe apenas as suas próprias ações e omissões.

(Dhammapada)

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Para viver bem



Saber alimentar-se

Saber beber

Saber dançar

Saber dormir

Saber trabalhar

Saber meditar

Saber amar e ser amado

Saber escutar


Saber sonhar

Saber expressar

Saber caminhar

(Diplomacia pela vida - Mensagens sobre o Bem Viver - Sumak Kawsay)

terça-feira, 17 de outubro de 2017


foto: flor do cerrado - google


Fácil é apontar as faltas dos outros. Difícil é ver as próprias faltas. Nós peneiramos os erros alheios como se fossem palha, mas escondemos os nossos próprios erros como o trapaceiro na jogatina.

(Dhammapada)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Um olhar sobre Mahatma Gandhi - por Sadhguru



Desenho: blog Isha.sadhguru.org. 







Sadhguru: coisas incríveis são feitas no mundo simplesmente por compromisso. Um excelente exemplo é o de Mahatma Gandhi. Se você olha esse homem, ele não era talentoso ou nada especial, por favor, veja. Quando criança, ele não mostrou grande potencial. Ele não era extraordinariamente inteligente. Ele não era um artista, cientista, nem mesmo um bom advogado. Ele não conseguiu praticar como advogado na Índia, e é por isso que ele foi para a África do Sul para uma oportunidade melhor. Mesmo lá, ele não teve muito sucesso. Mas de repente, o homem se comprometeu com algo. Ele ficou tão comprometido que se tornou um gigante.


Mahatma Gandhi


Lembro-me do que ele escreveu sobre seu primeiro caso em um tribunal na Índia - ele levantou-se para discutir seu caso e seu coração afundou em suas botas. Isso soa como Mahatma Gandhi? O homem passou a mover milhões de pessoas. Com apenas um incidente em sua vida, de repente todas as suas identidades quebraram.

Ele tinha ido a África do Sul para ganhar a vida e ele estava bem como advogado. Um dia ele comprou um bilhete de primeira classe em um trem, entrou e percorreu alguma distância. Na próxima estação, entrou um sul-africano branco. Este homem não gostava de uma pessoa de pele marrom sentada em primeira classe, então ele chamou o coletor de bilhetes. O coletor de bilhetes disse: "Sai!", Mahatma Gandhi disse: "Eu tenho um bilhete de primeira classe".


"Não importa, apenas saia".

"Não, eu tenho um bilhete de primeira classe. Por que eu deveria sair? "


Eles jogaram Gandhi fora do trem junto com sua bagagem e ele caiu na plataforma. Ele ficou sentado por horas. "Por que isso aconteceu comigo? Comprei um bilhete de primeira classe. Por que fui jogado fora do trem? ", Pensou. Foi então que ele se identificou com a maior dificuldade das pessoas. Até então, sua sobrevivência, lei e ganhar dinheiro eram importantes para ele. Mas agora, ele se identificou com um problema muito maior que existia. Ele apenas quebrou essa pequena identificação e mudou-se para uma identidade muito maior.

Se estamos realmente empenhados em tudo o que assumimos em nossa vida, os resultados são abundantes.

Muitos humanos que são historicamente conhecidos como grandes seres; Isso é tudo o que aconteceu com eles. Eles estavam vivendo com uma identificação limitada. De repente, ocorreu um evento que quebrou suas identidades e eles conseguiram se relacionar com um processo maior que acontece ao redor deles. Eles fizeram coisas que eles próprios não podiam imaginar.

Gandhi moveu milhões de pessoas assim. Não só na Índia, em qualquer lugar do mundo, você toma o nome do Mahatma e há uma sensação de respeito. Tudo isso aconteceu em um momento em que havia tantos líderes que eram verdadeiros gigantes na Índia. Eles eram mais talentosos, melhores oradores e mais educados. No entanto, esse homem estava acima de todos eles, simplesmente por causa de seu compromisso.

O que quer que aconteça, a vida ou a morte, o compromisso não deve mudar. Verdadeiramente comprometido, você se expressa totalmente, de todas as maneiras possíveis. Quando falta o compromisso, em algum lugar você perde seu propósito. Quando a finalidade de por que estamos aqui está perdida, não há dúvida de cumprir nossos objetivos, não é?

Então, estar comprometido é apenas algo que temos que decidir dentro de nós mesmos. Se estamos verdadeiramente empenhados em tudo o que assumimos em nossa vida, os resultados são abundantes, você sabe? Se os resultados não vierem, para uma pessoa comprometida não existe tal como falha. Se eu cair 100 vezes por dia, o que fazer? Levante-se e ande novamente, só isso.

Compromisso não significa agressividade; isso deve ser entendido. É aqui que o exemplo de Mahatma Gandhi é tão apto. Ele estava comprometido com a luta da liberdade da Índia, mas ao mesmo tempo ele não estava contra o povo britânico. Essa foi a melhor parte, não foi? Isso mostra a maturidade do homem.

(texto retirado de http://isha.sadhguru.org)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O Dhammapada - O Nobre Caminho do Darma de Buda



foto: Marcelo Kogetsu



Fácil é praticar o mal; as ações prejudiciais vêm com facilidade. Extremamente difícil é fazer o bem e o salutar. (163)

O mal é feito pelo eu que a partir de si mesmo se contamina. O mal é desfeito pelo eu que a partir de si mesmo se purifica. Cada qual é responsável por sua própria pureza e impureza. Ninguém pode purificar a outrem. (165)

Ninguém deveria negligenciar o seu próprio bem moral em função dos outros. Aprenda primeiro antes de pretender ensinar. Que cada um adote a sua própria verdade e dedique a si mesmo a sua realização. (166)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Respiração



beija flor - google

"Nossa energia vem, basicamente, da respiração. Se o cérebro não recebe a quantidade certa de oxigênio, não temos a energia vital suficiente para nos desenvolver e mudar."

(David Frowley)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Yoga

flor do cerrado - google

A Yoga é um método para restringir a turbulência natural dos pensamentos. Estes, se não forem dominados, impedem todos os homens , imparcialmente, em todas as terras, de vislumbrar sua verdadeira natureza, que é Espírito. Como a luz curativa do sol, a yoga é benéfica tanto para os orientais como para os ocidentais. Os pensamentos da maioria das pessoas são inquietos e caprichosos; é patente a necessidade da yoga: a ciência do controle da mente. O antigo rishi Patanjali define yoga como "neutralização das ondas que se alternam na consciência".

(Paramahansa Yogananda - Autobiografia de um Iogue)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O Nobre



flores do cerrado - google

Aquele que é inofensivo, que não fere nem causa ou incentiva a morte de qualquer ser, fraco ou forte, a este eu chamo de nobre.

Aquele que é amável entre os hostis, suave entre os agressivos e livre de ambições entre os que cobiçam, a este eu chamo de nobre.

Aquele cuja luxúria, má vontade, orgulho e ingratidão tenham caído, assim como a semente de mostarda cai da ponta de uma agulha, a este eu chamo de nobre.

Aquele cujas palavras são gentis, instrutivas, verdadeiras e inofensivas, a este eu chamo de nobre.

(O Dhammapada)

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Meditação - por Sadhguruji


Essencialmente, a meditação significa experiencia em perceber que você não é uma bolha individual - você é um universo.
(citação mística de Sadhguru)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Paz

Muitos problemas que estamos  enfrentando é da nossa própria criação. E aqui há uma grande contradição, porque ninguém quer um problema, mas nós mesmos criamos um monte de problemas com as emoções. Emoções positivas e emoções destrutivas, criadas pelo homem. Raiva, ciúmes estão relacionadas com a sensação de auto-centramento, atitude egocêntrica. Aí vem o medo que cria a irritação e a irritação cria raiva, e raiva, por sua vez, cria violência. Portanto, quando falamos de paz, devemos alcançar a paz interior. A paz elimina a raiva, a paz cria genuína compaixão que elimina a violência.

(Dalai Lama)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Poema do arrependimento

Foto: Lou Gaioto




Todo carma prejudicial alguma vez cometido por mim, desde tempos imemoriáveis

Devido à minha ganância, raiva e ignorância sem limites

Nascido de meu corpo, boca e mente

Agora, de tudo, eu me arrependo.



Desde a época de Xaquiamuni Buda esse poema tem sido entoado de quinze em quinze dias, nas luas cheias e luas novas de cada mês.

É um momento de reflexão profunda sobre a nossa responsabilidade.

Somos responsáveis por nossas ações, palavras e pensamentos.

Podemos ter ações, palavras e pensamentos Buda - isto é, com discernimento correto, sabedoria, compreensão profunda da realidade - ou não.

É preciso acordar para a mente à procura da Iluminação, a mente à procura dessa sabedoria, dessa compreensão clara e profunda da realidade.

Tendo acordado para essa mente, precisamos continuar a prática incessante Buda. Falhamos. Assim, de tempos em tempos nos arrependemos e nos comprometemos a nos transformar. Ao menos fazer o esforço de corrigir nossos erros e faltas.

O arrependimento nos purifica e torna acessível a pureza ilimitada e a mente iluminada.

Logo, repita três vezes o poema do Arrependimento e, do seu mais intimo e verdadeiro estado, penetre o Caminho de Buda.

Mãos em prece
Monja Coen

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O JUSTO

Não é justo o homem que julga impulsivamente, mas sim aquele que sabe distinguir entre o que é verdadeiro e o que é falso. 
Crianças Guarani Kaiowá/MS, foto Egon Heck

Qualquer um que guiar os outros apropriadamente, sem uso de força ou violência, como um guardião da justiça será chamado de sábio.

Um homem não é sábio por causa da sua eloquência. Mas aquele que é seguro, destemido e sem ódio, este sim, é um sábio.

Ele não é sábio apenas por ficar em silêncio; ele pode ser tolo e ignorante. Aquele que é ponderado e compreensivo, valorizando o bem e rejeitando o mal, este é sábio e por esta razão é chamado "sábio". Aquele que, em silêncio, medita na vida interior e exterior, tendo escolhido o bem em detrimento do mal, deve ser chamado "sábio". 

Nenhum homem pode ser considerado Nobre se prejudica os seres viventes. Apenas exercendo a inofensividade, a não violência, perante os seres viventes, poderá um homem ser considerado um verdadeiro Nobre. 

(Dhammapada)

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Criança Guarani Kaiowá/MS - foto Egon Heck

"Serás capaz de unificar a sua força e conseguir a delicadeza de uma criança? "
Lao-Tzu, Tao-Te King

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Zazen


Foto: monja Coen e comunidade Zendo Brasil/SP - via google


Quando praticamos o zazen, não é a mente grandiosa que está realmente controlando a mente pequena, mas o que acontece é que depois que a mente pequena se aquieta, a mente grandiosa inicia sua verdadeira atividade. 

(Shunryu Suzuki)

sexta-feira, 21 de julho de 2017



Não dê ouvidos às palavras indignas ditas pelos outros. Não se preocupe com aquilo que foi realizado ou não realizado pelos outros. Observe apenas as suas próprias ações e omissões.

(O Dhammapada)

segunda-feira, 17 de julho de 2017


foto: blog Sadhguruji

Não existe tal coisa como a vida e a morte. Não é vida nem morte - é apenas uma peça de teatro de todas essas coisas.
(Sadhuguru)

quarta-feira, 12 de julho de 2017


google


Uma única e sábia palavra que leve paz ao ouvinte é melhor do que um discurso de mil palavras vazias.

(Dhammapada - O Nobre Caminho do Darma de Buda)

segunda-feira, 10 de julho de 2017


Imagem: blog Sadhguru



Não tente se tornar um Buda. 

Seja você mesmo.

Esse é o Buda.
(Mooji)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

Sorria

Crianças indianas - Google


Quando você se levanta de manhã, a primeira coisa que você deve fazer é sorrir. A quem? Ninguém. Porque apenas o fato de você ter acordado não é uma coisa pequena. Muitos milhões de pessoas que dormiram ontem à noite não acordaram hoje, mas você e eu acordamos. Não é ótimo que você tenha acordado? Então, sorria porque você acordou. Então olhe em volta e, se houver alguém, sorria para eles. Para tantas pessoas, alguém querido para eles não acordou hoje de manhã. Todo mundo que é querido para você acordou - Uau! É um ótimo dia, não é? Então, saia e veja as árvores. Eles também não morreram ontem à noite.


Você pode pensar que isso é ridículo, mas você saberá a realidade quando alguém querido por você não acorda. Não espere até então para perceber o valor dela. Não é algo ridículo, esta é a coisa mais valiosa - que você está vivo e tudo o que é importante para você está vivo. Quando nesta noite desastrosa tantas pessoas não acordaram e os entes queridos de tantos outros não acordaram, você e seus entes queridos acordaram. Não é um evento fantástico? Aprecie e sorria pelo menos. Aprenda a olhar algumas pessoas com amor.


Lembre-se de sorrir!



Para muitas pessoas, leva apenas uma hora para esquecer tudo isso e, muito em breve, seu cérebro reptiliano quer morder alguém. Então, dê uma dose uma vez por hora - uma lembrança do valor da vida. Se você é muito insensível, lembre-se a cada meia hora. Se você é horrivelmente insensível, lembre-se a cada cinco minutos. Demora apenas dez segundos para se lembrar. Você poderia fazê-lo em apenas dois segundos também - "Estou vivo, você está vivo. O que mais?"

(Sadhguru)

terça-feira, 20 de junho de 2017

Ensinamentos

Estamos procurando métodos para que possamos nos dissolver em Deus, para que possamos experimentar algo maior que nós mesmos. (Sadhguru)

Desfrute o medo, ele é uma criação sua. (Sadhguru)








Está na hora do despertar da humanidade.

Que haja discernimento correto na opção da vida.

Que conheçamos os três venenos temíveis a serem evitados: a ganância, a raiva e a ignorância, nos seus disfarces mais variados.
A maioria de nós demora a perceber o próprio envenenamento.
Devem ser apiedadas, orientadas e não apedrejadas.

Não queimem bandeiras.
Não joguem pedras.
Não gritem insultos.
Não condenem pessoas, mas situações.
Podemos juntos transformar a maneira de ser dos habitantes da Terra.
Com isso modificaremos o habitat.
Faremos daqui o local, não da espera, mas do chegar.
Onde se fica bem.
Onde a vida cuida com cuidado uns dos outros.
No afago ao recém nascido
A benção da esperança.
Tudo será diferente,
Pois tudo que queremos aqui mesmo se alcança.

Monja Coen



terça-feira, 23 de maio de 2017

O ponto de estrangulamento do medo

foto: Luis Julgmann Girafa


As limitações da vida estão presentes na concepção. Os próprios fatores genéticos são limitações: somos do sexo masculino ou feminino, temos propensão a determinadas doenças ou fraquezas corporais. Todas as linhagens genéticas reúnem-se para produzir determinados temperamentos. É evidente a qualquer mãe com o feto em seu ventre, as tremendas diferenças que existem entre os bebês, antes mesmo de nascerem. No entanto, para a discussão que propomos, começaremos com o bebê ao nascer. Para os adultos, o recém-nascido parece aberto e não-condicionado. Durante suas primeiras semanas de vida, o imperativo do bebê é a sobrevivência. Basta ouvir um nenê recém-nascido berrando: é fácil perceber como o som atravessa a casa toda. Não consigo me lembrar de nada que tenha a mesma qualidade revolucionária que o choro de um recém-nascido. Quando ouço aquele som quero fazer alguma coisa, qualquer coisa, para interrompê-lo. Não leva muito tempo para o bebê aprender que, apesar de seus esforços incessantes, a vida nem sempre é agradável. Lembro-me de deixar meu filho mais velho cair de cabeça, quando tinha seis semanas. Pensei que eu era uma mãe nova muito esperta, mas ele estava ensaboado e…

Desde muito cedo, todos começamos a tentar nos proteger das ameaçadoras ocorrências que nos atingem com regularidade. Diante do medo que nos causam, começamos a nos contrair. A natureza aberta e espaçosa do início da vida vai se estreitando num funil dentro do gargalo do medo. Assim que aprendemos a falar, a rapidez dessa contração aumenta. Conforme nossa inteligência aumenta, o processo realmente toma-se mais veloz; então, não só tentamos manipular a ameaça, armazenando-a em cada célula de nosso corpo, como (através da memória) relacionamos cada nova ameaça a todas as anteriores e o processo forma-se de modo acumulativo.

Estamos todos familiarizados com o processo de condicionamento: imaginemos que, quando eu era bem pequena, um menino grande, forte, de 5 anos e cabelos ruivos, apoderou-se de meu brinquedo favorito. Fiquei apavorada e condicionada. Hoje, toda vez que uma pessoa ruiva passa pela minha vida fico inquieta por nenhum motivo aparente. Poderíamos dizer então que o condicionamento é o problema? Não, não exatamente. Mesmo quando repetido com freqüência, o condicionamento se esvai com o tempo.

Por essa razão, alguém que fala: “Se você soubesse o que minha vida tem sido, não é de espantar que eu esteja nessa bagunça; sou tão condicionado pelo medo, não tem jeito”. Essa pessoa não está captando o cerne do problema. O que é sem dúvida verdade é que nós todos somos constantemente condicionados e, sob a influência desses incidentes, revemos devagar nossas concepções a respeito de quem somos. Depois de termos sido ameaçados em nossa abertura e disponibilidade, decidimos que nosso ser mais autêntico é a contração do medo. Revejo minhas noções de pessoa e de mundo, e defino uma nova imagem de mim mesma; e, independente de essa imagem ser de conivência, de rebeldia ou de recolhimento, não faz muita diferença. O que difere é minha decisão cega de agora ter de corresponder a essa imagem contraída de mim mesma para poder sobreviver.

O ponto de estrangulamento do medo não é causado pelo condicionamento, mas pela decisão a meu respeito, tomada com base naquele condicionamento. Felizmente, como essa decisão é composta por pensamentos e reflete-se em contração corporal, ela pode ser minha mestra quando me experimento neste exato momento. Não necessito forçosamente de um conhecimento intelectual do que foi meu condicionamento, embora ele possa ser útil. O que de fato necessito é saber que espécies de pensamentos insisto em alimentar neste presente momento, hoje, e que contrações corporais exteriores, tenho exatamente, hoje. Ao atentar para os pensamentos e ao experimentar as contrações corporais (fazendo o zazen), o ponto de estrangulamento do medo fica iluminado. Ao fazer isso, minhas falsas identificações com um self limitado (a decisão) aos poucos desaparecem . Posso ser cada vez quem sou de verdade. Um não-self, uma resposta aberta e disponível à vida. Meu verdadeiro self, desertado e esquecido há tanto tempo, pode funcionar agora, pois observo que esse ponto é uma ilusão.

Nessa altura vêm-me à mente dois famosos versos sobre um espelho (um de autoria de um monge que era especialista no Quinto Patriarca, e outro, de um anônimo que acabaria se tornando o Sexto Patriarca). Esses versos foram compostos de tal modo que o Quinto Patriarca deveria julgar se seu autor teria ou não alcançado a verdadeira realização. O verso do monge (aquele que não foi aceito pelo Quinto Patriarca como a verdade) afirmava que a prática consistia em polir o espelho; em outras palavras, removendo o pó de nossos pensamentos e ações ilusórios, o espelho poderia brilhar (estaríamos purificados). O outro verso (que revelou ao Quinto Patriarca o profundo entendimento do homem que seria escolhido como seu sucessor) afirmava que, desde o princípio, “não há espelho onde se mirar, não há espelho a ser polido, e não há onde o pó se apegar…”

Então, embora, o verso do Sexto Patriarca seja o entendimento verdadeiro, para nós o paradoxo é que temos de praticar com o verso que não foi aceito; precisamos mesmo polir o espelho; precisamos de fato tomar consciência de nossos pensamentos e atos; temos de nos conscientizar de nossas falsas reações à vida. Apenas agindo assim é que chegaremos a perceber que, desde o princípio, o ponto de estrangulamento do medo é uma ilusão. É óbvio que não temos de nos esforçar para nos libertar dela. Mas não podemos e não queremos saber disso até termos polido infatigavelmente o espelho que não existe.

Às vezes, as pessoas dizem: “Bem não há nada que precise ser feito. Nenhuma prática (polir) é necessária. Se você enxergar com suficiente clareza, tal prática não tem sentido”. É… porém nós não vemos com suficiente nitidez e, quando isso acontece, criamos um caos deslumbrado para nós e para os outros. É preciso de fato praticar, precisamos na realidade polir o espelho, até que possamos sentir em nossas vísceras a verdade de nossa vida. Assim, podemos enxergar que, já desde o início, nada era necessário.

Nossa vida sempre está aberta, disponível e útil. Contudo, não nos iludamos sobre quanta prática sincera devemos realizar antes de vermos tudo com a mesma clareza com que enxergamos nosso próprio nariz.

O que lhes estou apresentando é, sem dúvida, uma visão otimista da prática, embora haja ocasiões em que ela se tornará desestimulante e difícil. Outra vez, porém, a questão é: temos bastantes escolhas? Ou morremos — porque se permanecermos muito tempo entalados no ponto de estrangulamento do medo seremos estrangulados até a morte — ou lentamente conquistamos uma certa compreensão vivenciando o ponto e atravessando-o. Não creio que tenhamos tantas escolhas assim. O que vocês pensam?”

(Charlotte Joko Beck ) 
texto retirado de Dharmalog.com  

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Ser trazido para dentro de si mesmo - Ajahn Chah



foto: Lou Gaioto 




Experimentar a verdade não é uma expressão muito popular no Ocidente. Saber a verdade sim, parece uma expressão mais familiar, mais normal. Experimentar nem tanto. Como a verdade poderia ser experimentada? Em escolas de sabedoria orientais, como Yoga e Budismo, essa experiência da verdade é absolutamente essencial, pois a pessoa vê por si mesma que uma coisa é ou não é, percebe, sente, realiza. Não é concordar com, ou aceitar que algo pode ser, mas ver “por dentro” da própria coisa, ou nela mesma, se é ou não é — como alguém que passa por um luto sabe o que o luto é. Ou alguém que experimenta uma fruta amarga sabe o que o amargo é, como explica o célebre monge tailandês de Budismo Teravada, Ajahn Chah (Pra Bhodinyana Thera) (1918-1992), que ensinou muito sobre essa realização interior da verdade, essa experimentação por si mesmo. No trecho abaixo, há uma pequena centelha desse ensinamento.

"Enfatizo o ensinamento que o Dharma é opanayiko — “ser trazido para dentro de si mesmo” — de forma que a mente saiba, entenda e experimente os resultados do treinamento dentro de si mesma. Se as pessoas dizem que você está meditando corretamente, não acredite nelas tão depressa, e, da mesma maneira, se elas disserem que você está fazendo errado, não aceite o que dizem até que você tenha realmente praticado e visto por si mesmo. Mesmo se elas lhe instruírem na maneira correta que leva à iluminação, ainda assim é a palavra de outras pessoas; você tem que pegar o ensinamento delas e aplicá-los até que você experimente os resultados por si mesmo aqui neste momento. Isso significa que você deve se tornar sua própria testemunha, capaz de confirmar os resultados de dentro da sua própria mente.

É como o exemplo da fruta amarga. Eu disse a vocês que uma certa fruta tinha gosto de amarga e convidei vocês a experimentar. Vocês teriam que comer um pedaço e experimentar o amargor. Algumas pessoas iriam acreditar na minha palavra se eu dissesse que a fruta era amarga, mas se elas simplesmente acreditassem que era amarga sem nunca experimentá-la, aquela crença seria inútil (mogha), não teria nenhum valor de significado. Se eu descrevesse a fruta como amarga, seria meramente minha percepção dela. Só isso. O Buda não pregou tal crença. Mas você também não pode simplesmente ignorá-la: investigue. Você deve experimentar a fruta por si mesmo, e ao saborear seu sabor de verdade, você se torna a própria testemunha interna. Alguém diz que a fruta é amarga, então você a pega, come e descobre que é realmente amarga. É como se você tivesse se certificando duplamente — se baseando na própria experiência e no que as pessoas dizem. Dessa maneira você pode realmente ter confiança na autenticidade do sabor amargo, você é a testemunha que atesta a verdade”.

— Ajahn Chah, Sofrendo na Estrada (Suffering on the Road) Texto retirado do dharmalog.com.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Gakudo Yojin-shu - Pontos a observar no Estudo do Caminho - Mestre Dogen (*)



1. A necessidade de despertar para a Mente-Bodhi

A Mente-Bodhi é conhecida por muitos nomes, porém todos se referem à mesma Mente Una. O Venerável Nagarjuna[1] disse, “A mente que vê através do fluxo do aparecer e desaparecer e reconhece a natureza transitória do mundo é também conhecida como Mente-Bodhi.” Por que então, a dependência temporária nesta mente é chamada de Mente-Bodhi? Quando a natureza transitória do mundo é reconhecida, não aparece nem a mente egoísta comum nem a mente que busca fama e proveito.

Ciente de que o tempo não espera por ninguém, pratique como se estivesse tentando apagar o fogo em seus cabelos. Reflita sobre a natureza transitória do corpo e da vida, se esforce exatamente como o Buda Xaquiamuni fez quando levantou seu pé[2].

Mesmo que ouça o chamado bajulador do deus Kimnara e do pássaro Kalavinka[3], não preste atenção, considere-os apenas como a brisa do anoitecer soprando em seus ouvidos. Mesmo que veja uma face tão bela como a de Mão-cha’ng ou Hsi-shih[4], pense nela apenas como o orvalho da manhã bloqueando sua visão.

Quando livre do apego ao som, cor e forma, naturalmente se tornará um com a verdadeira Mente-Bodhi. Desde os tempos antigos existiram aqueles que ouviram pouco sobre o verdadeiro budismo e outros tiveram pouca oportunidade de ouvir, ler e estudar os sutras. A maioria deles caiu na armadilha da fama e lucro, perdendo a essência do Caminho para sempre. Que pena! Que lamentável! Não ignorem isto.

Mesmo que você tenha lido os meios expedientes ou verdadeiros ensinamentos de grandes sutras[5] ou transmitido os ensinamentos esotéricos[6] e exotéricos, a menos que abandone fama e lucro, não se poderá dizer que tenha despertado a Mente-Bodhi.

Alguns dizem que a Mente-Bodhi é o mais alto e supremo estado de iluminação de Buda, livre da fama e do lucro. Outros dizem que é aquilo que abrange um bilhão de mundos[7] em um único momento de pensamento, ou que é o ensinamento no qual nenhuma delusão surge. Outros ainda, dizem que é a mente que entra diretamente no plano de Buda. Estas pessoas, ainda sem entender o que é a Mente-Bodhi, de maneira devassa a caluniam. Elas estão, na verdade, muito longe do Caminho.

Reflita sobre sua mente comum, como está egoisticamente apegada, à fama e ao lucro. Está possuída pela essência e aparência dos três mil mundos, em um único momento de pensamento? Este pensamento único experimenta o portal do dharma do não nascido? Terá ela experimentado o ensinamento que não desperta uma única delusão? Não! Nessa mente apegada não há nada a não ser delusão de fama e de lucro, nada digno de ser chamado de Mente-Bodhi.

Muito embora desde os tempos antigos tenham existido Budas Ancestrais que usaram métodos seculares para realizar a iluminação, nenhum deles esteve apegado à fama e ao lucro, nem mesmo ao Dharma, quanto menos ao mundo comum.

A Mente-Bodhi é, como foi mencionado anteriormente, aquela que reconhece a natureza transitória do mundo – uma dos quatro percepções[8]. É completamente diferente daquela apontada pelas pessoas confusas.

A mente do não surgimento e a mente do aparecimento de um bilhão de mundos são práticas muito boas após se ter despertado a Mente-Bodhi. “Antes” e “após”, no entanto, não devem ser confundidos. Apenas esqueça de si e tranqüilamente pratique o Caminho. Esta é verdadeiramente a Mente-Bodhi.

Os sessenta e dois pontos de vista estão baseados no eu[9], portanto, quando visões egoístas aparecem, apenas faça zazen tranqüilamente, observando. Qual é a base de nosso corpo, suas posses internas e externas? Você recebeu seu corpo, cabelo e pele de seu pai e de sua mãe. Entretanto, as duas gotas de seus pais, vermelha e branca[10], são vazias do início ao fim, portanto, não há nenhum eu aqui. Mente, consciência discriminativa, conhecimento e pensamento dualístico amarram a vida. O que, em última instância, são inalar e exalar? Não são o eu. Não existe nenhum eu para se apegar. A pessoa deludida, entretanto, está apegada a si mesma e a iluminada está desapegada. Ainda assim vocês procuram medir o eu que é não eu e se apegam ao surgir que é não surgir negligenciando a prática do Caminho. Por falhar em cortar suas amarras com o mundo fogem do verdadeiro ensinamento e correm atrás do falso. Vocês se atreve a dizer que não estão agindo erroneamente?

[1] Nascido em uma família de Brahman (ver “O Mérito de Se Torna Monge” ) nota 9: no sul da Índia no segundo ou terceiro século AD, tornou-se um dos principais filósofos do Budismo Mahayana, sendo considerado como o Décimo Quarto Ancestral na linhagem da transmissão do Darma. Ele defendia a teoria de que todos os fenômenos são relativos, não tendo uma existência independente.


[2] No Budismo Mahayana se acredita que o fundador histórico do Budismo, Buda Xaquiamuni, atravessou inúmeras transmigrações antes de finalmente realizar a iluminação. Também se acredita que antes do Buda histórico tiveram milhares de pessoas que já tinham atingido o “Estado de Buda”, sendo um deles o Buda Pusya. Quando o Buda Xaquiamuni em uma de suas vidas anteriores encontrou este Buda, é dito que para mostrar seu respeito para Pusya, Xaquiamuni permaneceu com um pé levantado por sete dias e noites cantando um sutra.

[3] Kimnara é um deus indiano da música. O kalavinka é um pássaro mítico indiano com uma bela voz.

[4] Estas duas mulheres são consideradas entre as mais belas cortesãs da antiga China.

[5] “Ensinamentos verdadeiros” refere-se propriamente aqueles do Saddarma-pundarika. Avatamsaka, e do Mahaparanirvana Sutra e “livros” incluem todos os outros ensinamentos.

[6] Os ensinamentos esotéricos são encontrados nas escolas Shingon japonesa e Tendai, e refere-se a doutrinas e rituais com grande influências do hinduísmo, que se desenvolveram na Índia durante os séculos sete e oito. Estes ensinamentos, tendo propriedades mágicas, apenas podem ser revelados àqueles que foram devidamente iniciados. Os ensinamentos exotéricos se referem a todos os outros ensinamentos.

[7] Pensava-se que todo o universo, em sua integridade, fosse constituído de um bilhão de mundos.

[8] Em inglês insights. De acordo com o Novo Dicionário Aurélio: Compreensão repentina, em geral intuitiva, de suas próprias atitudes e comportamentos, de um problema, de uma situação.

Os outros três insights são: (1) que o corpo é impuro; (2) que a percepção conduz ao sofrimento; e (3) que a mente é impermanente.

[9] Em inglês: “self”.

[10] A gota vermelha representa o óvulo da mãe e a branca o esperma do pai.


(*) Pontos a Observar no Estudo do Caminho, Gakudo Yojin-shu, é um dos textos usados para aprofundar a compreensão dos iniciantes no Zen Budismo e para aqueles que se engajam no Curso de Preceitos. A tradução atual é uma revisão modificada e melhorada daquele texto original e se baseou em várias versões em Inglês organizadas por diferentes mestres:
Zen is Eternal Life, de Rôshi Jiyu Kennett,
Moon in a Dewdrop, editado por Kazuaki Tanahashi
Zen Master Dogen, An introduction with selected writings de Prof. Yuho Yokoi e Daisen Victoria

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